Estudo demonstra incidência de problemas de saúde e baixo QI em bebês prematuros

RITA RUBIN

USA TODAY


Comparados àqueles indivíduos que tinham o peso normal ao nascer, jovens adultos que nasceram com o peso muito baixo têm o QI mais baixo e mais problemas crônicos de saúde, sendo, no entanto, menos propenso a usar drogas e álcool, de acordo com um novo estudo publicado nos Estados Unidos.

Pesquisadores acompanharam durante 20 anos 242 bebês de peso muito baixo que deram entrada no Rainbow Babies & Children's Hospital, em Cleveland, no mais longo acompanhamento de tais bebês. Em média, eles nasceram na 29ª semana de gestação - o tempo total são cerca de 37 semanas - e pesavam 1,177 quilogramas.

O resultado da nova pesquisa, publicado no The New England Journal of Medicine, compara o grupo prematuro com 223 jovens de 20 anos de idade que pesavam mais de 2,491 quilogramas na ocasião do nascimento. A prematuridade e o peso extremamente baixo no nascimento são fatores que estão associados a deficiências no cérebro e no desenvolvimento comportamental, que muitas vezes não podem ser detectados antes que as crianças entrem para a escola.

Através de entrevistas, questionários e testes de QI, os pesquisadores avaliaram a inteligência, a performance acadêmica, as taxas de doenças crônicas e os índices de comportamento de risco. Os pais também foram entrevistados, para que falassem sobre a saúde dos seus filhos, bem como sobre o uso de drogas e de álcool.

Os jovens de 20 anos de idade que nasceram prematuramente apresentaram uma tendência maior a terem baixa estatura e possuírem um problema crônico de saúde, especialmente paralisia cerebral, cegueira e surdez. O QI médio desses jovens ficou em 87, comparado a 92 para aqueles que nasceram com peso normal.

Somente os homens que nasceram com peso baixo apresentaram menor tendência a ter completado o segundo grau do que os jovens que nasceram com o peso normal. "Em geral, as mulheres que nasceram prematuras tendem a se sair melhor academicamente", explica a autora da pesquisa, Maureen Hack.

Os pesquisadores descobriram que três quartos dos adultos nascidos com o peso baixo terminaram o segundo grau, e um terço dos homens e metade das mulheres estavam na faculdade. "O que deve ser enfatizado não são os problemas, mas o número de pessoas que se saíram bem", afirma Hack, que é especialista em neonatologia.

Ela afirma ter ficado surpresa com o fato de os adultos nascidos com baixo peso - mesmo aqueles que mostraram ser saudáveis e ter QIs normais - terem demonstrado menor propensão para assumirem comportamentos de risco, tais como tomar bebidas alcoólicas e consumir drogas. Ela e Duane Alexander, diretora do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, que financiou o estudo, acham que isso se deveria ao fato de os pais dessas crianças terem dispensado mais atenção aos filhos.

Segundo Hack, atualmente os médicos são capazes de salvar a vida de bebês nascidos ainda mais prematuros e menores do que há vinte anos, mas esses bebês apresentam maior probabilidade de ter danos cerebrais e problemas crônicos de saúde do que os que foram objeto do seu estudo.

Cerca de um por cento dos bebês dos Estados Unidos pesam menos de 1,494 quilogramas ao nascer, segundo os pesquisadores de Boston, Marie McCormick, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, e Douglas Richardson, do Centro Médico Beth Israel Deaconess, que escreveram um editorial acompanhando a publicação da pesquisa. "Fica claro que a abordagem mais recomendada é aquela no sentido de reduzir o índice de nascimentos de bebês extremamente prematuros", afirmam os autores.



Tradução: Danilo Fonseca Saúde

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