Nova vacina contra a Aids parece ser segura e promissora

Steve Sternberg

Seattle, EUA -- Resultados dos primeiros testes com uma nova vacina contra a Aids demonstram não só que ela parece ser segura, mas que também gera uma forte imunidade ao vírus, segundo anunciou o chefe da equipe de pesquisa.

Além do mais, a vacina parece criar respostas imunológicas contra as três principais variedades do HIV. Isso sugere que, por exemplo, uma vacina que funcione bem na África e na Tailândia também apresente bons resultados nos Estados Unidos, segundo Emilio Emini, chefe de pesquisas que trabalha para os Laboratórios de Pesquisas da Merck, na Pennsylvania.

A pesquisa envolve duas abordagens para a tentativa de desenvolvimento de uma vacina. A primeira se baseia na utilização de uma dose inicial do chamado "DNA desnudo" -- um pequeno anel de DNA contendo um gene de HIV inócuo. A outra na introdução de uma pequena quantidade do vírus enfraquecido da gripe contendo o mesmo gene do HIV. O vírus da gripe, ou adenovírus, transporta o gene inócuo de HIV até as células sangüíneas humanas, onde ele alerta o sistema imunológico. Até o momento, 109 voluntários receberam somente aplicações de DNA desnudo, e 48 receberam apenas o adenovírus. Em dezembro, a Merck começou a injetar a combinação de DNA e adenovírus em alguns voluntários, mas os resultados desta experiência ainda não foram analisados.

Estudos mais amplos realizados com macacos demonstram que a combinação DNA-adenovírus é capaz de gerar uma grande quantidade de células matadoras T, as células sangüíneas conhecidas por destruir células infectadas com o HIV. Embora a vacina não tenha impedido que os macacos fossem infectados com o HIV, o medicamento experimental não deixou que eles morressem de Aids.

Emini anunciou as descobertas preliminares, em Seattle, na última terça-feira, durante a Nona Conferência Anual sobre Retrovírus.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, disse que os resultados "são notáveis até o momento", mas advertiu: "Ainda não sabemos ao certo se isso vai se traduzir em proteção real para os indivíduos".

David Ho, do Centro de Pesquisas da Aids Aaron Diamond, pediu que as pesquisas "sigam em frente à velocidade máxima".

Quando a dose injetável de adenovírus feita a partir da variedade norte-americana do HIV foi injetada em pacientes infectados com variedades do vírus que prevalecem na África e em outros locais, 77% dos indivíduos tiveram uma resposta imunológica.

Mas a vacina da Merck apresenta um calcanhar de Aquiles em potencial. Um número tão grande de pessoas já foi exposto ao adenovírus que os seus sistemas imunológicos tendem a destruí-lo antes que ele leve a sua carga genética até as células humanas. Mas os resultados sugerem que esse problema pode ser contornado através do acréscimo da dose injetada.

O Centro de Pesquisa de Vacinas do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas também prefere a abordagem DNA-adenovírus. Fauci afirma que a Merck e o Centro de Vacinas vão colaborar para a realização de testes em larga escala da vacina da Merck, quando a pesquisa atual for concluída. Segundo Emini, o teste, envolvendo 600 voluntários, começou em janeiro, e os resultados devem ser obtidos no ano que vem.

Tradução: Danilo Fonseca

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