Novas técnicas prometem revolucionar o tratamento de obstruções coronarianas

Steve Sternberg

Atlanta, EUA -- No domingo passado, pesquisadores anunciaram que atingiram um "marco potencial" na área de tratamento de doenças cardíacas, ao terem conseguido manter as artérias de pacientes completamente abertas e desimpedidas, dois anos após a realização de angioplastia.

Embora o estudo em questão seja relativamente modestoo, envolvendo apenas 30 pacientes, os resultados foram notáveis. Artérias que estavam 61% obstruídas antes de angioplastia continuaram livres de obstruções dois anos após a intervenção, segundo José Eduardo Sousa, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.

A angioplastia é algo equivalente a desobstruir um cano entupido, sendo realizada por meio de uma sonda dotada de um pequeno balão na extremidade, que é inflado no local da obstrução, eliminando assim a necessidade de uma cirurgia séria para a colocação de pontes de safena. Mas a técnica vinha sendo objeto de complicações, devido ao crescimento de novos tecidos no interior das artérias, um fenômeno que ocorre em 40% dos pacientes. A fixação da artéria dilatada com um cilindro feito de uma rede metálica, denominado stent, faz com que esse índice caia para 25%, o dobro do apresentado pelos pacientes que recebem pontes de safena.

O problema, denominado restenose, é o calcanhar de Aquiles da angioplastia. Os médicos tentaram eliminar o problema com o uso de medicamentos e radiação, mas nenhuma tentativa conseguiu diminuir a lacuna entre a angioplastia e a cirurgia de pontes de safena. Cerca de oito tipos diferentes de stents estão passando no momento por testes clínicos. Alguns são mais estreitos e outros são revestidos com várias drogas.

Sousa testou stents revestidos com uma variedade da droga sirolimus de liberação lenta, que combate a inflamação e o crescimento dos tecidos indesejados. Desde o início dos estudos, há dois anos, nenhum paciente morreu, e todas as artérias tratadas permaneceram desobstruídas.

Uma segunda equipe de pesquisas, chefiada por Jean Fajadet, do Thoraxcenter, em Roterdã, na Holanda, testou a angioplastia e o stent revestido de sirolimus em 238 pacientes: 120 receberam o stent revestido com sirolismus e 118 o stent comum.

Após um ano, nenhum dos pacientes tratados com stents revestidos com sirolimus tiveram novas obstruções ou necessitaram de repetir a angioplastia, comparados aos 26% dos que receberam o stent comum, que tiveram problemas posteriores, segundo anunciou Fajadet ao American College of Cardiology.

Os resultados também foram impressionantes para os diabéticos, não tendo havido nenhuma nova obstrução entre aqueles que receberam os stents revestidos, contra 42% de reincidência entre o grupo que recebeu os stents comuns.

Segundo os médicos, o stent revestido poderá ser aprovado pelo governo em 2003.

Sidney Smith, da Universidade da Carolina do Norte, afirma que o stent revestido representará uma "potencial revolução", caso as descobertas sejam consistentes com estudos de maior dimensão. "Eu nunca tinha visto uma técnica que tivesse um índice nulo de restenose. Parece bom demais para ser verdade", diz Smith.

Em outra pesquisa da Clínica Cleveland, Albert Chan afirmou que a administração de drogas controladoras do colesterol antes da angioplastia e da colocação do stent fez com que o índice de mortes fosse reduzido em um terço. O estudo envolveu cinco mil pacientes. Vinte e sete por cento deles tomaram a medicação antes de serem submetidos à angioplastia e à colocação do stent.

Tradução: Danilo Fonseca

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