Indústria eletrônica investe em novas tecnologias de telas planas de TV

MIKE SNIDER

USA TODAY



Várias tecnologias de monitores estão começando a dar frutos na forma de televisores e telas para telefones celulares e microcomputadores que são mais finas, maiores e que consomem menos energia do que o tradicional tubo de raios catódicos.

O robusto tubo de raios catódicos (TRC), inventado em 1897 é a tecnologia utilizada pela maior parte dos televisores e monitores de computador atuais. Ele cria uma imagem por meio do bombardeio de elétrons em uma tela revestida de fósforo localizada no interior de um tubo de vácuo. Produzido em massa, o TRC possui uma vantajosa relação custo-benefício e produz imagens de alta qualidade.

No entanto, os TRCs possuem um ângulo de visão limitado e são pesados. Um cinescópio de televisão de 27 polegadas pesa cerca de 45 quilos. Já uma tela plana de plasma de 42 polegadas pode pesar apenas 30 quilos. E, com uma espessura entre nove e treze centímetros, a tela a plasma é ideal para ser pendurada na parede.

"As margens de lucro com os tubos de TV são tão pequenas que todos os fabricantes japoneses estão querendo abandonar a indústria de fabricação de cinescópios", afirma Peter Putman, consultor e colaborador da revista The Perfect Vision.

Recentemente, o custo de uma tela de plasma de 42 polegadas chegou próximo aos US$ 10 mil (R$ 23,85 mil), o que não é exatamente um preço acessível para o consumidor. Porém, com os avanços da indústria e o aumento da produção desses equipamentos, os preços estão caindo. Avanços similares - e a chegada da TV digital - estão estimulando o lançamento de outras tecnologias de telas.

As vendas globais de telas de plasma devem crescer oito vezes entre 2002 e 2006, chegando a 4,3 milhões de unidades, representando um valor total de US$ 14 bilhões (R$ 33,4 bilhões), segundo a previsão da Stanford Resources-iSupply, uma empresa de venda de telas de San Jose, na Califórnia. As vendas de monitores do tipo LCD (para televisores e computadores) devem triplicar, chegando a 65,5 milhões de unidades, no valor de US$ 22 bilhões (R$ 52,47 bilhões).

Os fabricantes têm utilizado a tecnologia de projeção traseira para televisores como uma ponte para a futura tela plana. Exemplos: o preço das TVs com processamento digital de luz (DLP), caiu para menos de US$ 5 mil (R$ 11,9 mil), e a nova Grand Wega, da Sony, uma TV de projeção, de 60 polegadas, com três painéis LCD, custa cerca de US$ 8 mil (R$ 19 mil).

As telas com tecnologia de diodos emissores de luz orgânica (OLED) estão chegando em pequenos aparelhos e poderão também desempenhar um papel em telas de TV. "Parte da questão consiste em adequar a disponibilidade da tecnologia de que se necessita pelo preço correto à demanda do mercado", afirma Paul Semenza, da Stanford. "No início, muitas vezes se confia naqueles indivíduos que são os primeiros a adotar a nova tecnologia, e que podem fazer frente ao preço alto para desfrutar da conveniência e da novidade representadas pelo produto".

Eis uma lista de algumas tecnologias que estão caminhando para a utilização prática:

- Plasma. O tamanho das novas telas de plasma, e daquelas que ainda estão por vir, vai variar entre 32 a 63 polegadas, medidas diagonalmente. Elas criam uma imagem através da utilização de um gás eletricamente carregado mantido entre dois painéis de vidro. "O preço dessas telas diminuiu tremendamente e, atualmente, elas fornecem a melhor imagem em telas planas com mais de 30 polegadas", afirma Putman.

Para muita gente, tais telas representam o futuro e são mais desejáveis do que a maioria das outras opções. "Nós crescemos vendo essas telas em séries de ficção-científica para a TV, como 'Perdidos no Espaço' e 'Jornada nas Estrelas'", afirma Matt Dever, executivo da Pioneer.

