Incidência de gonorréia aumenta em grandes cidades americanas

Rita Rubin

Em 2000, o índice de infecção por gonorréia aumentou em 13 das 20 cidades que haviam sido mais atingidas por esta doença venérea no ano anterior, segundo dados divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças.

Embora o índice nacional de casos de gonorréia tenha se mantido estável de 1999 a 2000, "há certamente sinais de que certas doenças sexualmente transmissíveis continuam a apresentar riscos para a saúde nos Estados Unidos", afirma Ronald Valdiserri, vice-diretor do Centro Nacional de Prevenção do HIV, de Doenças Sexualmente Transmissíveis e de Tuberculose.

Em cinco das 20 cidades com maior incidência de gonorréia em 1999 -- Kansas City, Buffalo, Jacksonville, Detroit e Birmingham -- o índice de infecção pela doença aumentou em mais de 20% em 2000, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Nashville, com um aumento de 34,6% em 1999, passou para a lista das cidades com maior incidência de gonorréia em 2000.

"O nosso objetivo ao divulgar o que está ocorrendo nessas cidades não é sugerir que as autoridades locais de saúde não estejam tomando medidas para a prevenção da gonorréia", diz Valdiserri. Segundo ele, ao invés disso, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças quer enfatizar que a batalha contra as doenças sexualmente transmissíveis é travada principalmente no nível local. De acordo com Valdiserri, as autoridades de saúde pública daquelas cidades onde os índices de incidência de gonorréia crescem mais rapidamente precisam de mais apoio para reduzir as deficiências relativas ao diagnóstico e tratamento da doença.

"Existem também sinais encorajadores", diz Valdiserri. Em Atlanta, Chicago e Washington, D.C., as taxas de infecção despencaram em mais de 20% entre 1999 e 2000. Realmente, Chicago chegou a sair da lista de cidades com maior incidência de gonorréia em 2000. A taxa de infecção por sífilis também diminuiu em 15 das 20 cidades que tiveram os maiores índices de incidência desta doença em 1999.

Em um outro relatório apresentado na Conferência Nacional para a Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis, em San Diego, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças divulgou os primeiros dados nacionais sobre a incidência de infecção pelo vírus papiloma humano do tipo 16 (HPV-16) entre os homens gays ou bissexuais. Nas mulheres, o HPV-16 está associado à metade de todos os casos de câncer cervical, e a sua presença tem sido relacionada à incidência de câncer do ânus e do pênis nos homens.

Com base em uma amostra representativa de 83 homens que mantiveram relações sexuais com outros homens, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças concluiu que 38% dos homens gays e bissexuais dos Estados Unidos estão infectados com o HPV-16. Essa incidência é quase cinco vezes maior do que aquela entre os homens heterossexuais e o dobro da encontrada entre as mulheres.

A alta incidência de infecção causada pelo HPV-16 em homens que mantém relações sexuais com outros homens não chega a ser uma surpresa, segundo Valdiserri. Ele afirma que, desde o início da epidemia de HIV, os epidemiologistas perceberam um aumento no número de casos de câncer anal nessa população.

De acordo com Stuart Berman, chefe de epidemiologia e vigilância do setor de Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, ainda são necessárias mais pesquisas para o entendimento da conexão entre o HPV-16 e o câncer nos homens.

Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos