Chocolate em quantidades moderadas pode fazer bem ao coração

MARILYN ELIAS

USA TODAY


Deguste aqueles chocolates do Dia dos Namorados sem culpa. Alguns chocolates (mas não algumas caixas de chocolate) podem fazer bem à saúde, segundo especialistas em nutrição.

Talvez eles estejam reinventando a roda. Os registros da civilização Maya indicam que aquele povo tinha o chocolate como um remédio e um afrodisíaco poderosíssimo há mais de 450 anos.

A ciência recente confirma que o chocolate puro contém flavinóides, substâncias químicas presentes nas plantas, que previnem o câncer e os ataques cardíacos. "Os dados são bem agradáveis", afirma Carl Keen, diretor do departamento de nutrição da Universidade da Califórnia em Davis.

A maior parte da gordura do chocolate é composta de ácido esteárico, um ácido gorduroso que não aumenta a taxa de colesterol, caso seja consumido com moderação, diz Keen.

De acordo com Keen, vários dos recentes estudos envolvendo o chocolate que tiveram resultados favoráveis foram financiados pela indústria de doces, da mesma forma que a indústria farmacêutica muitas vezes paga pelas pesquisas dos remédios que produz. "Mesmo assim, não há dúvidas de que os flavinóides presentes no chocolate são similares àqueles encontrados em frutas e verduras", diz Jeffrey Blumberg, especialista em nutrição da Universidade Tufts.

No entanto, nem tudo são boas novas com relação ao chocolate:

O chocolate pode se constituir em um alimento altamente gorduroso e calórico, especialmente quando consumido na forma de sorvetes enormes e cremosos.

Muitos dos chocolates que passam por um pesado processamento nas fábricas possuem pouco ou nenhum flavinóide.

O chocolate branco consiste apenas em manteiga de cacau, não possuindo nenhum dos flavinóides benéficos.

E embora seja derivado da semente do cacau, o chocolate está longe de possuir o valor nutritivo de frutas e verduras, no que diz respeito a fibras, vitaminas e sais minerais.

Os maias sabiam muita coisa sobre o poder do chocolate, segundo Louis Grivetti, especialista em história cultural dos alimentos da Universidade da Califórnia em Davis. Segundo Grivetti, os diários dos maias relatam como a cura pelo chocolate era utilizada para fazer com que pessoas seriamente desnutridas ganhassem peso.

"Eles perceberam que era possível ganhar peso consumindo o chocolate", diz Grivetti.

Os povos do México e da América Central registraram vários outros usos do chocolate. Eles diziam, por exemplo, que o chocolate deixava as pessoas alertas. De acordo com Grivetti, isso é um fato real, que se deve à substância semelhante à cafeína contida no chocolate.

Antes de 1830, o chocolate só era consumido na forma de bebida, e Montezuma sempre bebia um pouco dela antes de se deitar com suas mulheres. Esse fato pode ter gerado a reputação de que o chocolate seria um estimulante sexual - "o afrodisíaco entre as orelhas", diz Grivetti.

E, para muita gente, ele ainda é o alimento do amor.

"O chocolate é um alimento aprazível e hedonista, que acrescenta algo à alegria de viver", diz Blumberg - ainda que você tenha que ingerir três mil calorias para consumir a quantidade de ferro proporcionada por uma pílula diária. "Eu sequer pensaria em deixar de dar chocolates à minha mulher no Dia dos Namorados", diz ele. "Ela adora chocolate, e eu certamente vou lhe dar chocolates de presente".



Tradução: Danilo Fonseca

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