Oscar de melhor atriz promete disputa acirrada entre três candidatas

Claudia Puig

Não haverá nenhuma equivalente a Julia Roberts na disputa para o Oscar de melhor atriz deste ano. E isso é um alívio para as cinco indicadas que sonham com a cobiçada estatueta dourada.

"Todos sabiam que Julia iria ganhar no ano passado", diz Halle Berry, indicada pela sua atuação no filme "A Última Ceia". "Mas, em determinados anos existe realmente uma disputa. Todas têm chance, e é isso que torna o processo divertido. Tudo pode acontecer".

Sissy Spacek foi considerada a favorita, já que conquistou alguns dos principais prêmios que antecedem o Oscar, por sua interpretação como mãe em luto em "Entre Quatro Paredes". Mas, à medida que o dia 19 de março se aproxima, quando será encerrada a votação para o Oscar, outras concorrentes também estão mostrando que têm chances.

"Não assumam que Sissy já ganhou a parada", adverte Tom O'Neil, autor do livro "Movie Awards". "O que estamos presenciando é uma disputa bastante acirrada entre Sissy, Halle Berry e Nicole Kidman".

Spacek é uma veterana do Oscar, ganhadora de um Globo de Ouro e a favorita sentimental. Já a performance intensa de Berry lhe valeu elogios da crítica e homenagens no Festival de Cinema de Berlim. Kidman, devido à sua atuação em "Moulin Rouge -- Amor em Vermelho", ganhou o Globo de Ouro e é admirada por ter emergido triunfalmente de um divórcio excessivamente público, conquistando o público com os seus talentos dramáticos e musicais.

As indicadas que parecem ter menos chance são Renee Zellweger e Judi Dench.

"Renee está em uma situação difícil, devido ao fato de a Academia desprezar as comédias", diz O'Neil, referindo-se ao trabalho da atriz no filme "O Diário de Bridget Jones". Já Dench, segundo os críticos, dificilmente ganhará, em parte porque o filme "Íris", no qual ela interpreta uma escritora que sofre de Alzheimer, não empolgou os membros da Academia. Contra ela há ainda o fato de ter 67 anos de idade e, embora tenha sido a única mulher com mais de 50 anos a receber um Oscar na década passada (como atriz coadjuvante em "Shakespeare Apaixonado"), a idade ainda é um obstáculo no clube do Oscar.

"Um estudo que englobou os últimos 25 anos provou que os indivíduos que votam para o Oscar têm horror a mulheres de idade", diz O'Neil. "Quando se trata de homens coroas, não há empecilho para a conquista da estatueta. Mas as mulheres têm de ser mais novas e, geralmente, mais sexy".

Isso pode atrapalhar também Spacek. Além disso, ela não faz parte do círculo interno de Hollywood, preferindo levar a vida na sua fazenda em Virgínia. Esse isolamento pode lhe custar votos.

"Ela não é uma esnobe anti-Hollywood, mas tão pouco faz parte das tribos do mundo cinematográfico", afirma Damien Bona, autor do livro "Inside Oscar 2". "Quem vê Nicole Kidman em um restaurante é tomado por uma empatia com a atriz".

E, ainda que nem todos esbarrem com ela no restaurante Spago, Kidman conquistou as pessoas com o seu papel amigável de cortesã e artista em "Moulin Rouge", com uma papel que é uma variação da prostituta dotada de um coração de ouro.

"Ela fez o papel de uma diva deslumbrante. Kidman protagonizou também a estória de Cinderela do ano em Hollywood, e os eleitores da Academia podem desejar criar o último toque de um final feliz nessa novela, deixando que ela dê uma lição em Tom Cruise no pódio do Oscar", diz O'Neil.

Mas Kidman pode perder caso o seu papel seja visto como superficial. Os papéis sérios e substanciais tradicionalmente atraem os eleitores da Academia.

E o personagem conturbado de Berry pode ser visto como mais consistente. Além disso, a sua indicação pode ter um significado extra por ela estar entre os três negros que concorrem ao Oscar (os outros são Denzel Washington e Will Smith).

"Essas indicações inspiram outras pessoas de cor", afirma Berry. "Quem vê Denzel ou Ângela Bassett fica pensando se um dia não pode estar na mesma posição".

No decorrer da sua carreira, Spacek já recebeu seis indicações (e ganhou em 1980, com "O Destino Mudou sua Vida"), e toda essa bagagem pesa bastante a seu favor. "Pelo fato de já ter ganho uma vez, não me sinto mal com a possibilidade de não levar o Oscar deste ano", diz ela. Embora a concorrência seja apertada, os indicados não a consideram acalorada.

"Encontrei recentemente com Nicole e nos demos muito bem. Estive com Sissy no Prêmio AFI e nossa relação foi ótima", conta Berry. "Renee me enviou flores. Estou trabalhando com Judi Dench (em "Bond 20") e sinto que entrei para o seu clube".

Zellweger tem uma posição similar. "Durante uma cerimônia de premiação, Sissy me deu toalhas de mão. Ela disse que as mãos costumam ficar suadas durante esse tipo de evento".

Kidman diz que não se importaria com uma repetição do que ocorreu em 1968, quando tanto Barbra Streisand quanto Katharine Hepburn ganharam. "Um empate seria realmente legal", diz ela.

Refletindo sobre o recente mau comportamento público de Russel Crowe, as atrizes dizem que esperam ser julgadas somente com base nos seus trabalhos, e não pelas suas vidas particulares. "Esse sensacionalismo alimentado pelos tablóides é exatamente como comida chinesa", diz Berry. "Você mastiga durante dois minutos e está faminto de novo. Não creio que esse tipo de fato fique armazenado por muito tempo na mente das pessoas".

Ela, faz uma pausa e diz, rindo: "Pensando bem, eu diria que, se uma de nós atirasse em alguém neste momento, não creio que teríamos chance alguma de levar o Oscar".

Tradução: Danilo Fonseca

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