A Antártida esfriou, apesar da Terra ter esquentado um pouco

Jack Williams

Apesar do resto do mundo ter apresentado um aquecimento, grande parte da Antártida tem esfriado nos últimos 35 anos, segundo informaram os cientistas.

À primeira vista, o esfriamento do continente já gelado pode parecer não fazer muita diferença. Mas os pesquisadores disseram que isto tornando a vida ainda mais difícil para as poucas plantas e animais que lutam para viver nos Vales Secos antárticos, a maior área livre de gelo do continente. Nenhuma planta ou animal, apenas microrganismos, vivem no gelo que cobre cerca de 98% da Antártida.

Além disso, o esfriamento ajuda a ilustrar o quão pouco se sabe sobre importantes aspectos do clima da Antártida.

Treze pesquisadores, que trabalham para o programa de Pesquisa Ecológica de Longo Prazo dos Vales Secos McMurdo da Fundação Nacional de Ciência, relataram na edição online da revista Nature sobre o esfriamento e seus efeitos sobre os Vales Secos, uma área um pouco maior do que Rhode Island na costa oeste do Mar Ross.

As temperaturas dos Vales Secos caíram em média 0,69 graus Celsius entre 1986 a 2000, com o maior esfriamento durante o verão antártico, de dezembro até fevereiro, eles relataram.

Tal esfriamento é importante porque "as temperaturas de verão impulsionam todo o ecossistema terrestre antártico, e nossos dados são os primeiros, do nosso conhecimento, a destacar o efeito cascata de conseqüências ecológicas resultante do recente esfriamento do verão", disse Peter Doran da Universidade de Illinois-Chicago, o principal autor do artigo.

Durante a escuridão do inverno -o sol se põe nos Vales Secos em abril e só nasce novamente em agosto- a vida geralmente entra em recesso. Mesmo durante o verão, a "estação de crescimento", como está agora, dura cerca de cinco a seis semanas.

"O ecossistema responde rapidamente porque está além do limite. Ele está situado na divisa entre o líquido e o gelo", disse Doran. A única fonte de água é o pouco que derrete das geleiras durante o breve verão.

Como parte de sua pesquisa, Doran mergulhou em buracos abertos no gelo permanente que cobre os lagos do Vale Seco para estudar as camadas de diátomos e de algas verde-azuladas no fundo. No artigo da Nature, os pesquisadores relatam que o crescimento destas camadas tem caído de 6 a 9% ao ano, pelo menos em parte devido ao clima mais frio ter tornado mais espessa a camada de gelo que cobre os lagos, reduzindo a luz solar que chega ao fundo.

Os maiores "animais" de terra nos Vales Secos são nematóides, com apenas 10 milímetros de comprimento, que comem bactérias e levedo, disse Diana Wall da Universidade Estadual do Colorado, co-autora. Eles relataram que estes nematóides e outras criaturas minúsculas no solo tem diminuído cerca de 10% ao ano.

John Walsh da Universidade de Illinois, um cientista climático e um dos autores, disse que o esfriamento é resultado do enfraquecimento dos ventos nos Vales Secos e em outras partes da Antártida.

Os ventos ajudam a aquecer a Antártida de duas formas:

- Quando o ar está parado, o solo fica mais frio, mas o ar a vários metros de altura da superfície fica mais quente. Os ventos invertem as coisas, fazendo descer o ar mais quente.

- A calota de gelo antártica é um domo quase do mesmo tamanho dos Estados Unidos. Os ventos que sopram para as costas na descendente, o que faz com que o ar seja comprimido e mais quente.

Mas por que os ventos diminuíram nos últimos anos?

Esta é a grande pergunta que os cientistas estão tentando responder. Atualmente, os cientistas respondem tais perguntas com programas elaborados de computador que geram modelos da atmosfera. Mas Walsh diz que os resultados dos "modelos da Antártida estão espalhados por toda parte. A esta altura, a credibilidade dos modelos da Antártida é inferior em comparação com os de restante do mundo".

Walsh diz que as mudanças podem ser resultado de fenômenos ligados às temperaturas do oceano e ao clima, incluindo um conhecido como Oscilação Antártica e o mais famoso, o El Niño.

Ele disse que com menos dados disponíveis do que no Hemisfério Norte, é difícil estabelecer modelos de tempo e clima do Hemisfério Sul. "A resposta mágica dos modelos não vai ficar pronta tão cedo".

Tradução: George El Khouri Andolfato Ecologia

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