Gravadora EMI encerra contrato com Mariah Carey

EDNA GUNDERSEN

USA TODAY

Mariah Carey e a Virgin Records terminaram o seu contrato quatro meses depois do fracassado álbum da cantora, "Glitter", deixando a diva de 31 anos com um prejuízo financeiro, um currículo manchado e um futuro incerto.

A subsidiária da Virgin, a EMI, comprou o contrato do multi-álbum de Carey, que valeria US$ 100 milhões (R$ 239 milhões), por apenas US$ 28 milhões (R$ 66,9 milhões). A cantora ficou com a quantia de US$ 21 milhões (R$ 50,17), que lhe foi paga desde a assinatura do contrato, em abril do ano passado.

Em uma declaração conjunta, ambas as partes afirmaram que o rompimento do contrato se deu de forma amigável. Mas os representantes de Carey ficaram furiosos quando a EMI fez uma declaração independente, anunciando que havia "colocado um fim" ao contrato. Carey acusa essa afirmação de ser falsa e de violar o acordo de término do contrato. A EMI, uma companhia pública, afirma que a revelação é exigida pelos regulamentos da bolsa de valores.

"Glitter", prejudicado por uma crise nervosa da cantora e recebido pelo público com indiferença, representa a primeira bomba a atingir uma carreira estonteante. Ele vendeu 501 mil cópias nos Estados Unidos, desde o seu lançamento em 11 de setembro. Embora Carey tenha vendido 40,3 milhões de álbuns desde 1991, a sua popularidade foi se desgastando, na medida em que ela modificava os temas das suas músicas. No campo doméstico, "Daydreaming", de 1995, vendeu 7,5 milhões de cópias, comparados a 3,6 milhões de "Butterfly", em 1997, e a 2,9 milhões de "Rainbow", em 1999.

Embora Carey tenha embolsado US$ 49 milhões (R$ 117 milhões) após o fracasso da trilha sonora de um filme ordinário, o episódio gerou dúvidas quanto ao seu talento e perspectivas. O seu próximo teste será no filme "Wisegirls", a ser lançado este ano, co-estrelando Mira Sorvino.

A carreira de Carey está passando por uma precária encruzilhada, segundo Tom Vickers, consultor da indústria musical.

"Poderia ser mais um caso do desaparecimento de um artista", diz ele. "O último artista desse quilate que sumiu do mapa foi Michael Bolton. Ele vendeu um número enorme de discos, mas quando o humor e o gosto do público mudaram, Bolton foi varrido do cenário.

"Por outro lado, Mariah é uma espécie de pechincha de Kmart", diz Vickers. "Um empresário visionário da indústria fonográfica, dos quais existem poucos, poderia segura-la por US$ 5 milhões (R$ 11,9 milhões) e, depois, fazer com que ela trabalhasse com compositores de primeira linha e ressuscitar a sua carreira. Isso aconteceu com Tina Turner. Não seria fácil, e um dos grandes fatores que influenciariam tal recuperação seria a forma como o rádio responderia à tal operação".

As emissoras de rádio rejeitaram "Glitter", após terem ficado progressivamente insatisfeitas com as gravações da cantora, segundo Sean Ross, editor da revista Airplay Monitor. "Nem todos gostam de ter uma música feita para as ruas e destituída de qualquer harmonia. Eles estavam loucos para dizer não", afirma Ross.

"Para recuperar a sua tiara de estrela popular, Carey precisa do disco certo", opina Ross. "Deixe as amostras em casa, desligue a máquina promocional, de forma que as pessoas acreditem que o disco é para valer, e procure o próximo produtor, ao invés do atual produtor da moda. Ela está longe daquele ponto em que já não se tem mais chances, mas certamente a sua recuperação vai ser difícil".

"Existe muita coisa a ser superada. A nossa cultura coloca essas estrelas em pedestais e depois sente um prazer perverso em observa-las cair. Mas, mesmo assim, elas conseguem recuperar o sucesso".



Tradução: Danilo Fonseca Música

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