Oscar deste ano mais uma vez deve ignorar talento de artistas desconhecidos

ANDY SEILLER

USA TODAY

O Oscar é um prêmio meio polêmico.

Os 5.739 eleitores da Academy of Motion Picture Arts and Sciences, os indivíduos que decidem quem vai levar o prêmio da Academia, geralmente recompensam os bons trabalhos, mas isso não quer dizer que eles façam justiça, ou mesmo que cheguem a examinar todos os bons trabalhos.

Aqueles indicados para concorrer ao prêmio são selecionados por gente da área - atores e atrizes escolhem os 20 indicados para melhor ator e atriz, além de melhor ator e atriz coadjuvantes. As votações são abertas em oito de janeiro, e os eleitores da Academia têm até o dia 1º de fevereiro para entregar os seus votos, que vão determinar quem será indicado.

Algumas das pessoas listadas aqui ficarão de fora.

Não se trata exatamente de um concurso de popularidade de escola de segundo grau, mas os atores têm a tendência a escolher indivíduos com os quais estão familiarizados e que fazem filmes de grande sucesso.

"Naomi Watts está sensacional em 'Mulholland Drive', mas dificilmente será escolhida, já que ninguém ouviu falar dela antes", diz Thelma Adams, crítica de cinema da revista "Us".

"Caso a conhecessem, ela com certeza ficaria entre as cinco finalistas para melhor atriz", diz a crítica. Adams se preocupa com a possibilidade de que Anthony LaPaglia venha a ter o mesmo destino em "Lantana", já que o filme é desconhecido pela maioria do público.

Caso os críticos e jornalistas estrangeiros que votam para o Globo de Ouro tivessem elogiado bastante a performance desses atores, isso provavelmente os ajudaria no caminho do Oscar.

Com a notável exceção de Anthony Hopkins em "O Silêncio dos Inocentes", quando você faz o papel do vilão, nem tente se candidatar.

Existem também outros fatores que não deveriam pesar na escolha, mas que, na prática, acabam tendo peso.

A qualidade técnica dos vídeos que os estúdios enviam aos eleitores (muitos dos membros da Academia não vêem os filmes em cinemas), a performance nas bilheterias e o desempenho dos atores em programas de entrevistas na televisão acabam tendo tanta importância para os votantes quanto a qualidade de seus trabalhos, segundo Leah Rozen, crítica de cinema da revista "People".

Ela possui uma queda pelo trabalho de Charlotte Rampling em "Under the Sand" e pelas estrelas adolescentes do filme independente, "Our Song".

"Foi uma performance extraordinária", diz ela sobre Rampling. "Temos nesse trabalho uma mulher com um visual fabuloso e que não fez cirurgia plástica."

Provavelmente não se deve contar com a possibilidade de os eleitores da academia tomarem conhecimento da performance fenomenal de Thora Birch em "Ghost World", um filme cuja produção foi bem barata (isso sem mencionar o trabalho notável de Steve Buscemi e Scalett Johansson neste filme).

Além de Rampling, também não se deve esperar que os membros da academia votem em Brian Cox, no papel de um pederasta, no obscuro "L.". Até mesmo o super-astro Jack Nicholson provavelmente não será reconhecido por ter dado o melhor do seu talento no desconhecido "The Pledge".

Esses artistas valorosos não devem se preocupar muito com essa realidade, argumenta Rose "Bams" Cooper, crítica do site especializado em cinema "3 Black Chicks".

"Eu aposto dólares contra sonhos de padaria que, se você perguntar a Joe Schmo, ele diria que esses prêmios significam muito mais para as pessoas que promovem todo o espetáculo do que para o senhor e a senhora Schmo", diz Cooper, que acredita que "The Visit" apresentou uma das melhores performances do ano, mas que ninguém, a não ser ela, assistiu ao filme.

"E, quanto ao fato de os filmes que têm estatura para um Oscar só serem exibidos em cidades selecionadas, acho que isso faz com que o público médio acabe não tendo conexão com esses trabahos" (Cooper mora em Michigan).

Portanto, talvez não devêssemos nos importar. Mas o fato é que o fazemos. E não é ainda muito tarde para que o talento possa triunfar. Esperamos que, quando os vencedores do 74º Oscar forem anunciados, no dia 12 de fevereiro, pelo menos alguns desconhecidos de mérito recebam a premiação.

E talvez, quem sabe, os membros da academia leiam esta nossa sugestão e pensem duas vezes antes de fazer a sua escolha.

Tradução: Danilo Fonseca Cinema

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