Disney ainda amarga prejuízos devido aos atentados de 11 de setembro

GENE SLOAN

USA TODAY

O "lugar mais feliz da Terra" atualmente não anda tão feliz - pelo menos para os responsáveis pela contabilidade.

Mais de cinco meses após os ataques mortíferos contra Nova York e Washington, a quantidade de pessoas que vai até o centro de diversões mais visitado da nação, a Disney Wolrld, na Flórida, continua pequena - tendo diminuído entre 10 e 15% com relação ao mesmo período do ano passado.

Os números - uma cortesia de Paul Pressler, diretor da divisão de parques temáticos da Disney, que relatou a situação da empresa aos ansiosos analistas de Wall Street esta semana, em Nova York - se constituem na mais recente indicação de que o esfriamento do turismo nacional, causado pelos ataques de setembro, pode demorar um pouco para sofrer uma reversão.

Embora a freqüência do público aos parques temáticos esteja aumentando gradualmente (ela caiu em 20% durante os últimos três meses de 2001), Pressler afirma que o ambiente atual continua "incrivelmente problemático", e isso não apenas porque a economia está enfraquecida. "A dimensão dramática dos cortes sofridos pelos serviços aéreos após os ataques de 11 de setembro também está causando dores de cabeça para a Disney, que historicamente sempre contou com as aeronaves para o transporte de cerca de 50% dos seus visitantes".

A declaração de Pressler confirma o consenso crescente entre os especialistas da indústria de viagens de que, logo após os ataques, os turistas norte-americanos estão dirigindo mais, ao invés de voar, além de estarem optando por ficar mais próximos às suas casas e gastar menos com viagens - uma tendência que, segundo alguns analistas, pode persistir por meses ou até pelos próximos anos. Em dezembro, 66% dos visitantes da Disney World vieram de carro, o que representa um aumento de 10% com relação ao ano passado. Além disso, uma proporção maior dos visitantes da Disney World é composta pela população local, afirmou Pressley, e os gastos per capita caíram em 10%.

Assim como várias outras destinações de viagem, os parques temáticos da Disney sofreram um impacto especialmente forte devido à redução abrupta do número de visitantes estrangeiros, que tradicionalmente respondem por 20% do total de visitantes dos parques da Flórida e 15% da Disneylândia, na Califórnia.

Ao todo, os lucros da divisão de parques da Disney, embora ainda sejam maiores do que o produto interno bruto de alguns países, despencaram em 17% no último trimestre, ficando em US$ 1,433 (R$ 3,48 bilhões).

O parque temático que é o maior rival da Disney, o Universal, também sofreu reveses nos últimos meses, apesar de não tanto quanto o concorrente. Embora os dirigentes não queiram comentar, uma fonte da companhia que é familiar com esses números afirma que a freqüência nos parques do Universal em Orlando sofreram uma redução equivalente à metade daquela enfrentada pela Disney. Já no parque da companhia na Califórnia, a redução de público foi de 25%.

É claro que para os turistas em férias essa queda representa um bom negócio. A Disney está oferecendo quartos em hotéis de categoria mediana, próximos aos parques, por até US$ 94 (R$ 228) - o que representa um desconto regular com relação aos preços tradicionais (que raramente recebem descontos).

Mas a fase problemática e os descontos não vão durar para sempre. Pressler observa que os três meses seguidos de aumento da confiança do consumidor assinalam, com base em uma tendência histórica, para um aumento da freqüência aos parques temáticos. A confiança dos consumidores aumentou em dezembro e em janeiro.

"Vou acompanhar bem de perto os números de 26 de fevereiro (o dia em que os dados sobre a confiança do consumidor são divulgados)", afirma Pressler.



Tradução: Danilo Fonseca

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