Presença norte-americana pode ser necessária para paz duradoura no Oriente Médio

Jon Frandsen



WASHINGTON - Qualquer acordo duradouro de paz entre israelenses e palestinos - uma possibilidade que parece remota neste momento em que a violência só faz aumentar - provavelmente exigiria algum tipo de presença dos Estados Unidos na região.

O secretário de Estado, Colin Powell repetiu na quarta-feira (10) que o presidente Bush está aberto à possibilidade de fornecer um pequeno grupo de observadores norte-americanos desarmados para ajudar a implementar um cessar-fogo. Mas ele frisou que tal grupo não seria capaz de "evitar que as partes beligerantes atirassem umas contra as outras".

Nas últimas semanas surgiram muitas propostas ousadas, oriundas de grupos externos ao círculo do governo, incluindo aquela segundo a qual os Estados Unidos liderariam uma força multinacional de paz, armada, como parte de um amplo acordo de paz. Mas, até o momento, a administração e a maioria dos membros do Congresso tem desprezado a idéia, afirmando que o primeiro passo é implementar novamente as conversações entre as partes em conflito.

"Essas idéias são prematuras, até que tenhamos um acordo e um arranjo que nos dê algum motivo para instaurar e ajudar a manter a paz", afirmou o senador Chuck Hagel, republicano de Nebraska, um dos principais republicanos membros do Comitê de Relações Exteriores do Senado.

Mas Hagel também disse que "alguma força externa" provavelmente se fará necessária para garantir o cumprimento de qualquer acordo de paz.

"Ambos os lados vão querer indicações de que as ações que venham a tomar a fim de implementar a paz contem com uma certa garantia. Portanto, precisamos ser flexíveis e manter todas as possibilidades em aberto, a medida em que trilhamos o caminho deste processo", disse ele.

Ivo Daalder, especialista em política externa da Brookings Institution, propôs em um artigo publicado na imprensa que Bush convidasse o primeiro-ministro Ariel Sharon, o líder palestino Iasser Arafat e os líderes dos países árabes para uma conferência de paz governada por alguns princípios - incluindo a promessa de que houvesse uma força militar liderada pelos Estados Unidos para garantir o cumprimento de qualquer acordo.

Embora os Estados Unidos muitas vezes sejam avessos a assumir a liderança de tais forças militares e freqüentemente pressionem os seus aliados para desempenhar tal papel, Daalder afirmou que somente uma força liderada pelos norte-americanos seria aceitável para os israelenses e palestinos.

Ele também criticou a proposta de Powell quanto à utilização de observadores desarmados para um cessar-fogo. Ele disse que isso poderia ter funcionado antes de a situação ter se desenrolado de forma tão dramática, mas que, no momento, tal noção é "ingênua".

"Está comprovado que o governo norte-americano não gostou das mudanças fundamentais ocorridas no conflito nas duas últimas semanas... Israel não vai confiar de jeito algum em observadores desarmados", afirma Daalder.

Daalder, de maneira semelhante a Powell, afirma que um cessar-fogo por si só - algo que outros emissários fracassaram em implementar - provavelmente seria uma meta irreal e impossível de se fazer cumprir. Isso faria com que tais observadores se tornassem irrelevantes.

Laura Drake, especialista em Oriente Médio da American University, em Washington D.C., diz duvidar que os israelenses aceitariam qualquer força militar nos territórios ocupados, fossem elas norte-americanas ou não.

"Israel não confia em outras potências para garantir os seus interesses. Para os israelenses, tudo o que países externos fariam seria limitar a sua liberdade de ação militar", afirma Drake.

Pequisas de opinião indicam que a população norte-americana se opõe frontalmente ao envio de tropas do seu país para a região. Daalder diz acreditar que um presidente Bush comprometido com tal causa poderia convencer a opinião pública, mas ele duvida que Bush desejasse dar um passo nesse sentido.

"Será que tal cenário seria provável no atual governo? Não. Mas temos que nos lembrar que uma missão como a que Powell está realizando neste momento também parecia improvável", afirma Daalder.

"Acredito firmemente que, caso atingíssemos um acordo de paz, poderíamos convencer o público norte-americano de que essa seria a coisa certa a se fazer", disse ele.



Tradução: Danilo Fonseca

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