No Afeganistão, americanos iniciam reconstrução de base aérea que deve durar anos

Andrea Stone
USA Today
Na Base Aérea de Bagram, Afeganistão

Quase seis meses após as forças armadas norte-americanas terem assumido o controle da decrépita ex-base aérea soviética de Bargam para, a partir daqui, dirigir a guerra no Afeganistão, uma atividade frenética de construção sugere que os militares estão se preparando para passar uma boa temporada no local.

Por enquanto, a base tem a aparência de um acampamento temporário, com cercas reforçadas de arame-farpado, bunkers de sacos de areia e muros sujos. Mas os engenheiros do Exército e construtoras civis estão trabalhando a todo vapor para transformar a base bombardeada em um posto habitável para as tropas norte-americanas e de outros aliados ocidentais, capaz de durar anos, caso seja necessário.

Entre as melhorias: um centro de comando construído em madeira, uma pista mais extensa, um centro de logística feito em concreto, alojamentos de madeira, uma usina de geração de energia elétrica e uma rede de esgoto.

"Estamos construindo um quartel para 2.500 soldados que deve durar até dezembro de 2004", afirma o capitão do Exército Kevin Lovell, gritando para se fazer ouvir, em meio ao barulho de serras elétricas e marteladas causado pelo trabalho dos soldados que constroem o centro de comando em um hangar do aeroporto. Lovell, o engenheiro que supervisiona 150 soldados do 92º Batalhão de Engenharia, de Fort Stewart, Geórgia, acrescenta: "Estamos ainda longe do fim das obras".

Segundo o tenente-coronel James Green, engenheiro da reserva do Exército, o plano-mestre para Bagram não prevê novas obras por 18 meses após o término da reforma.

O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, que visitou a região no fim de semana, disse que a campanha dos Estados Unidos contra os membros do regime Taleban, que foi derrubado do poder, e contra os integrantes da rede Al Qaeda, que ainda estão escondidos, ainda está distante do seu término. "Precisamos continuar exercendo pressão sobre essa gente, de forma que eles não tentem retomar o país, o que certamente gostariam de fazer", afirmou o secretário.

Apesar de toda a infra-estrutura construída para 4 mil soldados ocidentais na região, oficiais de alta patente dizem que não têm a menor intenção de permanecer no Afeganistão por muitos anos.

O major Bryan Hilferty, um porta-voz do Exército, diz que a melhoria da pista de pouso e dos alojamentos da base aérea vai um dia ser passado para o controle da "força aérea afegã", uma instituição que, até o momento, não possui uma aeronave sequer. Quando ao centro de comando, ele diz: "É uma construção de madeira. Nada de permanente".

"Estamos apenas fazendo melhorias no complexo", diz ele. "Não temos nenhum plano para fazer uma base permanente neste local".

Os trabalhadores civis contratados pelo governo para criar redes de telefonia e de computação dizem esperar ficar por aqui por pelo menos um ou dois anos. E alguns analistas militares dizem que a presença norte americana na região pode durar até cinco anos. Esse é o tempo de duração de muitos dos projetos de construção que estão sendo implementados.


Alguns exemplos:


- Centro de comando. Os soldados estão trabalhando 24 horas por dia, utilizando poderosos holofotes para iluminar as obras à noite, a fim de terminar até a segunda semana de maio a construção deste centro nervoso das operações no Afeganistão; um complexo de 36 metros de comprimento por 24 de largura. Hilferty afirma que a construção de US$ 350 mil (cerca de R$ 826 mil) tem como objetivo aliviar as condições de vida nos atuais alojamentos, que são "infernalmente quentes e estão incrivelmente lotados". "Eles nos disseram para construir algo que durasse cinco anos", afirma o soldado do Exército, James Parker, carpinteiro de Fort Stewart.

- Reparos na pista de pouso. Os soldados esperam terminar a reforma na pista de 2.800 metros por volta de julho. Construída no final da década de 50, ela já serviu de base de operações para caças soviéticos MiG, cujas fuselagens e turbinas enferrujadas estão atualmente espalhadas por toda parte.

- Alojamentos permanentes. Os soldados recentemente fizeram as fundações de concreto para um centro de logística e estão reformando pelo menos oito alojamentos já existentes para servir como local de trabalho e dormitório.

Após os soviéticos terem deixado o Afeganistão em 1989, depois de uma década de ocupação, os afegãos retiraram do complexo tudo que pudesse ser aproveitado, afirma Lovell. Mas tarde, quando Bagran se transformou na linha divisória entre o Taleban e as forças da Aliança do Norte - apoiadas pelos Estados Unidos - no ano passado, quase toda estrutura da base foi bombardeada. "Não havia mais janelas, portas, fios ou interruptores", conta Lovell.

- Locais de lazer para os soldados. As condições de vida em Bagram são primitivas quando comparadas àquelas das bases da Força Aérea no Golfo Pérsico, que contam com restaurantes da Pizza Hut, quadras de vôlei, bares a céu aberto, barracas com ar-condicionado e colchões de mola.

Escavadeiras mecânicas recentemente começaram a preparar uma área para a construção de um piso de concreto que vai servir de base para um complexo recreativo dotado de TV a satélite, vídeo-games, conexões com a Internet e máquinas de fazer pipoca. Ao lado ficarão estacionados trailers que contarão com chuveiros e privadas com descarga ligadas a uma rede de esgoto. Eles vão substituir os chuveiros e vasos sanitários portáteis.

Em maio, os soldados começarão a trabalhar em um destroçado complexo de madeira que será transformado em cozinha. Atualmente os soldados comem alimentos pré-cozidos e em conserva. Dentro de três meses, as barracas dos soldados serão substituídas por trailers pré-fabricados de compensado, dotados de ar-condicionado.

- Energia. Até o momento as instalações elétricas são precárias. Mas os engenheiros estão empenhados na construção de uma estação geradora que logo estará fornecendo eletricidade suficiente para alimentar uma pequena cidade.



Tradução: Danilo Fonseca

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