Dietas da moda funcionam, mas resultados geralmente não duram muito tempo

NANCY HELLMICH

USA TODAY



As dietas que estão na moda funcionam.

É só perguntar a qualquer um que seguiu fielmente a famosa dieta de toranjas, a dieta de sopa de repolho, ou a dieta de alface há alguns anos. A maioria dessas pessoas perdeu peso - pelo menos por alguns minutos.

Agora chegaram as dietas do Subway e a do cereal Special K, ambas baseadas em alimentos cujas logomarcas são famosas e ambas também prometendo remover bastante gordura em pouco tempo. Mas, será que elas funcionam?

Provavelmente sim, segundo os especialistas.

Mas esse sucesso seria duradouro? Talvez, mas provavelmente não.

A dieta do Subway não é papo furado da companhia. Trata-se de um programa seguido por Jared Fogle, que teve o peso reduzido de 191 para 81 quilos em um ano, comendo dois sanduíches sub por dia. O anúncio da companhia mostra fotos incríveis de Fogle antes e depois da dieta, e também de um bombeiro que perdeu peso comendo subs. Mas a Subway afirma que a dieta pode não ser apropriada para todo mundo.

As propagandas do Special K afirmam que um indivíduo pode perder até 2,7 quilos em duas semanas, comendo o cereal com leite e frutas duas vezes por dia uma vez como café da manhã, e a outra como substituto do almoço ou do jantar.

E o que virá depois? Uma dieta Big Mac? A dieta Lucky Charms? Ou a Oreo Cookie Diet?

"A tendência é que haja mais espaço para dietas malucas da moda, à medida em que existe um número maior de pessoas desesperadas para emagrecer. Mas elas vivem em um meio ambiente que faz com que tal coisa seja quase impossível", afirma a estudiosa de dietas Kelly Brownell, professora de psicologia na Universidade de Yale.

Não é de se admirar que dietas que prometem resultados rápidos apareçam e sumam periodicamente.

Os norte-americanos estão com excesso de gordura. Cerca de 61% dos norte-amercianos, ou aproximadamente 127 milhões de pessoas, estão acima do peso. Algumas estão cansadas dos métodos tradicionais de emagrecimento. Elas trilharam o caminho do "coma-menos-e-se-exercite-mais" diversas vezes e sempre terminaram chegando a um beco sem saída.

Uma quantidade enorme de indivíduos prometeu na virada do ano perder peso em 2002, mas um mês já se passou e, para muitos, a única coisa que perderam foi a esperança de ficarem mais magros. É aí que muita gente que já cansou de fazer dietas recorre a medidas desesperadas.

As dietas da moda têm algo em comum: elas limitam a escolha de alimentos, afirma Keith Ayoob, porta-voz da American Dietetic Association.

Segundo Brownell as dietas geralmente proporcionam fotos dramáticas do tipo "antes e depois" de pessoas que perderam uma quantidade enorme de peso, além da promessa de que o programa é fácil de ser seguido.

De acordo com Brownell, se o indivíduo seguir estritamente essas dietas, é claro que perderá peso. Por definição, esse indivíduo estará perdendo calorias. De certa maneira, toda dieta funciona para quem a segue, mas isso não significa que seja eficiente ou segura em longo prazo.

E aqueles que fazem dietas, sem entretanto modificar alguns maus hábitos de alimentação, provavelmente não vão manter aqueles quilos extras afastados, dizem os especialistas.

Muita gente acha que as dietas têm o mérito por faze-las perder peso, mas quando voltam a engordar costumam se culpar, diz Brownell. "Nessa história os criadores das dietas da moda são sempre vencedores".

Brownell não acredita que as dietas do Subway ou do Special K sejam especificamente perigosas para a saúde em curto prazo, mas tem dúvidas quando a capacidade de as pessoas manterem o novo peso por um longo período.

A dieta Subway de Fogle controla as porções e limita a escolha de alimentos. Para perder peso, Fogle tomava um uma xícara de café no desjejum; comia um sanduíche de 15 centímetros de comprimento, com carne de peru, muita verdura e um pouco de mostarda picante, algumas batatas cozidas e um refrigerante dietético no almoço; e um sanduíche sub de 30 centímetros de comprimento, com vegetais, e sem queijo ou maionese no jantar.

