Bolsa gástrica reduz o peso e diminui o nível de açúcar no sangue

ANITA MANNING

USA TODAY


Uma cirurgia para a redução de peso que limita a quantidade de alimentos que entra no estômago melhorou sensivelmente a saúde de pessoas seriamente obesas que sofriam de diabetes, segundo o relatório de uma pesquisa australiana.

Porém, nutricionistas e outros especialistas afirmam que métodos mais tradicionais para a perda de peso, tais como a dieta e os exercícios físicos podem ter os mesmos resultados, sem os riscos de uma cirurgia.

No procedimento cirúrgico, os médicos usam um laparoscópio, um tubo fino inserido através de uma pequena incisão no abdômen, a fim de colocar uma banda ajustável em torno da parte superior do estômago, formando uma bolsa. Os alimentos passam lentamente por essa bolsa para a parte inferior do estômago e intestinos, criando uma sensação duradoura de saciação, mesmo após o indivíduo ter comido apenas uma refeição frugal.

O preço, que geralmente não é pago pelo seguro nos Estados Unidos, varia entre US$ 15 mil (R$ 36 mil) e US$ 24 mil (R$ 58 mil), dependendo do hospital.

Em um estudo envolvendo 50 pacientes obesos e diabéticos, 32 deles (64%) ficaram curados do diabetes um ano após a cirurgia, e 13 (26%) apresentaram "grandes melhoras" no controle do nível de açúcar no sangue, segundo pesquisadores do departamento de cirurgia da Monash University, no Alfred Hospital, em Melbourne. A cirurgia também resultou na redução da pressão arterial, diminuição da taxa de colesterol, melhores padrões de sono, redução da depressão e melhoria da qualidade de vida, segundo a declaração dos autores na última edição do Diabetes Care, a publicação da American Diabetes Association.

Os autores afirmam que utilizam a bolsa gástrica como o tratamento básico para a obesidade desde 1994.

Os pacientes que participaram do estudo foram considerados como sendo seriamente obesos, tendo, em média, 135 quilos de peso, e 1,67 metro de altura. Todos eles vinham tentando perder peso sem sucesso havia pelo menos cinco anos.

Há muito tempo se sabe que a perda de peso pode deter o diabetes e melhorar a saúde como um todo, mas "os métodos convencionais de emagrecimento (não-cirúrgicos) quase sempre fracassam em gerar um emagrecimento significante e sustentável", afirma o co-autor do trabalho, John Dixon.

Segundo os pesquisadores, um ano após a cirurgia de instalação da banda gástrica, os participantes do estudo passaram a pesar em média 109 quilos, e o processo de emagrecimento continua desde o encerramento da pesquisa.

Não há dúvidas quando à necessidade de emagrecimento em uma sociedade que a cada ano que passa é composta de pessoas mais rechonchudas, diz o presidente da American Diabetes Association, Christopher Saudek.

"O aumento epidêmico do número de casos de diabetes se deve em grande parte ao índice de obesidade nos Estados Unidos", afirma Saudek. Mas, segundo ele, o procedimento "consiste em uma cirurgia relativamente complexa, que altera consideravelmente a dinâmica da alimentação", não sendo, portanto, recomendada para todos.

Dixon admite que há perigos envolvidos, embora afirme que a colocação da banda gástrica é menos traumática do que outras cirurgias para o emagrecimento. Ele e o co-autor da pesquisa, Paul O'Brien, afirmaram que 15 dentre os 50 pacientes precisaram de uma segunda cirurgia para corrigir problemas, incluindo o deslocamento do estômago e o deslizamento da banda.


O procedimento só recebeu a aprovação federal em junho, não sendo, portanto, ainda muito utilizado nos Estados Unidos, afirma Dixon. Mas na Austrália é o método cirúrgico mais comum para o emagrecimento.

A médica metabologista Anne Daly, da American Diabetes Association, diz que a dieta e os exercícios físicos podem ser tão eficazes quanto a cirurgia para promover o emagrecimento, especialmente quando fazem parte de um programa contínuo e estruturado.

"O tratamento médico da obesidade é tipicamente oferecido por médicos sem convicção, que acreditam que a medida vai terminar fracassando", afirma Daly. "Creio que a comunidade de saúde precisa se unir e adotar uma postura mais séria sobre o tratamento da obesidade". Segundo ela, a obesidade é "um problema de saúde que desencadeia o surgimento e a ação das doenças mais letais conhecidas pela medicina".



Tradução: Danilo Fonseca Medicina

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