Poluente atmosférico pode aumentar o risco de câncer do pulmão

Tracy Watson

Novas e sólidas evidências indicam que poluentes atmosféricos emitidos por usinas termoelétricas e veículos aumentam o risco de incidência de câncer do pulmão, segundo um estudo publicado na quarta-feira pelo Journal of the American Medical Association.

Porém, os cientistas se apressaram a explicar que o aumento no risco de câncer devido à inalação de partículas poluentes representa apenas uma pequena fração do perigo causado pelo cigarro. Mas as descobertas do estudo provavelmente farão parte das diretrizes da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, que determinam em quanto deve ser o nível nacional padrão para partículas finas, os poluentes mencionados pelo estudo.

A poluição por partículas é constituída por uma mistura complexa de milhares de micro fragmentos de fuligem e de gotículas minúsculas. Entre as maiores fontes de tal poluentes estão as usinas de geração de energia a partir da queima de carvão e os veículos automotores, especialmente aqueles movidos a diesel. O governo Bush está pensando em modificar as regras que regulamentam a expansão das usinas termoelétricas. Tal medida poderia resultar em um aumento das emissões.

Os cientistas elogiaram o estudo, mas disseram ser preciso que se façam mais pesquisas a fim de determinar se a correlação descoberta é real. Pesquisas anteriores sobre partículas poluentes foram polêmicas mas influentes. Um estudo de 1993 e um outro, publicado em 1995, que apontava a correlação entre poluição por partículas e a morte por doenças cardiovasculares, gerou ataques furiosos por parte de cientistas financiados pelas indústrias. Apesar das críticas, os estudos foram uma força motriz para a decisão tomada pela Agência de Proteção Ambiental, em 1997, no sentido de que fossem adotados critérios rígidos com relação à poluição atmosférica por partículas na nação.

A fim de estudar os efeitos da poluição por partículas sobre a saúde, o autor da pesquisa, Arden Pope, da Brigham Young University, em Utah, e a sua equipe de pesquisa, se basearam em um banco de dados composto de 1,2 milhão de indivíduos de todos os 50 estados norte-americanos. Os cientistas analisaram se os participantes haviam morrido -- e, caso fosse o caso, qual a causa mortis. O estudo foi conduzido de 1982 até 1998. Eles examinaram ainda a poluição por partículas nos locais onde os indivíduos moravam.

"Dentre os vários tipos de poluição atmosférica, há diferenças bastante substanciais quanto ao risco de mortalidade", disse Pope. "Este estudo ilustra que os nossos esforços para melhorar a qualidade do ar realmente trazem benefícios significativos".

Um funcionário da Agência de Proteção Ambiental disse que o estudo é muito interessante, acrescentando que ele aumenta a preocupação quanto ao efeito de partículas finas sobre a saúde humana.

Tradução: Danilo Fonseca

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