Conselho da Califórnia defende clonagem

Steve Sternberg

O Comitê Assessor da Califórnia sobre Clonagem Humana recomendou
unanimemente que o estado permita a clonagem de embriões como fonte de
células humanas. As células obtidas poderiam ser utilizadas na regeneração
ou substituição de tecidos e órgãos danificados.

Chamadas células-tronco embriônicas, essas células se transformam nos
tecidos do embrião humano. Sob as condições adequadas, acreditam os
pesquisadores, elas poderiam ser usadas para unir nervos cortados, reparar
corações defeituosos e tratar doenças crônicas e degenerativas, como
Alzheimer.

Por outro lado, citando preocupações de segurança, o comitê foi da mesma
opinião que o presidente Bush e opôs-se à clonagem para fins de reprodução,
que poderia levar ao nascimento de clones humanos. Apesar de endossarem a
clonagem terapêutica, os membros propuseram regulamentos para quem tentasse
clonar embriões para tais propósitos: Os embriões não poderiam ter o
princípio de sistema nervoso; precisariam ser obtidos de doadores
voluntários e informados; a pesquisa precisaria de aprovação do comitê de
ética do instituto.

O relatório talvez seja o mais profundo exame das questões em torno do uso
de células-tronco embriônicas, uma questão que se misturou à controvérsia do
aborto e da reprodução assistida.

Em 1997, a câmara legislativa da Califórnia proibiu a clonagem humana por
cinco anos. Além disso, a lei determinou a formação de um comitê para
assessorar os legisladores e o governador, atualmente, Gray Davis, quanto à
sua substituição, ao final desse prazo. O relatório foi apresentado neste
final de semana. Na terça-feira (15), as recomendações deverão ser
analisadas pela primeira vez por um comitê legislativo.

Se o estado escolher permitir a produção de clones de embriões para extração
de células-tronco, fará antagonismo à política federal. Em agosto, Bush
decretou que os pesquisadores poderiam usar fundos federais para estudar
células-tronco embriônicas, mas somente de linhagens celulares ou colônias
existentes na data do anúncio.

Isso, de fato, proíbe o governo federal de patrocinar pesquisa em
células-tronco de embriões clonados, porque essas células não existiam na
época.

"A posição da Califórnia se aplicaria a toda pesquisa que não fosse
patrocinada pelo governo federal", disse Henry Greely, professor de direito
da Universidade Stanford e membro do comitê. O trabalho poderia ser
desenvolvido por firmas de biotecnologia ou por pesquisadores acadêmicos que
utilizassem fundos privados, disse.

Apesar da Administração de Alimentos e Drogas (FDA) considerar-se apta a
seguir a determinação de Bush e regular a clonagem, a posição legal da
agência ainda é questionável, diz Greely, acrescentando que a jurisdição da
FDA sobre clonagem humana provavelmente será decidida em tribunal.

Bush e o comitê assessor se opõem à clonagem reprodutiva porque não querem
endossar uma técnica que poderia gerar prole anormal. A maior parte dos
organismos clonados até hoje foram anormais. No dia 7 de janeiro, Ian Wilmut
e colaboradores, do Instituto Roslin na Escócia, anunciaram que Dolly, a
primeira ovelha clonada, havia desenvolvido atrite prematura. "Normal é a
exceção", disse Rudolph Jaenisch do MIT, firme defensor da clonagem
terapêutica, mas não da reprodutiva.

Arthur Caplan, professor de ética da Universidade da Pensilvânia chama o
relatório de "significativo", por ter sido "apresentado em uma época em que
há muita preocupação sobre para onde vamos com a clonagem, desde o Papa até
o presidente. (O relatório) será considerado porque cairá em relativo vácuo
político".

Richard Doerflinger, da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos,
discordou, chamando a clonagem terapêutica de inaceitável porque os embriões
clonados seriam destruídos. Ele diz que a proposta é uma "proibição do
nascimento de um clone".

Tradução: Deborah Weinberg Ciência

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