Ele afirma que comendo esse menu e caminhando durante um ano, foi capaz de perder 110 quilos . Fogle, que têm 1,88 m de altura, achou que 81 quilos era um peso muito baixo para si e decidiu engordar um pouquinho, até chegar aos 85,5 quilos. A sua história serviu de inspiração para que outros emagrecessem e alguns deles também aparecem na propaganda de televisão do Subway.

Quando estava no apogeu da sua obesidade, Fogle diz que era capaz de comer uma pizza inteira de uma só tacada, ou de devorar três ou quatro pratos de comida chinesa. Além do mais, ele tomava refrigerante comum. Ele acredita que estava consumindo entre 10 mil e 11 mil calorias por dia e levava uma vida sedentária.

Embora tenha tentado fazer outras dietas e fracassado, Fogle acha que a dieta do Subway funcionou porque ele gosta de sanduíches e do sabor de fast-food, e ainda porque o programa era conveniente. Ele perdeu todo esse peso enquanto era estudante da Universidade de Indiana em Bloomington.

"Quando estamos fazendo dieta, sentimos que não somos humanos de vários maneiras. Mas eu preciso almoçar e jantar todos os dias".

Ele sentiu fome durante a dieta, mas afirma que "é necessário sentir fome para perder peso".

Atualmente, Fogle, de 24 anos, que assinou um contrato com a Subway para participar de programas e comerciais, diz que está comendo vários outros tipos de alimentos em porções bem dosadas, evitando, entretanto, os alimentos gordurosos e amanteigados. E ele ainda está consumindo sanduíches Subway várias vezes por semana.

A resposta de Fogle aos nutricionistas que acusam a sua dieta Subway de ser muito pobre em frutas e verduras e em alguns nutrientes, como o cálcio, é que, para ele, o que não era saudável era pesar 191 quilos e ter uma cintura de 152 centímetros. "Não há nenhum manual para se perder peso. Não existe uma dieta perfeita para todos. Mas essa foi a dieta perfeita para mim. Eu costumo dizer às pessoas para fazerem aquilo que funcione para elas", afirma Fogle, que está escrevendo um livro sobre a motivação para fazer dietas.

Assim como o regime do Subway, a Dieta Special K Kick-Start reduz a quantidade de gordura e calorias. A Kellogg's a anuncia como sendo uma dieta de duas semanas. As pessoas que aparecem nas propagandas são atores e não indivíduos que realmente emagreceram com o regime.

Essa dieta se baseia em um estudo conduzido por Richard Mattes, professor de alimentos e nutrição da Universidade Purdue, em West Lafayette, em Indiana. Ele fez com que os indivíduos obesos comessem apenas cereais (vários tipos foram usados) em duas refeições diárias. A outra refeição ficava a escolha do paciente. Para os pequenos lanches, o dietista aconselhou as pessoas a comer frutas e vegetais. Os participantes do estudo perderam entre um e cinco quilos em duas semanas. O emagrecimento médio ficou em torno de 1,8 quilo.

Mattes diz que o programa não se constitui em uma dieta da moda, mas em "uma intervenção motivacional, uma maneira de curto prazo para superar o choque inicial de se começar um regime e de preparar os indivíduos para aderirem a uma dieta de longo prazo".

Ele diz que a idéia é que as pessoas perderão uma quantidade considerável de peso em duas semanas porque o seu consumo calórico é restrito, e depois vão se sentir motivadas a emagrecer ainda mais. A dieta é especialmente útil para aqueles indivíduos habituados a devorar porções absurdamente grandes, diz Mattes.

Sob muitos aspectos, as dietas mais recentes não são tão diferentes como algumas do passado. A dieta de sopa de repolho, por exemplo, faz com que os pacientes se alimentem quase que exclusivamente de uma sopa feita com uma cabeça de repolho, cenouras, cebolas, aipo e outros vegetais. Já a dieta de toranja consiste em se comer uma toranja ou em se tomar suco de toranja a cada refeição. Já a dieta Scarsdale determina que os indivíduos comam hambúrguer, ovos, queijo, frutas, vegetais e uma porção limitada de pão.