A concorrência deve fazer com que os preços caiam. A Sansung lançará em breve uma tela de 42 polegadas ao preço de US$ 6.999 (R$ 16.692). Uma tela a plasma de 42 polegadas, fabricada pela Zenith, deve ser lançada em meados deste ano por menos de US$ 6 mil (R$ 14.310). Ambas as empresas, assim como a Fujitsu, a Panasonic e a Thomson (RCA), planejam lançar em pouco tempo telas com mais de 60 polegadas.

No passado, cerca de 90% das telas produzidas tinham que ser descartadas imediatamente devido a imperfeições. Atualmente, os principais fabricantes afirmam que o seu índice de sucesso na fabricação está entre 70% e 80%.

"É exatamente como a indústria de semicondutores", afirma Daeje Chin, presidente do departamento de mídia digital da Samsung. A fabricante coreana espera vender 50 mil telas em 2002, e um milhão em 2005.

"Quando o preço das telas a plasma cair para menos de US$ 100 (R$ 238) por polegada, a população vai entender o valor da nova tecnologia", afirma Tim Alessi, da Sony. "Não estamos muito longe desta meta".

- LCD. Assim como o mercado de telas a plasma está em expansão, a tecnologia de tela de cristal líquido (LCD) também está se disseminando. As telas de LCD, como aquelas usadas nos computadores laptop, se tornaram comuns em veículos que utilizam sistemas móveis de televisão e GPS. De maneira similar, monitores de microcomputadores de 15 polegadas podem ser comprados por cerca de US$ 400 (R$ 954).

"Atualmente, a cozinha e o quarto são os aposentos que fornecem as melhores oportunidades para as novas tecnologias de monitores", diz Gary Feather, da Sharp Electronics. Este ano, a Sharp vai lançar várias telas de LCD, no tamanho padrão e grande, entre 13 e 30 polegadas, assim como a tela de plasma de alta definição de 43 e de 50 polegadas. O preço do aparelho de 20 polegadas é US$ 2.800 (R$ 6.678).

A linha LCD da Zenith vai até 30 polegadas. A Samsung vai introduzir um novo monitor LCD de 24 polegadas e um a plasma de 27 polegadas. "Trata-se de uma corrida (entre plasma e LCD) em termos de custos para fabricar telas dessas dimensões", afirma Semenza.

- OLED. Criada através da superposição de várias camadas de polímeros luminosos entre duas finas grades de eletrodos, a tela OLED é capaz de oferecer uma imagem mais clara e rápida do que o LCD.

"O OLED, assim como o plasma e o LCD, oferece ângulos mais amplos de visão do que o CRT ou os televisores de projeção traseira. E dá para se poupar bastante energia, comparado ao LCD", afirma Ken Werner, editor da Information Display, uma revista especializada. "Os técnicos envolvidos com o projeto e fabricação de telas estão muito entusiasmados com o OLED", diz ele.

Até o momento, a produção de telas OLED se concentrou em pequenos visores - nos fones TimePort da Motorola e em vários aparelhos de som para automóveis da Pioneer. Novos telefones celulares da Sanyo, dotados de visores OLED mais sofisticados, devem ser lançados nos próximos três meses no Japão, chegando ao mercado norte-americano no fim do ano. "O rápido tempo de resposta, um grande ângulo de visão, a alta qualidade da imagem e o brilho fazem com que as telas OLED sejam ideais para vídeo", afirma Derek Wentz, da Sanyo.

As telas OLED prometem ter um futuro brilhante. A Kodak e a Sanyo, que juntas detém várias patentes OLED, fizeram a demonstração de uma tela de alta definição de 5,5 polegadas, e a Sony apresentou um monitor OLED de 13 polegadas.

Um monitor de 40 polegadas OLED HDTV deverá estar no mercado em 2008. "A tecnologia OLED tem o potencial para a produção de telas grandes e muito baratas", diz Werner.

Apesar da onda de novas tecnologias, o tradicional cinescópio de TV parece estar longe de chegar ao fim. "Por volta de 2006, as vendas globais de televisores TRC continuarão a ser maiores do que a de todas as outras novas tecnologias combinadas", prevê Stanford.



Tradução: Danilo Fonseca Tecnologia

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