Novo governo afegão encoraja mulheres a deixarem de usar a burca

TOM SQUITIERI
USA TODAY


CABUL, Afeganistão - Em um dramático rompimento com a política do Taleban, o novo governo do Afeganistão está encorajando energicamente as mulheres trabalhadoras que são funcionárias dos ministérios nacionais a não usar no ambiente de trabalho a indumentária que cobre o corpo da cabeça aos pés, conhecida como "burca".

O líder interino do país, Hamid Karzai, também instruiu os ministérios a contratar mais mulheres, segundo vários ministros.

Karzai, que estava participando de uma conferência em Tóquio, na qual vários governos se comprometeram a fornecer uma quantia total de mais de US$ 1 bilhão (R$ 2,37 bilhões) para a reconstrução afegã, afirmou que, para ele, a tarefa de promover direitos iguais para as mulheres é uma prioridade.

O anúncio oficial das novas políticas é esperado dentro de uma semana, mas elas já estão sendo implementadas em vários ministérios, incluindo o da Educação, do Turismo, da Educação Superior, das Comunicações e da Questão da Mulher.

O Ministério das Comunicações contratou 180 mulheres. O Ministério da Educação Superior planeja fazer com que metade das salas de aula da Universidade de Cabul seja composta por mulheres, quando a instituição retomar as suas atividades em março.

Sob o regime Taleban, que adotava uma versão fundamentalista do islamismo, as mulheres eram obrigadas a usar burcas, semelhantes a barracas de lona, sempre que andavam em público. O Taleban também proibiu que as mulheres trabalhassem fora dos seus lares, fechou as escolas para garotas e hospitais e determinou que as mulheres não saíssem de suas casas, a menos que estivessem acompanhadas por um parente do sexo masculino.

Embora o governo de Karzai tenha abolido tais leis assim que assumiu o poder, em dezembro, as mulheres em Cabul e de outras cidades do Afeganistão estão demorando a abandonar o uso das burcas. Os homens também têm demonstrado relutância para integrar as mulheres à sociedade.

Essa lentidão das mulheres para responder ao apelo de Karzai reflete em parte a tradição, e em parte a incerteza política no Afeganistão, onde alguns temem o retorno do Taleban ou dos seus simpatizantes.

De acordo com a nova política, as mulheres não são obrigadas a abandonar o uso da burca. Mas, segundo quatro ministros, nenhuma mulher continuou a usar a indumentária no trabalho. Além de reafirmar um novo papel para as mulheres, a política possui um aspecto prático: a burca cobre a face e possui uma tela sobre os olhos que dificulta a visão e a movimentação das mulheres.

O Gabinete demonstrou não ter incertezas quanto à nova medida. "Quase não houve discussões e polêmicas sobre esse assunto no Gabinete", afirma Sima Samar, vice-líder do governo e ministra da Questão da Mulher. "Já há 40 anos, as mulheres afegãs se vestiam de maneira normal nos seus locais de trabalho".

Tradução: Danilo Fonseca Pós-Taleban

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