Visual não convencional á cada vez mais procurado pelas noivas

Olivia Baker
USA Today

AFP
Vestido de noiva exibido no desfile de moda Pasarela Gaudi 2001, em Barcelona
Nos dias de hoje não é a noiva que cora. É o rabino, o padre, o pastor, a família e os amigos que se sentam atrás dela.

E isso porque os vestidos de casamento possuem cortes e decotes que expõe as pernas e as costas, fazendo com que a noiva fique parecendo uma dançarina de um "strip show" de Las Vegas.

As recatadas noivas de outrora, aquelas com vestes de princesas, não aparecem mais no altar. Várias noivas de maio típicas estão dando lugar a outras que usam vestidos com decotes até o umbigo, barras extremamente curtas e cortes tão cavados nas costas que chegam até as nádegas.

Em uma época na qual qualquer pretensão de pureza desceu pelo ralo, a imagem da "noiva sexy" não é mais paradoxal. Enquanto isso, os tradicionalistas reclamam de que o exibicionismo estaria maculando o cerne da instituição do casamento.

Os especialistas em assuntos matrimoniais dizem que a tendência começou quatro anos atrás, quando Cindy Crawford disse "Aceito" para Rande Gerger, na praia, usando um vestido justíssimo. Desde então, surgiu uma indústria de bastidores para atender às necessidades das mulheres que não se sentem confortáveis com o tradicional vestido de casamento (leia-se, "vestido virginal").

Academias de ginástica, spas e treinadores pessoais estão se especializando em esculpir as futuras noivas. Entre as revistas e livros que as noivas pós-modernas estão procurando está "Buff Brides" ("Noivas Atentas"), da editora Villard, que custa US$ 15,95 (cerca de R$ 37,70), um manual sobre o casamento.

Uma revista famosa, a Elegant Bride, deixou de lado todos os fru-frus de tom pastel e se reinventou para a próxima estação como um guia de modas, completo com ensaios mostrando noivas de olhos enfumaçados em confecções transparentes, se enroscando languidamente em homens de tórax desnudo.

A Sol Bride, uma butique de Denver, dedicada a lingeries para a noite de núpcias, recentemente fez uma campanha nacional com um catálogo de mais de 40 páginas exibindo calcinhas minúsculas e bustiês, assim como conjuntos completos de moda íntima feminina.

Os grandes estilistas, que acabaram de realizar uma semana de shows de moda para noivas em Nova York, estão deixando pouco espaço para novos ensaios de imaginação no que se refere à lua-de-mel.

Basta ver o sarongue de Reem Acra e a combinação de biquínis. Ou então os seus espartilhos. Há ainda os vestidos de sarja, de cor creme, sem alças e com detalhes na tonalidade ouro. "Trata-se de ser sexy, mas, ainda assim, de forma sofisticada, o que é altamente sutil", diz ela.

De fato, há um limite tênue entre o sedutor e o absurdo. Vera Wang, cujas recentes coleções incluem uma mini-saia Twiggy e um vestido de sereia, chama a sua criação de "sensual, feminina, esotérica, mas nunca obviamente sexy".

A nova moda tem se mostrado muito influente pois tanto as noivas mais velhas quanto as jovens podem se beneficiar dela.

"Acho que um número maior de mulheres pode agora se transformar em sereias", afirma a editora da Elegant Bride, Deborah Moses. As noivas mais velhas podem "ir até o guarda-roupas e sair vestidas com as suas fantasias de infância", como, por exemplo, ser a Cinderela do baile. Essa fantasia amadureceu. "O dia do casamento está mais para o dia do Oscar. Trata-se de uma performance onde você é a estrela".

Por outro lado, noivas jovens e conscientes quanto ao corpo e ao estilo do vestuário, que vinham dançando em vestidos tradicionais há tanto tempo, não podem se imaginar andando rumo ao altar em algo que pareça exigir uma coroa e uma varinha de condão.

"Todos esses vestidos cheios de pregas, apesar de muito bonitos, fazem com que as garotas acabem parecendo fadas madrinhas", afirma Adrienne Bavar, de 27 anos, que faz publicidade para a Acra. Para o seu casamento em novembro do ano passado, em Baltimore, Bavar usou um vestido muito justo, inspirado nas estrelas de cinema da década de vinte. "Eu quis ficar o mais sexy possível. Senti que aquele era o meu momento".

"É triste, ninguém se preocupar com a aparência do noivo", afirma Sue Fleming, autora de 'Buff Brides'. Barriga? Não há problema. Uma cinta dá um jeito nesse estorvo". As noivas, por outro lado, pagam entre US$ 65 a US$ 100 (algo entre R$ 154 e R$ 236) por hora, até quatro horas por semana, para receber ajuda para a aquisição de tônus muscular nos ombros e braços, particularmente na região exposta e balançante dos tríceps", diz ela.

Uma das suas clientes de Manhattan, Jenniffer Harris, chegou a planejar colocar um peso entre 2,5 e 4 quilos no seu buquê, durante as suas núpcias em setembro. "À medida em que você o levanta, os seus braços realmente se fortalecem", afirma Harris, de 31 anos, que trabalha com publicidade.

Um decote cavado em uma festa no quintal é uma coisa. Mas em uma igreja ou templo, o significado é outro. Algumas religiões exigem que os ombros, e até mesmo o braço inteiro, fiquem cobertos. Em outros santuários, os sacerdotes "não apreciam a idéia, mas não impedem a noiva de usar aquilo que quiser", afirma o planejadora de casamentos de Nova York, Claudia Hanlin.

É uma questão de propriedade. "Vi umas poucas noivas que disseram, 'Quero deixar as costas um pouco à mostra", afirma Yvone Impson, consultora de noivas da House of Fashion, em Sacramento. "Portanto, puxei a gola da minha blusa para baixo para mostrar-lhes o efeito. Elas fecharam os olhos e desistiram. O problema é que elas não conseguem visualizar realmente aquilo que estão querendo". Não obstante, a loja oferece um vestido de Monique Lhuillier, apelidado de "o vestido de J. Lo", que exibe todas as costas, até abaixo da linha da cintura.

Impson afirma que permite que as suas clientes deixem à mostra bastante pele, "caso seja isso o que elas realmente queiram, mas este é um momento para se gerar outras emoções no noivo, como, por exemplo, compromisso. A luxúria é muito fácil".


Tradução: Danilo Fonseca

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