Negociações no Oriente Médio envolvem três líderes com filosofias diferentes

BARBARA SLAVIN

USA TODAY



JERUSALÉM - Trata-se de uma batalha entre as vontades de três homens que já usaram o título de "general", mas que têm pouco mais em comum, exceto os papéis fundamentais que estão desempenhando no drama do Oriente Médio.

A forma como o secretário de Estado Colin Powell, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon e o líder palestino, Iasser Arafat interagirem, quando se reunirem neste final de semana, poderá determinar a quantidade de sangue que será derramada nesta região conturbada. Powell deverá se encontrar com Sharon hoje (12), e com Arafat no sábado.

Powell, de 65 anos, se constitui em uma história norte-americana de sucesso. Um afro-americano de origens modestas que se tornou comandante da Junta de Chefes do Estado Maior, um herói da Guerra do Golfo de 1991 e um candidato presidencial.

Ele é um otimista por natureza. Quinta-feira, em Madrid, antes de se dirigir para cá para aquilo que muitos consideram como uma "Missão Impossível", ele disse aos repórteres que está "orgulhoso e agradecido" pela oportunidade de vir. "Não gosto de me alinhar com os pessimistas", disse ele.

Mas o otimismo de Powell pode não ser o bastante para superar os ódios e a desconfiança que moldaram Arafat e Sharon.

Nascido no Cairo, Arafat sobreviveu manobrando entre os Estados árabes e, ultimamente, recorreu ao Irã, país muçulmano não árabe, para conseguir armamentos. Aqueles que já negociaram com ele dizem que o líder palestino pode ser enlouquecedoramente evasivo. Quando é submetido a pressão, ele tende a se alterar.

Sharon participou de cinco guerras e vê Israel como um país engajado em uma luta pela sobrevivência.

Nicholas Veliotes, que foi secretário assistente de Estado em 1981, diz que Sharon, então ministro da Defesa de Israel, se recusou a se engajar com seriedade em conversações sobre uma auto-determinação palestina. "Toda vez em que nos sentamos, perguntamos a Sharon quais seriam as áreas que Israel desejaria reservar para fins militares. Sharon desconversava e nunca nos respondia", conta Veliotes.

Muitos analistas afirmam acreditar que Sharon está enganando a administração Bush quando às suas reais intenções, além de tentar fazer agora o que não conseguiu em 1982, durante a invasão israelense do Líbano: destruir a liderança palestina e impor a sua própria solução para a revolta dos palestinos.

E Arafat está determinado a impedir que tal fato ocorra.

Embora vários palestinos não apreciem os seus métodos administrativos secretos e ditatoriais - e o presidente Bush tenha dito abertamente que não confia nele - Arafat está sendo reabilitado tanto domesticamente quanto no exterior pela invasão e ocupação da Cisjordânia, realizada sob o comando de Sharon.

"Arafat é o endereço para o qual todas as negociações devem convergir", disse no Cairo o ministro do Exterior egípcio, Ahmed Maher, na última terça-feira. Powell concordou com relutância.

Powell se encontrou pela primeira vez com Arafat no Jardim Rosado da Casa Branca, em 1993.

Arafat e Itzhak Rabin , então primeiro-ministro israelense, deram um aperto de mãos, e assinaram um acordo que deveria levar à criação de um Estado palestino e garantir segurança para Israel. À época, Powell era o comandante da Junta de Chefes do Estado Maior.

Powell afirma não se lembrar de quando conheceu Sharon, mas acredita que foi durante a administração Reagan.

Os seus encontros passados com ambos foram frustrantes.

Reunindo-se com Arafat, em junho, Powell fez eco ao apelo do líder palestino para que monitores independentes observassem o cumprimento de um cessar-fogo, que Arafat prometeu implementar. Poucas horas mais tarde, em Jerusalém, Sharon rejeitou a idéia de monitores independentes, fazendo com que um Powell ressabiado retirasse o que havia dito.

Sharon também vetou uma rápida implementação de um plano de paz elaborado pelo ex-senador George Mitchell, que previa a interrupção da expansão de assentamentos judeus na Cisjordânia e em Gaza. Nove meses depois, em face a uma violência bem mais intensa, Powell está revivendo ambas as idéias. Mas ele pode ter tomado essa iniciativa muito tarde.



Tradução: Danilo Fonseca

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