Há ainda a dieta de sete dias, na qual os indivíduos comem só frutas durante um dia, só vegetais no outro, e só banana e leite no dia seguinte. Ou então a dieta pobre em carboidratos e rica em gorduras do Dr. Atkins, muito popular, que permite que os pacientes se entupam de bacon e carne, mas reduz a quantidade de pão, massas e batata.

"Já estive lá, fiz todas essas dietas", diz muita gente, incluindo Beth Henk, de 36 anos, de Glen Carbon, Illinois, que lutou a vida toda contra a balança.

Ela tentou fazer a salada do alface, onde comia quanto alface quisesse, preparado da forma que quisesse, e terminou comendo pés inteiros dessa folha. Ela tentou fazer regimes a base de proteína líquida, e chegou mesmo a criar a sua própria dieta de frutas.

Segundo Henk, muitos obesos têm medo de passar fome durante as dietas, de forma que são atraídos pelas dietas da moda, já que elas preconizam que o paciente possa comer a quantidade que quiser de algo como sopa de repolho ou alface.

Mas ela afirma que, tão logo sai de um regime rígido e prova algo que estava fora da dieta anterior, isso é utilizado como desculpa para comer alimentos que sabe que não lhe fazem bem.

Henk diz que se sente tentada a criar a "dieta do cabelo", onde os pacientes deixariam os cabelos crescer e depois o cortariam, perdendo um quilo.

Bob Dembicki, de 47 anos, morador da cidade de Nova York, tentou fazer uma dieta de três dias, que incluía biscoitos de água e sal, ovos cozidos com a gema dura, ricota, beterraba e toranjas. "Foram três dias de uma tortura atroz", conta. "Foi algo de grosseiro, consistindo na combinação mais maluca de alimentos. Eu comia um pequeno bocado de comida e perguntava, 'Cadê o resto?'".

"Não havia nada de positivo. Eu perdi peso, mas isso era porque estava passando fome".

Não vale a pena ficar magro se esse for o preço a ser pago, diz Dembicki, que ficou feliz por ter perdido 27 quilos com a dieta da organização Weight Watchers, no decorrer de um ano e meio.

Ayoob, da American Dietetic Association, diz que tinha uma professora de nutricição na universidade que disse que ia criar uma dieta de bolinhos de morango para ajudar as pessoas a perder peso. A sua teoria era que uma pessoa pode emagrecer em uma dieta rígida de bolinhos de morango em todas as refeições, porque acabaria enjoando de tanto bolinho. Ou seja, após algum tempo, o indivíduo não agüentaria mais nem ver os bolinhos de morango, preferindo ficar com fome a come-los, reduzindo assim o seu consumo calórico.

Segundo Ayoob, o que faz com que os gordinhos se encrenquem é a vasta gama de opções de alimentos disponíveis no mercado. Segundo ele, um dos fatores que torna o ato de comer interessante é a variedade de alimentos disponíveis.

Mas, o fato de eliminar alimentos da sua dieta, especialmente aqueles que você realmente adora, pode ser um tiro pela culatra, já que você pode começar a sentir uma vontade enorme de comê-los e ceder à tentação, diz Ayoob. Isso pode acontecer com qualquer alimento: pão, sorvete, doces... "Eu não desejaria fazer um regime que não me permitisse comer um pedacinho de chocolate de vez em quando", diz ele.

Ayoob disse que tentou fazer uma dieta de baixa caloria há cerca de 25 anos, não para perder peso, mas porque queria ver porque esse regime era motivo de tanta propaganda.

"Não fiquei satisfeito. Fiquei pensando, 'Por que tenho que evitar uma maça? Deve haver um jeito melhor de fazer regime'".

Além do mais, ele não se sentiu bem. "A maioria das dietas de baixa caloria é também pobre em fibras".

Segundo Ayoob, controlar o peso e a saúde requer "estabelecer um equilíbrio entre os alimentos dos quais necessitamos e alguns outros que a nossa gula não dispensa".



Tradução: Danilo Fonseca

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