Disputa pelo Oscar de melhor filme deve ficar entre três candidatos

Andy Seiler

A corrida pelo Oscar de melhor filme está tão apertada que a própria Academia pode não saber nas mãos de quem o prêmio vai parar.

Quem ousa prever alguma coisa geralmente inicia os seus palpites dizendo que, em algum ponto da corrida pelo Oscar deste ano, achara que um outro filme iria ganhar.

"Este é o ano de escolha do Oscar que nos tem deixado mais perplexos", afirma Damien Bona, autor do livro "Inside Oscar 2". "Muito mais do que em anos anteriores, desta vez ninguém pode afirmar simplesmente nada".

"Não havia tanto suspense quanto à escolha do melhor filme desde 1996, quando Apolo 13 perdeu para Coração Valente", afirma Tom O'Neil, autor de "Movie Awards".

Os executivos dos estúdios cinematográficos concordam.

"Estamos assistindo a uma corrida bastante dura, uma grande corrida", diz Russel Schwartz, presidente de marketing da New Line Cinema, que lançou O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. "Todos nós temos detratores e fãs".

Os próprios estúdios têm investido milhões de dólares em publicidade para promover os seus candidatos, em parte como conseqüência da disputa acirrada. Quando um Titanic domina inteiramente o cenário, como foi o caso em 1997, os outros estúdios não se sentem motivados a investir em publicidade. Mas os indicadores antecipados do Oscar estimularam os investimentos promocionais este ano: Uma Mente Brilhante foi premiado pela Associação dos Diretores, Moulin Rouge -- O Amor em Vermelho ganhou na Associação dos Produtores, e Assassinato em Gosford Park levou o prêmio máximo da Associação dos Atores de Cinema.

Tais resultados deixaram os observadores do circuito do Oscar embasbacados. Porém, atualmente, a maioria deles acredita que a disputa ficará restrita a três dos filmes indicados:

- Uma Mente Brilhante, a narrativa ficcionalizada da vida de um matemático esquizofrênico que ganhou o Prêmio Nobel ainda é tido geralmente como o favorito. (O Oscar Index do Usa Today, que utiliza um sistema de pontos para prever que filme conta com maior apoio, apontou Uma Mente Brilhante como sendo o favorito).

- Moulin Rouge -- O Amor em Vermelho, o musical incrivelmente estilizado com Nicole Kidman e Ewan McGregor.

- O Senhor dos Anéis, a primeira parte de uma trilogia épica que é a adaptação de uma obra literária altamente popular.

Filmes que, caso ganhassem, seriam uma grande surpresa, são: Assassinato em Gosford Park, do diretor Robert Altman, e Entre Quatro Paredes, um sombrio drama familiar, estreando Sissy Spacek.

"Uma Mente Brilhante parece ser o perfeito favorito ao Oscar", afirma O'Neil. "É um trabalho bem feito sobre um gênio real e incompreendido, que triunfa contra a adversidade. É Ghandi lutando contra a esquizofrenia, e não contra os indesejáveis britânicos".

Ainda assim, O'Neil acha que Moulin Rouge vai vencer, já que a fidelidade aos fatos em Uma Mente Brilhante vem sendo questionada. Segundo ele, da última vez em que o Oscar foi tão disputado, um outro filme de Ron Howard, Apollo 13, era tido como o favorito. O'Neil também compara o romântico Moulin Rouge a Shakespeare Apaixonado, que surpreendeu alguns especialistas no Oscar ao ter derrotado O Resgate do Soldado Ryan, em 1999.

A segunda aposta de O'Neil também não vai para Uma Mente Brilhante. Ele acredita que O Senhor dos Anéis possa vencer, ainda que os filmes de fantasia, incluindo Guerra nas Estrelas, tradicionalmente percam. "Ele é amado pelo público, admirado pelos críticos e se baseia em um clássico literário", afirma. "Esse lustre literário pode fazer com que os votantes se sintam livres para fazer vistas grossas aos dragões que soltam fogo pelas ventas".

Emanuel Levy, autor do livro "Oscar Fever", concorda que Uma Mente Brilhante perdeu um pouco do seu apelo, mas ele acredita que este filme e O Senhor dos Anéis, e não Moulin Rouge, sejam os favoritos para um virtual empate. Levy diz que a corrida vai ser tão apertada que ele desejaria que a Academy of Motion Picture Arts and Sciences divulgasse os números totais de votos (A Academia não fará tal coisa).

"Houve muita publicidade a respeito do 'bad boy' Russel Crowe", diz Levy, "e persistentes editoriais sobre a sexualidade e as colocações anti-semitas de John Nash, fatos que foram omitidos do roteiro. Deve-se lembrar que a Academia é altamente judaica".

Ele acrescenta: "O Senhor dos Anéis têm adquirido força desde a sua indicação. A indústria cinematográfica ama e respeita o escopo e a ambição desse filme, que recebeu bons comentários da crítica e foi um enorme sucesso de bilheteria".

Além disso, O Senhor dos Anéis, baseado na obra popular de J.R.R. Tolkien, não tem contra si acusações diretas. "É difícil de se criticar a falta de 'fidelidade aos fatos' da Terra Média. Um outro ponto que ajuda o filme é o fato de o autor já ter morrido".

Por outro lado, Bona acredita que a Universal Pictures conseguiu administrar de forma efetiva a controvérsia quanto a Uma Mente Brilhante, que descambou para acusações de que o filme estaria sendo vítima de uma campanha de sabotagem. Ele afirma que Uma Mente Brilhante vai ganhar.

"Eu creio que a indignação expressa pela Universal, quer tenha sido sincera ou calculada, provavelmente atingiu o seu objetivo".

No entanto, Bona diz que nenhum resultado o deixaria espantado. Depois de Uma Mente Brilhante e O Senhor dos Anéis, ele acredita que Assassinato em Gosford Park é o filme que tem mais chances. "Não consigo imaginar Moulin Rouge ganhando o Oscar de melhor filme", diz ele. As pessoas tendem a amar ou odiar o filme, e tal cenário dividido será um obstáculo difícil de ser superado. "Uma vitória de Moulin Rouge significaria que o vencedor de 2001 teria sido o filme mais desprezado na história a ganhar o prêmio máximo da Academia".

Tradução: Danilo Fonseca

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