Aumenta a intensidade das críticas a George W. Bush

Judy Keen e Richard Benetto
USA Today

AFP
George W. Bush
A unidade nacional protegeu o presidente Bush das críticas após os ataques terroristas de 11 de setembro, mas essa sua imunidade está diminuindo.

Bush está sofrendo ataques de alguns amigos, de inimigos e de especialistas, devido à forma como está conduzindo o processo político na crise do Oriente Médio, à resposta confusa do governo norte-americano ao golpe na Venezuela, e à rejeição por parte do Congresso de algumas das prioridades domésticas do presidente, tais como a votação, na semana passada, contra a perfuração de poços de petróleo em uma reserva do Alasca.

Na segunda-feira, Bush viajou para as montanhas Adirondack, no norte do Estado de Nova York, a fim de fazer um discurso em comemoração ao Dia da Terra. "Temos um dever para com este país no sentido de garantir que a nossa terra seja preservada, que o nosso ar seja puro, que os nossos parques sejam acessíveis, abertos e bem preservados", disse Bush. Os democratas, incluindo alguns que pensam em enfrenta-lo nas eleições de 2004, estavam prontos para responder.

- "Por que eles estão retrocedendo o relógio para o meio ambiente, quando os norte-americanos querem seguir à frente?", perguntou o ex-vice-presidente Al Gore em um discurso feito em Nashville.

- O senador por Connecticut, Joe Lieberman, disse que Bush "sucumbiu" aos lobistas quando reverteu uma campanha que prometera regular as emissões de gás carbônico.

- O senador por Massachusetts, John Kerry, disse à câmara de comércio de Haverhill, Massachusetts, que Bush "finge ser possível atingir a independência energética furando poços de petróleo, e o meio ambiente que se dane".

No mesmo dia, o líder da maioria no Senado, Tom Daschle, afirmou que as políticas de Bush para o Oriente Médio são ineficazes, em um discurso perante o Comitê de Assuntos Públicos israelense-americanos. "A iniciativa de Bush para aumentar o envolvimento dos Estados Unidos na região é boa para os Estados Unidos e para Israel", afirmou Daschle. "Mas o compromisso por si só não vai funcionar".

Os democratas lançaram os seus atuais ataques a Bush neste mês, em uma reunião na Flórida.

Os republicanos conservadores, que reclamaram sem alarido contra as decisões de Bush em assinar uma legislação de financiamento de campanha e para impor tarifas sobre a importação de aço, expressaram ao público o seu assombro com o que eles acreditaram ser uma crítica do presidente a Israel.

Charlie Black, um veterano estrategista do partido republicano que assessora a Casa Branca, afirma que os ataques não são episódios comuns de política. "Com a proximidade das eleições de novembro, os democratas só têm coisas ruins para dizer sobre o presidente", afirma.

John Podesta, chefe de assessoria do presidente Clinton, diz, "O povo norte-americano certamente está esperando uma discussão vigorosa sobre as política e as prioridades de Bush". Qualquer aliado de Bush que tenha pensado que as críticas seriam contidas até o fim da guerra estariam "vivendo em um mundo de fantasias".

Mas a crítica também pode transformar aquele que a expressa em um alvo, conforme alguns democratas descobriram antes da guerra contra o terrorismo. No último mês de julho, Daschle atacou a política externa de Bush, no dia em que o presidente estava partindo para uma viagem ao exterior. Daschle foi acusado pelos republicanos de violar o código não oficial que repudia as críticas a um presidente, feitas enquanto ele está viajando no exterior, ainda que alguns republicanos tenham feito o mesmo com presidentes democratas que estavam no estrangeiro.

Os assessores de Bush dizem que não estão particularmente preocupados. Mas a decisão de Bush em lembrar o Dia da Terra, prometendo fazer mais para proteger o meio ambiente, foi um sinal de que ele e os seus assistentes enxergaram uma vulnerabilidade potencial nos assuntos domésticos que são um dos tradicionais pontos fortes dos democratas.

O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleisher, rebateu as críticas de Gore. "Creio que isso tem mais a ver com a postura interna democrata presidencial do que com qualquer avaliação séria do passado do presidente", diz ele.

Perguntado a respeito do que pensa dos críticos das eleições presidenciais de 2000, Bush disse, "Não prestei atenção neles". A seguir, os jornalistas lembraram que Gore dissera que Bush não tinha um histórico de atuação quanto à questão do meio ambiente. "Foi por isso que não lhe dei atenção", retrucou o presidente.

Os assessores de Bush estão preocupados com as críticas vindas dos companheiros do Partido Republicano, mas afirmam que aquelas feitas pelos democratas poderiam funcionar como um bumerangue, caso os norte-americanos concluíssem que as suas reclamações fossem infundadas.

O estrategista republicano, Scott Reed, afirma que a Casa Branca não tem que se preocupar com a critica dos republicanos, contanto que ela venha "da ala não eleita e auto-proclamada do Partido Republicano" e não dos legisladores. Além disso, as pesquisas demonstram que nove entre cada dez eleitores republicanos aprovam a performance de Bush.

"Os democratas estão sem leme, sem assunto e sem liderança", critica Reed. "Não há nada quanto a que ficar nervoso".



Tradução: Danilo Fonseca

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