Ações da velha economia obtêm melhor desempenho

Adam Shell

Nova York, EUA -- Você quer se passar por um guru do mercado de ações em uma festa?

Fique batendo papo na cozinha do anfitrião, e no momento em que uma multidão de convidados com uma taça de Chardonnay estiver ao alcance de sua voz, você aponta para a geladeira Maytag e diz: "Vocês acreditam que uma empresa antiquada como a Maytag agora tem uma das ações mais quentes de Wall Street?"

Ações de empresas como Maytag e Whirlpool, duas relíquias da velha economia, estão se saindo muito melhor do que neófitos da nova economia como a fabricante de equipamentos para telecomunicações Lucent Technologies e a fabricante de telefones móveis Nokia.

Há uma razão para tanto: estas empresas estão anunciando maiores lucros nos primeiros momentos da recuperação da economia. A divergência dificilmente seria observada durante o pregão de terça-feira.

Maytag, o terceiro maior fabricante de eletrodomésticos nos Estados Unidos, fez sucesso em Wall Street com a informação de que vendas intensas elevariam os lucros do primeiro trimestre em 50%, em comparação com o desempenho do ano anterior. Sua ação foi aquela que teve melhor desempenho no índice Standard & Poor's 500, e subiu 4,63%, alcançando o valor de US$ 45,30.

Em contraponto, a Lucent só encontrou más notícias no caminho. Em função de gastos reduzidos com equipamentos por parte de fregueses com orçamento limitado, a empresa não regressaria à lucratividade, segundo seus executivos, antes de 2003. As ações da Lucent caíram US$ 0,66 ou 10,5%, e terminaram cotadas a US$ 5,60.

Não se trata apenas de uma nova tendência. A Maytag subiu 41,3% nos últimos 30 dias. Lucent caiu 5,7%. "O fato de que a Maytag não tenha nenhuma história excitante para contar não implica que ela não seja um bom investimento", afirma John Forelli, gerente de fluxo da Independence Investment.

Além disso, no atual estágio do ciclo econômico, empresas que servem a consumidores que gastam muito dinheiro estão se saindo melhor do que empresas de tecnologia cujo público corporativo assolado por dívidas já reduziu as aquisições, segundo afirma Charles Pradilla, estrategista da SG Cowen.

Tomemos o caso da Whirlpool, que declarou no mês passado que superaria as projeções de lucro. As ações do maior fabricante de eletrodomésticos dos Estados Unidos subiram US$ 2,83 na terça-feira e chegaram a US$ 79,66. Em contraponto, as ações da Nokia caíram 6% após seu anúncio de queda nas vendas.

Mas o que impulsiona a valorização das ações de empresas que vendem bens duráveis ao público?

- Reabastecimento de estoques. Quando a economia começou a desacelerar, revendedores mais cautelosos passaram a fazer pedidos menores para novos fogões e geladeiras. Porém os consumidores continuaram a fazer compras, e por isso os estoques foram esvaziados. "Agora estes estoques precisam ser recuperados", afirma Forelli. Em contraponto, os estoques das empresas de tecnologia continuam cheios.

- Um sólido mercado imobiliário impulsionou a demanda por eletrodomésticos.

- De modo geral cotações não estão excessivamente elevadas, afirma o gerente de fundos Ron Muhlenkamp. Embora tenha atingido a maior alta das últimas 52 semanas, as ações da Whirlpool estão sendo negociadas a um valor 13 vezes superior aos seus rendimentos estimados em 2002, em contraponto a um P-E de 31 da Nokia.

"Títulos como os da Nokia", diz ele, "permanecerão sobrevalorizados em comparação a ações da Whirlpool até o dia em que a Whirlpool seja considerada atrativa e a Nokia não seja".

Tradução: André Medina Carone

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