Aumento de orçamento da Nasa fica abaixo do valor da inflação

DAN VERGANO

USA TODAY

Com um novo chefe e um novo orçamento proposto, a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa) prevê contar no futuro com sondas espaciais movidas a energia nuclear e um ônibus espacial administrado pela iniciativa privada.

De forma geral, os cientistas manifestam um otimismo cauteloso com relação ao orçamento da Nasa, o primeiro sob a nova administração de Sean O'Keefe, apesar de estarem desapontados com o cancelamento de algumas missões ao espaço cósmico. Divulgado na segunda-feira, o orçamento fornecido pelo governo Bush limita os gastos da agência a US$ 15,1 bilhões (R$ 36,8 bilhões), o que representa um aumento de um por cento, que não acompanhou a inflação anual.

O orçamento privilegia a ciência espacial - as pesquisas realizadas a bordo do ônibus espacial e da estação espacial internacional - em detrimento das despesas de manutenção.

"É difícil ficar zangado e amargurado quando o presidente saúda a exploração espacial e acrescenta 20% das verbas à ciência espacial", afirma Louis Friedman, chefe da Sociedade Planetária, um grupo de apoio à ciência espacial. Embora o orçamento cancele sondas dispendiosas que seriam enviadas a Plutão e a Europa, uma das luas cobertas de gelo que giram em torno do planeta Júpiter, o plano aprova um programa de seis missões para explorar Marte. A última delas, a Mars Smart Lander, de 2009, utilizará um pequeno veículo movido a energia nuclear, que explorará a superfície marciana.

A pesquisa com energia nuclear no espaço ganha ímpeto com o novo orçamento, após ter sido relegada por muito tempo ao esquecimento. Nos próximos anos serão investidos US$ 125,5 milhões (R$ 305,84 milhões) no desenvolvimento de sistemas de alimentação de equipamentos e propulsão de sondas com base na energia nuclear.

Segundo Kevin Marvel, da American Astronomical Society, para os astrônomos, os orçamentos da Nasa e da Fundação Nacional de Ciências preservam algumas missões fundamentais para o estudo do cosmos:

- O Telescópio Espacial de Última Geração. Um sucessor do telescópio Hubble que será capaz de observar o passado do Universo até um período anterior ao nascimento das estrelas.

- O Telescópio Espacial de Raios Gama para Grande Área. Trata-se de uma sonda que examinará a fonte das misteriosas emissões abruptas de raios gama provenientes do interior e do exterior da nossa galáxia.

- O Atacama Large Millimeter Array. Uma antena internacional de radioastronomia que escrutinará as nuvens de poeira da Via-Láctea em busca de estrelas jovens.

Já os programas espaciais tripulados sofreram um corte no orçamento, incluindo a estação espacial internacional e o ônibus espacial. Propostas há muito esperadas no sentido de privatizar as operações dos ônibus espaciais aparecem no novo orçamento. Os contratos para as operações do ônibus espacial no valor de cerca de US$ 1,3 bilhão (R$ 3,17 bilhões) já são concedidos a uma parceria entre a Lockheed Martin e a Boeing. O'Keefe estuda agora a proposta no sentido de que cada lançamento do ônibus espacial, no valor de US$ 380 milhões (R$ 926 milhões), seja inteiramente administrado por uma empresa privada, que teria a responsabilidade de garantir a segurança dos lançamentos.

"Nas mãos da iniciativa privada, os proprietários do ônibus espacial vão descobrir como realizar tarefas com eficiência a fim de reduzir os custos", afirma o analista de orçamentos Edward Hudgins, do Cato Institute, de Washington D.C. Segundo ele, o turismo espacial, em particular, se beneficiaria de tal medida.

No entanto, Friedman expressa um certo ceticismo, afirmando que a privatização do espaço há muito tempo vem sendo apresentada como a "bala mágica" para reduzir o preço das atividades espaciais, tendo entretanto fracassado, até o momento, em casos envolvendo a pesquisa com a microgravidade e as operações do ônibus espacial. "Não sou contra a proposta mas, durante muito tempo, o usuário do ônibus espacial ainda será o governo e não os turistas", afirma Friedman.

Embora o novo orçamento traga algumas medidas intrigantes, aqueles analistas que esperavam cortes maiores feitos por O'Keefe, que é conhecido por passar a faca em orçamentos desde que esteve no Departamento da Casa Branca para Gerenciamento e Orçamento, admitem que a redução de verbas da Nasa foi menor do que imaginavam.

"De certa forma, trata-se de um orçamento semelhante ao anterior, não tendo sido tomada nenhuma decisão drástica", diz John Logsdon, especialista em política espacial da Universidade George Washington, em Washington, D.C. No decorrer dos próximos dois anos, ele espera que seja anunciada uma decisão sobre a continuidade ou não da expansão da estação espacial, que há muito tempo vem sendo criticada por ter estourado o orçamento originalmente previsto.



Tradução: Danilo Fonseca

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