Gene pode indicar quem deve passar por terapia de reposição hormonal

Rita Rubin

Em um estudo divulgado nesta semana, cientistas identificaram uma variação genética comum que parece prever quais são as mulheres na menoupausa que têm mais probabilidade de experimentar um aumento no nível do "bom colesterol", caso passem a tomar hormônios.

Entre as mulheres que fazem terapia hormonal, aquelas que possuem tal variação -- que se acredita que ocorra em uma em cada cinco mulheres -- tiveram um aumento de 25% nos níveis de lipoproteína de alta densidade, ou HDL, comparados a apenas 12% entre as demais mulheres.

Não se sabe se tal benefício se traduz em um risco reduzido de ataques de coração e derrames. Mas os autores dizem que o seu estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, sugere que pode ser possível utilizar o exame genético para ajudar na seleção de candidatas mais compatíveis com a terapia de reposição hormonal, ou TRH.

Essa descoberta intrigante surge em meio a uma evidência crescente de que os hormônios não protegem a mulher comum contra ataques cardíacos e derrames.

Durante anos, os médicos têm dito às mulheres que a TRH protegeria os seus sistemas cardiovasculares. Vários dos chamados estudos observacionais, que se focalizam mais nas mulheres que decidem por si próprias se vão tomar hormônios, demonstraram de forma consistente que aquelas que fazem TRH vivem mais e têm menos ataques cardíacos.

Mas os pesquisadores nunca conseguiram ter certeza de que havia algum outro fator além do TRH, tal como maior nível educacional, que poderia ser responsável por uma saúde melhor da paciente. A maior parte dos cientistas pensava que somente testes nos quais as mulheres recebiam hormônios ou placebos de forma aleatória poderiam responder a tal pergunta.

Um dos primeiros estudos foi o teste de Reposição de Estrogênio e Arterioesclerose (REA), que envolveu 309 mulheres na fase de pós-menopausa com doenças coronárias, aleatoriamente escolhidas. Assim como outros testes aleatórios, o estudo concluiu em 2000 que não havia benefícios advindos da TRH para as doenças das coronárias.

Muitos cientistas se perguntavam se haveria subgrupos de mulheres mais ou menos propensas a se beneficiar dos hormônios pós-menopausa do que a população em geral.

O autor David Herrington, cardiologista da Escola de Medicina da Wake Forest University em Winston-Salem, Carolina do Norte, descobriu a variação genética ligada ao bom colesterol ao analisar o DNA de mulheres no estudo da REA.

Jacques Rossouw, no Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue, diretor da Women's Health Initiative, um teste massivo e aleatório da TRH, disse que as descobertas "se constituem em um interessante primeiro passo".

"Tal fato não precisa ser confirmado por outros estudos mais amplos", disse ele.

Em um editorial que acompanhava o trabalho, Ronald Krauss, da Universidade da Califórnia em Berkeley, observou que a disponibilidade de outras drogas efetivas para a prevenção e o tratamento de doenças cardíacas, tais como a statins, "pode tornar óbvia a necessidade de se lidar com as complexidades da TRH em muitas mulheres".

Tradução: Danilo Fonseca

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