Luva dá uma "mãozinha" para surdos

Karen Thomas
USA Today

O pior pesadelo de um adolescente: ter um adulto "no seu pé" o tempo todo. Essa foi a principal motivação de Ryan Patterson, 17, que está conquistando atenção internacional por ter inventado uma luva computadorizada que traduz a linguagem de sinais em texto escrito. Com ela, as pessoas com deficiência de fala podem se comunicar com as que não sabem a linguagem de sinais.

Sua inspiração foi um adolescente surdo tentando pedir um sanduíche numa lanchonete, e um colega mudo que freqüentava as aulas e os corredores da escola com um tradutor a seu lado. "Os adolescentes me explicaram como seria poder fazer as coisas sem ter um adulto seguindo-os o dia inteiro", ele disse.

A invenção de Patterson já lhe valeu mais de US$ 300 mil, um encontro na Suécia com premiados do Nobel e menção honrosa no Concurso Siemens Westinghouse de Ciência e Tecnologia no mês passado. Mas Patterson, de Grand Junction, Colorado, não está repousando sobre os louros. E educadores querem ver se a luva pode ter um objetivo nas escolas.

"Eles acharam incrível, o máximo", disse Patterson. "A maioria quis saber quando estaria à venda (ainda não está). Eles me deram sugestões e detalhes para torná-la mais conveniente, como incluir fala, e não apenas texto escrito."

Por isso Patterson está esperando ansiosamente pelo lançamento nas próximas semanas de um novo chip de voz que segundo ele vai aperfeiçoar sua premiada invenção. "O problema não é se é possível", ele disse. "É se terei tempo para dedicar a isso."

Encontro com cientistas

A luva é uma luva de golfe simples (da mão esquerda, para que os usuários possam usar a direita para escrever) equipada de sensores e um pequeno transmissor mais ou menos do tamanho de uma bateria de 9 volts. Um receptor de tamanho suficiente para caber no bolso lê os gestos da mão e mostra automaticamente linhas de texto.

Embora Patterson não seja a primeira pessoa a experimentar esse tipo de invenção (ele é o primeiro adolescente a fazê-lo), já tem uma patente provisória da luva e pretende obter uma patente completa nos próximos meses. Ele acredita que a luva poderá estar à venda em menos de um ano.

No mês que vem Patterson se reunirá com cientistas dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). "Ele terá contato com outros cientistas sobre o que precisa e quais as aplicações disponíveis para ele, e estamos muito interessados em ver se podemos ajudá-lo em suas pesquisas", diz James Battey, diretor do Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação.

Battey disse que a facilidade de transporte da luva pode ser muito valiosa em qualquer ocasião em que seja necessário usar linguagem de sinais para se comunicar e lidar com indivíduos que não conhecem essa linguagem. "A maioria dos deficientes auditivos passa a maior parte do dia com pessoas que não entendem a linguagem de sinais". Com a luva tradutora, o usuário pode oferecer um receptor quando estiver conversando com essas pessoas, para que elas possam ler ou ouvir o que ele está dizendo com os dedos.

Deixando de lado os méritos da invenção, Battey disse que o NIH está tão interessado em conhecer Patterson quanto em sua luva tradutora. "Ter jovens interessados em nos ajudar a criar dispositivos de assistência para distúrbios da comunicação é uma coisa maravilhosa. É exatamente o pensamento novo de que precisamos para fazer grandes avanços em nossas capacidades, em vez de avanços incrementais".

Embora o projeto de Patterson seja "muito inteligente" e "transformar a linguagem de sinais em texto seja fenomenal", é apenas uma peça de um complexo quebra-cabeça para a comunidade deficiente, diz Judy Harkins, do programa Technology Access da Universidade Gallaudet, em Washington. "Ele não aborda como os deficientes auditivos recebem a informação, por isso é comunicação em um só sentido".

Expandindo a tecnologia

Cary Barbin, aluno de Gallaudet que usa um pager com teclado para se comunicar, diz que pode digitar mais rápido do que "falar" com os dedos. "É mais rápido simplesmente escrever o pedido ou apontar as coisas no cardápio. Também é muito mais barato usar uma caneta."

Mas se a tecnologia se estender à Linguagem Americana de Sinais -gestos com as duas mãos que transmitem palavras e conceitos completos-, "sei que as pessoas a adotariam", diz Barbin.

Patterson não pretende desistir da luva, e tem idéias de outros dispositivos para acompanhá-la. O aluno da última série do colegial, com média "regular", estreitou sua pesquisa de faculdades para Stanford ou a Universidade do Colorado-Boulder. Há mais de um ano ele está escrevendo código para equipamentos robóticos de laboratório, e pretende passar o verão concentrado na luva tradutora, fins-de-semana junto ao lago com a família e fazendo windsurf.

E passeando em seu Mustang vermelho (um presente que deu a si mesmo depois da vitória do projeto científico) com um sistema de exaustão modificado, vidros fumê e um equipamento de som incomparável, que inclui capacitores no banco traseiro. "Não preciso me preocupar com falta de potência nos amplificadores", diz Patterson.


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Tecnologia

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