Os erros e as lições da Nasdaq

Matt Krantz

Dois anos atrás, uma das histórias de maior sucesso do mercado de ações chegou ao fim, quando o índice Nasdaq atingiu o pico de 5048,62 pontos.

O Nasdaq fechou em 1882 pontos na última quinta-feira -- o que representa cerca de um terço do seu valor máximo, atingido em 10 de março de 2000. Seria necessário um ganho anual ininterrupto de quase 65% apenas para compensar a perda ocorrida em dois anos.

E, embora muitos investidores achem que uma recuperação no setor de tecnologia esteja por vir, as dificuldades enfrentadas nessa área têm sido tremendas. Basta considerar o que ocorreu com os estoques que estavam no Nasdaq 100 durante o seu apogeu -- em uma época em que eles eram considerados a nata das grandes empresas não financeiras do Nasdaq:

- Onze ações perderam 90% ou mais do seu valor, incluindo algumas jóias do mercado tecnológico, como o Yahoo e a JDS Uniphase.

- Somente 21 ações apresentaram ganhos nos últimos dois anos, e 16 delas não são de empresas de tecnologia.

- Três delas entraram com pedidos de falência: a Excite At Home, a Global Crossing e a McLeodUSA.

- A Excite e a Global foram retiradas da lista -- assim como a XO Communications. A McLeodUSA não faz negócios na bolsa desde 31 de janeiro, quando as suas ações fecharam a apenas dezoito centavos de dólar.

Mas, junto com as perdas, houve também lições valiosas:

- Investidores agora sabem o quanto foi tolice falar de uma "Nova Economia", na qual o setor tecnológico não seria afetado pelas oscilações econômicas, afirma Bob Turner, funcionário de investimentos da Turner Investment Partners.

- Eles também aprenderam os perigos de se fazer investimentos precipitados. "Os investidores entraram em uma armadilha", conta Marc Klee, do fundo John Hancock Technology. "Você compra ações de tecnologia por uma razão: as ações estão subindo de preço".

- Os investidores superestimaram e interpretaram mal as empresas de telecom -- que foi o setor mais massacrado do Nasdaq, de acordo com Jeff Bernstein, da ING Funds.

A telecom é a área da tecnologia que passa por maiores apuros, dizem os analistas. Tanto a XO Communications quanto a Level 3 tiveram que tomar medidas drásticas para evitar a necessidade de entrar com pedidos de falência. Até as firmas telecom com "grandes cofrinhos de poupança" poderão se dar mal, à medida que a concorrência por fregueses fica a cada dia mais acirrada, afirma Zack Shafran, gerente da Waddel & Reed.

Ao invés disso, os analistas estão esperando que as ações de semicondutores e dos principais softwares façam com que o Nasdaq saia dessa situação, diz Shafran. Não pense, no entanto, que a destruição chegou ao fim. A indústria de telefonia celular, por exemplo, está se recuperando, mas os concorrentes mais fracos serão eliminados em um "processo doloroso", afirma Shafran.

E até mesmo aqueles investidores que pensam que uma recuperação do setor tecnológico esteja à vista , manifestam um "ceticismo saudável" após esses dois anos de sofrimentos. "Achamos que as coisas estão mudando... mas estamos de dedos cruzados", afirma Kevin Landis, chefe de investimentos da Firsthand Funds.

Tradução: Danilo Fonseca

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