Será que os jornais ainda podem ajudar a "educar" as crianças?

Al Neuharth

A semana que vem é a "Semana do Jornal na Educação", um evento iniciado em 1957 e patrocinado anualmente pela Associação de Jornais dos Estados Unidos.

O programa, destinado a promover a alfabetização e o aprendizado de crianças, é uma iniciativa de valor, mas, atualmente, ele não funciona tão bem quanto no passado. O motivo é que muitos editores e redatores de jornais abriram mão das crianças, deixando o material interessante para o público infantil a cargo da televisão.

Orphan Annie e Dick Tracy costumavam fisgar as crianças diariamente na página de histórias em quadrinho dos jornais. Depois, esses jovens leitores gradualmente adquiriam o hábito de ler a seção de esportes e outras partes do jornal interessantes para crianças.

Atualmente, vários quadrinhos não são realmente voltados para as crianças. Os adultos adoram estórias como Doonesbury, mas os meninos e meninas não sentem atração por esse tipo de leitura.

E o mais importante, o Nickleodeon, o Cartoon Network e outras redes de TV conquistaram inteiramente a garotada, especialmente entre as idades de dois a 12 anos. O segredo desse sucesso se deve, na maioria das vezes, à diversão e aos jogos. Mas a Nick News freqüentemente é muito badalada entre os pré-adolescentes curiosos por notícias.

Alguns jornais publicam páginas especiais dirigidas aos adolescentes. Mas essa iniciativa veio muito tarde. Atualmente, esse público já foi completamente conquistado pela televisão e pela Internet.

A fim de educar e entreter as crianças, os jornais têm que inserir publicações dirigidas a elas desde que são alfabetizadas.

Eis alguns dados que demonstram a magnitude do problema e as possibilidades existentes:

  • Há mais de 50 milhões de crianças entre dois e 12 anos nos Estados Unidos.

  • Elas assistem uma média diária de três horas e 22 minutos de programas na televisão.

    Se não forem estabelecidos certos limites para as crianças viciadas em TV, encontrando-se substitutos úteis, como a leitura, muitas delas vão ser no futuro cidadãos obesos, sedentários e analfabetos.

    A tiragem diária de jornais nos Estados Unidos caiu de 60,9 milhões de exemplares, 25 anos atrás, para 55,7 milhões, nos dias de hoje. Eles ainda contam com o potencial para liderar o processo de educação e alfabetização, caso invistam no futuro. E as crianças são o futuro.

    (Al Neuhart é fundador do USA TODAY)

    Tradução: Danilo Fonseca
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