Ausência de menção a Bin Laden nos discursos de Bush indica uma nova fase da guerra

CHUCK RAASCH


WASHINGTON - Durantes meses, a guerra contra o terrorismo se concentrou em Osama Bin Laden, cuja rede Al Qaeda foi acusada de realizar os ataques terroristas de 11 de setembro, que mataram mais de três mil pessoas.

Mas, no seu discurso do Estado da União, o presidente Bush não chegou sequer a mencionar o nome do saudita.

Tal fato marcou uma significante virada com relação ao discurso segundo o qual Bin Laden representaria "a face do mal", um termo utilizado freqüentemente por Bush no último outono. Em vez disso, o presidente dedicou uma significante parte do seu discurso à "bomba-relógio do terrorismo" que, segundo ele, está espalhada por todo o mundo, e aos países que estariam apoiando o terrorismo ou envolvidos com armas de destruição em massa.

"A Coréia do Norte é um regime que está se armando com mísseis e armas de destruição em massa, enquanto mata os seus cidadãos de fome", acusou Bush.

"O Irã tenta agressivamente conseguir tais armas e exporta o terrorismo, enquanto que o Iraque continua a exibir a sua hostilidade contra os Estados Unidos e a apoiar o terror", continuou Bush.

Bush descreveu os três países como formando "o eixo do mal", tomando emprestado o rótulo utilizado para designar o Japão, a Itália e a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

No seu discurso, a referência mais próxima que Bush fez a Bin Laden foi a afirmação de que "os líderes terroristas que solicitam aos seus seguidores que sacrifiquem as suas vidas estão operando sozinhos".

Desde 11 de setembro, tem havido uma grande especulação sobre o paradeiro de Bin Laden. Ninguém sabe sequer se o saudita ainda está vivo. O presidente do Paquistão disse no início deste mês que acredita que Bin Laden tenha morrido de insuficiência renal. Segundo outras versões, Bin Laden estaria no Paquistão ou no Afeganistão.

Mas essas especulações diminuíram de importância na medida em que o foco das atenções se concentrou no próximo passo da campanha. Quando Bush falou sobre os navios da marinha estadunidense atracados ao largo da costa da Somália e de instrutores militares dos Estados Unidos atuando nas Filipinas, ficou claro que ele está tentando levar a guerra à sua próxima etapa, para além da questão do destino de Bin Laden.

Trata-se de uma grande mudança com relação ao período em que matar ou capturar o líder da Al Qaeda era uma prioridade diária. Defendendo Bush, o Pentágono sempre disse que a guerra está sendo travada em uma esfera que vai além de Bin Laden e recomendou cautela quanto a dar muita ênfase a sua captura, morte ou fuga.

Ainda não ficou claro qual será a estratégia que Bush e os seus assessores vão utilizar nas novas frentes de batalha descritas na noite da última terça-feira. Ele não deu nenhuma indicação forte de que a arma utilizada será as forças armadas, a economia ou as pressões políticas - ou uma combinação desses três fatores.

E há notícias de que existe uma acirrada polêmica em andamento no interior do seu governo sobre o curso apropriado das novas medidas, especialmente com relação ao Iraque. Mas, uma coisa Bush deixou bem clara: Caso seja necessário, os Estados Unidos vão agir unilateralmente.

"Alguns governos vão se intimidar ao encarar o terrorismo", predisse Bush. "Mas, não se enganem: Se eles não agirem, os Estados Unidos agirão".



Tradução: Danilo Fonseca Guerra

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