Estudos associam câncer de mama a excesso de peso

Kathleen Fackelmann



Três novos estudos sugerem que as mulheres com excesso de peso, ou que engordam muito durante a gravidez, correm um risco maior de sofrerem de câncer de mama.

Os novos estudos, apresentados no dia 09 de abril em São Francisco, durante o encontro da Associação Norte-Americana para a Pesquisa do Câncer, podem auxiliar os cientistas a elaborar novas maneiras de prevenção dessa doença letal, que mata cerca de 40 mil mulheres norte-americanas anualmente.

No primeiro estudo, Leena Hilakivi-Clarke, da Universidade Georgetown, em Washington, D.C., e suas colegas pesquisadoras, descobriram que mulheres que ganharam mais de 17 quilos durante a gravidez correm um risco 40% maior de sofrerem de câncer de mama após a menopausa.

Mulheres que engordam durante a gravidez podem correr mais risco porque possuem altos índices do hormônio feminino estrogênio no sangue, diz Clarke. Segundo ela, os altos níveis de estrogênio durante a gravidez podem estimular o crescimento anormal das células da mama " que décadas mais tarde podem se transformar em um câncer.

A fim de reduzir os riscos do câncer da mama, Clarke afirma que as mulheres deveriam manter o seu aumento de peso durante a gravidez dentro da faixa recomendada, que fica entre 11 e 15,7 quilos.

Dois outros estudos apresentados na reunião podem também ajudar a explicar a ligação entre gordura corporal e câncer da mama. Entre as descobertas, estão as seguintes:

Mulheres com altos níveis sanguíneos de C-peptídeo, uma substância que indica resistência a insulina, também correm um risco maior de desenvolverem câncer de mama. A resistência à insulina, uma patologia que faz com que o corpo tenha problemas para processar o açúcar, acomete com mais freqüência as pessoas que estão acima do peso, afirma a autora do estudo, Célia Byrne, da Escola de Medicina da Universidade de Harvard, em Boston. Mulheres que são resistentes à insulina produzem um excesso da substância, o que, segundo a pesquisadora, pode estimular o surgimento do câncer de mama.

Estudos feitos em tubos de ensaio demonstram que a leptina, uma proteína que ajuda a regular a gordura corporal, pode fazer com que as células de câncer do seio se dividam rapidamente. Mulheres com excesso de peso possuem altos níveis de leptina circulando em sua corrente sanguínea, segundo a autora do estudo, Margot Cleary, da Universidade de Minnesota. Ela diz que o excesso de leptina pode estimular o surgimento de câncer de mama.

Os cientistas ainda precisam descobrir como a leptina, a insulina e o estrogênio influem no risco de uma mulher desenvolver câncer da mama, afirma Joyce O'Shaughnessy, especialista em câncer do Centro de Câncer Baylor-Sammons, em Dallas. Mesmo assim, parece claro que a obesidade epidêmica que prevalece nos Estados Unidos pode estar estimulando os altos índices de câncer do seio. "Nós simplesmente comemos demais", diz ela.

As mulheres devem prestar atenção a sua dieta, incluindo o tamanho das porções, afirma a especialista. Além disso, elas devem adicionar mais atividade física à sua rotina diária, diz O'Shaughnessy. Algo tão simples como uma rápida caminhada três ou quatro vezes por semana pode ajudar a controlar o peso " diminuindo o risco de câncer de mama, diz ela.



Tradução: Danilo Fonseca

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