Comer chocolate é considerado como fator de risco no trânsito

James R. Healey
USA Today

Uma inocente barra de chocolate pode ser tão perigosa quanto o excesso de velocidade em uma auto-estrada.

O chocolate mela tudo o que um motorista toca. A reação instintiva é limpar imediatamente a sujeira, o que tira a atenção da estrada. E daí - bang! - mais um acidente causado pelo consumo de alimentos em veículos.

É por isso que o chocolate está na lista dos dez alimentos mais perigosos a serem consumidos ao se dirigir, segundo o resultado de uma pesquisa feita por uma companhia de seguros que tentava reduzir os prejuízos com acidentes de trânsito relacionados a alimentos.

A Hagerty Classic Insurance, uma tradicional seguradora de automóveis de Michigan, ficou interessada nesse tipo de acidente no ano passado, após um processo contra danos. "Quando examinamos o caso, descobrimos que a carteira do motorista fazia uma restrição à presença de comida ao seu alcance enquanto estivesse", afirma o presidente da companhia, McKeel Hagerty. O homem já estivera envolvido em uma série de acidentes devido ao consumo de alimentos ao volante. "Essa foi a restrição mais estranha que já vi", afirma Hagerty.

Esse caso, além dos processos de indenizações por danos ao interior de carros de colecionadores, fez com que Hagerty aprofundasse as suas pesquisas. "Ficamos impressionados ao constatar como os alimentos podem ser perigosos ao volante", diz o presidente da seguradora.

O problema maior não é o consumo dos alimentos, mas o fato de derrama-los no interior do veículo. E os dados obtidos por Hagerty demonstram que a maior parte dos acidentes motivados por alimentos acontece pela manhã. Motoristas que se dirigem para o trabalho se preocupam com a possibilidade de usar roupas manchadas de comida durante o dia todo, de forma que tentam urgentemente limpar a sujeira, e acabam se acidentando, afirma Hagerty.

O café quente é uma armadilha perigosa, que queima os motoristas e distrai a sua atenção. É o alimento mais perigoso da lista, especialmente quando o frasco não traz uma tampa.

Segundo Hagerty, os dados são da Administração Nacional de Segurança de Tráfego nas Estradas, da Rede de Funcionários de Segurança de Tráfego e dos registros de seguros pagos pela companhia. Os pesquisadores procuraram avaliar o grau de dificuldade para se consumir cada alimento com uma mão enquanto se dirige o veículo com a outra, além de determinar a velocidade com que os motoristas reagem em caso de derramamento de alimentos ou bebidas.

"Sabemos que comer ao volante é um grande problema, mas temos que ser cautelosos para não rotularmos os alimentos como os grandes vilões dos acidentes automobilísticos", adverte Michael Goodman, diretor de uma pesquisa de comportamento de motoristas conduzida pela Associação Nacional de Segurança de Tráfego nas Estradas. "É bem mais fácil para um investigador identificar a comida como sendo a causa de um acidente, já que a evidência está espalhada por toda parte".

No caso de telefones celulares e outras distrações, os especialistas dizem que muitas vezes não há evidências.

Os vendedores de "fast-food" estão prestando atenção a esses fatos. Mais alimentos comprados para serem consumidos no próprio automóvel têm sido embalados de forma a se encaixar nos recipientes apropriados nos veículos. E os produtos foram modificados para melhorar aquilo que a porta-voz do Taco Bell, Laurie Gannon, chama de "portabilidade". A sua cadeia de "fast-food" adotou "fatias de queijo mais grossas, tortilhas mais crocantes e embalagens mais seguras".



Tradução: Danilo Fonseca

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