Países sedes de Olimpíadas de 2004 e 2006 se inspiram em Salt Lake City

MICHAEL HIESTAND

USA TODAY



SALT LAKE CITY - Para os organizadores das duas próximas Olimpíadas, Salt Lake City proporcionou uma oportunidade para se examinar os jogos com atenção antes de realiza-los em seus países.

Os organizadores das Olimpíadas de Verão de Atenas, em 2004, e das de Inverno, em Turim, Itália, em 2006, trouxeram equipes de mais de 80 pessoas. Ambos os grupos elogiaram os organizadores dos jogos de Salt Lake City. "Esses jogos foram muito bem organizados, muito positivos", afirma Spyros Capralos, diretor-executivo do Comitê Organizador de Atenas.

Valentino Castellani, presidente do comitê de Turim, diz, "Aprendemos muito com estes jogos, e os apreciamos bastante".

Embora o Comitê Olímpico Internacional não vá permitir que nenhuma das duas cidades acrescente ou elimine quaisquer dos esportes olímpicos, ambos os jogos serão disputados em cenários bem diferentes de Salt Lake City. Em Turim, com uma população de quase um milhão de habitantes, Castellani afirma que não existem tantos espaços amplos. Aqui, tudo parece exagerado, mas no bom sentido. Quer se goste ou não, aqui não existem estradas com cinco pistas.

E, embora Salt Lake City tenha transformado um parque de estacionamento no centro da cidade em uma praça de medalhas, Castellani afirma que, em Turim, uma praça construída há séculos está pronta faz muito tempo. "Não precisamos construir uma praça de medalhas. A História já a construiu para nós".

Em Atenas, a segurança já era uma grande preocupação, mesmo antes do 11 de setembro. Os terroristas na Grécia não possuem tradição de atacar turistas. Mas o governo norte-americano leva a ameaça tão a sério que afirma gastar mais para proteger os seus funcionários na Grécia do que em qualquer outro país. O chamado grupo terrorista 17 de Novembro, acusado de ter matado pelo menos 20 pessoas desde a década de 70, não teve nenhum dos seus membros detidos até hoje.

Capralos, um ex-investidor e banqueiro internacional, e jogador olímpico de pólo aquático em 1980 e 1984, afirma que a segurança é uma "prioridade máxima". Quem vai se encarregar da segurança são as autoridades governamentais, com um orçamento para ao setor da ordem de US$ 600 milhões (R$ 1,44 bilhão). Trinta oficiais de segurança gregos vieram a Salt Lake City para observar as precauções tomadas pelas autoridades norte-americanas.

Em 2004, Atenas contará com a orientação de especialistas em segurança de jogos passados e de outros países, incluindo os Estados Unidos. Capralos afirma que Salt Lake City demonstrou que os fãs são capazes de se adaptar às inconveniências geradas pelas rigorosas medidas de segurança. "No fim das contas, os espectadores desejam se sentir seguros - eles esquecem tudo o mais".

Castellani, de Turim, engenheiro elétrico e ex-prefeito da cidade, elogia a segurança de Salt Lake City por ter conseguido fazer com que "as pessoas se sentissem relaxadas e seguras ao mesmo tempo - o que não é uma tarefa fácil". E ele sugere que a segurança em Turim, também a cargo das autoridades governamentais, não seja uma questão tão premente em 2006: "Vamos torcer para que o mundo não esteja em estado de emergência, como agora".

Capralos transportou a tocha olímpica no dia em que ela foi usada para acender a pira olímpica de Salt Lake City. Ele pagou US$ 335 (R$ 802) pelo privilégio de levar o suporte da tocha para casa como lembrança. Agora ele vai ajudar a criar aquela que será a viagem da tocha olímpica mais elaborada até hoje. A tocha de Atenas de 2004, após o tradicional início do seu itinerário em Olímpia, levará seis meses para percorrer os cinco continentes, incluindo a primeira visita da tocha olímpica à África, antes da abertura dos jogos, em 13 de agosto de 2004. (Os gregos não estão preocupados com o potencial para o azar implícito na data. Eles só alimentam superstições quanto ao dia 13 quando este cai em uma terça-feira).

Capralos acha que foi "muito bom" o fato de os organizadores de Salt Lake City terem utilizado uma bandeira rasgada na abertura da cerimônia, apesar das críticas das autoridades olímpicas, que acusaram os norte-americanos de estarem apelando para uma mensagem nacionalista. Ao ser perguntado sobre a abertura de Atenas, Capralos diz apenas: "Não há nada que eu possa comentar a esse respeito no momento".

Quando Atenas foi escolhida para sediar os jogos, em 1997, cerca de 70% da sua infra-estrutura já havia sido construída, embora algumas construções precisem ser renovadas. Embora as autoridades do Comitê Olímpico Internacional tenham manifestado preocupações quanto ao progresso dos preparativos em Atenas, Capralos diz que "tudo está dentro do cronograma". As entradas começarão a ser vendidas em meados de 2003.

Atenas, em meio a um projeto de construção de infra-estrutura pré-olímpica, cujo custo pode chegar a US$ 4 bilhões (R$ 9,58 bilhões), se deparará com mais desafios logísticos do que Turim. As Olimpíadas de Verão são simplesmente maiores. Atenas deverá receber 10.500 atletas, contra os 2.500 de Torino.

Castellani diz que cerca de 40% das suas instalações precisarão ser construídas a partir da estaca zero, e o local da pista para o bobsled, o luge e o skeleton ainda não foi definido, devido à existência de traços potencialmente perigosos de amianto. Mas, sem denegrir Salt Lake City, ele diz que os pontos centrais de Torino já estão arrumados: "As cidades européias são, por natureza, locais onde as pessoas podem se reunir e fazer comemorações".

Os organizadores das Olimpíadas de Turim tiveram direito a seis minutos na cerimônia de encerramento. A sua parte na cerimônia incluiu um desfile de moda italiana e a apresentação de uma diva pop italiana cantando "Volare".

Atenas conta com alguns detalhes que são únicos. A sua maratona vai ter início na cidade de Maratona, onde surgiu a idéia da competição, devido a um soldado que correu 42 quilômetros para avisar os atenienses que os gregos haviam derrotado os persas.

A moderna Atenas será despojada de muitos dos seus enfeites atuais - painéis eletrônicos de propaganda e outdoors serão retirados - a fim de se enfatizar o passado remoto da cidade. Capralos diz que Atenas "será única", já que a Grécia inventou os jogos e os trouxe de volta à vida em 1896.



Tradução: Danilo Fonseca

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