Estudo aponta custódia conjunta como a melhor opção para filhos de divorciados

Karen S. Peterson

Filhos de pais divorciados tendem a sofrer menos sob um regime de custódia conjunta -- seja física ou legal -- do que aqueles que só interagem com um dos pais, revelou um estudo recente de grande abrangência.

As crianças que vivem em regime de custódia conjunta possuem menos problemas comportamentais e emocionais, tendo maior auto-estima, melhores relações familiares e desempenho escolar mais elevado do que aquelas crianças que ficam sob a custódia de apenas um dos pais, geralmente a mãe, é o que afirma o relatório publicado na edição de março do Journal of Family Psychology, editado pela Associação Psicológica Norte-Americana.

"Isso não significa que aqueles indivíduos em custódia única sejam clinicamente mal-ajustados ou que precisem de algum tipo de terapia", afirma o pesquisador e psicólogo Robert Bauserman, do Departamento de Saúde e Higiene Mental de Maryland. "O que o estudo indica é apenas que, na média, eles não se saem tão bem".

Essas recentes descobertas são as últimas novidades no seio de uma polêmica em andamento sobre qual seria o melhor arranjo para crianças filhas de pais divorciados. Essa meta-análise, ou estudo científico de vários trabalhos, apóia solidamente a idéia de que ambos os genitores dividam todos os aspectos da vida da criança, contanto que ambos sejam pais responsáveis.

O estudo define custódia conjunta como sendo custódia física, na qual a criança passa uma parte do seu tempo com cada um dos pais, ou custódia legal compartilhada, na qual a criança mora com um dos pais, mas ambos dividem as decisões referentes ao filho. Segundo os especialistas, isso mantém o pai envolvido, o que ajuda a criança a se ajustar ao divórcio.

Bauserman examinou 33 estudos que analisaram 1.846 casos de custódia única, e 814 casos de custódia conjunta, bem como crianças que viviam com 251 famílias intactas tradicionais.

Ele descobriu que a maior parte dos estudos demonstra que as crianças vivendo sob regime de custódia conjunta estão virtualmente tão bem ajustadas quanto aquelas que vivem em famílias tradicionais, "provavelmente porque a custódia conjunta dá à criança uma oportunidade de ter contato com ambos os genitores".

Tais descobertas contradizem os especialistas que acreditam que a custódia conjunta abala a estabilidade da vida de uma criança, já que ela oscilaria entre os dois genitores. Tais especialistas alegam ainda que a custódia conjunta seria prejudicial porque deixaria as crianças expostas às brigas sem fim entre os pais.

Mas Bauserman especula que, ao contrário dessa visão, os pais que contêm a sua raiva no momento do divórcio podem manter uma relação produtiva no regime de custódia conjunta.

Eles são capazes de continuar sendo pais conjuntamente, sem uma grande carga de rancor, segundo Bauserman. São os pais com custódia única que exibem níveis altos e persistentes de conflito sobre decisões a respeito dos filhos com os seus ex-parceiros.

Quase todos os Estados norte-americanos oferecem uma opção de custódia conjunta, diz Bauserman, embora muitos juízes ainda favoreçam a custódia maternal e se oponham à custódia física conjunta.

Alan Booth, sociólogo e pesquisador da Pennsylvania State University, afirma que a pesquisa de Bauserman é sólida. "Isso é muito consistente com o que temos descoberto. Se os casais forem capazes de cooperar na custódia conjunta, seria de se esperar que as crianças se beneficiassem disso", afirma Booth.

Embora a custódia conjunta possa parecer uma boa medida, ela não significa que os pais deixarão automaticamente de entrar em conflito, adverte Lynne Gold-Bikin, ex-diretora da Seção de Direito Familiar da Associação Norte-Americana de Advocacia. "É óbvio que as crianças se sairão bem caso os pais continuem a cuidar bem dos filhos após o divórcio", diz ela. "Mas estamos falando sobre pais que, quando eram casados, não conseguiam concordar sequer quanto ao creme dental utilizado. Por que então eles se dariam bem após o divórcio?".

Tradução: Danilo Fonseca

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