Serviços de inteligência avisam que Internet está repleta de alvos para terroristas

Tom Squitieri
Usa Today
Em Washington (EUA)

O governo e redes privadas de computadores estão se defrontando com novas ameaças de ataques terroristas, que variam desde tentativas de levar uma grande cidade ao caos, até a interferência com os setores financeiro, de transporte e de serviços públicos dos Estados Unidos. Mas indivíduos que têm conhecimento dos relatórios nacionais dos serviços de inteligência afirmam que muito pouco tem sido feito para proteger o país contra um ciber-ataque.

Algumas das ameaças partem de indivíduos que podem ter conexões com a rede de Osama Bin Laden no Paquistão ou em outros países, segundo as autoridades que tomaram conhecimento dos relatórios de inteligência.

Em parte devido a ameaças específicas, no dia 18 de abril houve uma reunião de oficiais de inteligência e de autoridades do setor de tecnologias de informação, a fim de discutir a proteção das redes nacionais de computadores.

"A ameaça está aumentando", afirmou o senador Jon Kyl, republicano do Arizona. "E é uma grande ameaça, já que é fácil de ser concretizada e pode causar grandes danos".

O Congresso está tentando reduzir o perigo. Parlamentares propuseram uma legislação para a criação de uma "equipe de ciber-segurança", a fim de identificar as áreas mais vulneráveis a ataques e determinar como reduzir o perigo.

Uma outra legislação tornaria mais fácil para as empresas compartilhar informação sem que fossem alvo de leis anti-truste e de liberdade de informação. Tal comunicação poderia alertar o governo para um ataque terrorista, ao contrário de casos mais comuns, onde hackers assinalam uma companhia ou agência. A medida também poderia auxiliar as empresas a se defender contra ataques.

A ampla gama de alvos potenciais e a inexistência de salvaguardas adequadas têm feito com que a tarefa de enfrentar a ameaça seja muito difícil. Entre os mais recentes alvos discutidos pelos terroristas, segundo os indivíduos que tiveram acesso às reuniões e aos relatórios da comunidade de inteligência, estão os seguintes:

- O Centro de Controle e Prevenção de Doenças, com sede em Atlanta. O órgão tem a incumbência de elaborar as respostas da nação contra ataques potenciais envolvendo agentes de guerra biológica.

- O rede financeira do país, que poderia travar o fluxo de dados bancários. O foco do ataque seria o FedWire, o sistema de liberação de movimentação monetária, mantido pelo Federal Reserve Board (o banco central dos Estados Unidos).

- Sistemas de computadores que operam estações de tratamento de água, que poderiam contaminar os reservatórios de água potável.

- Redes de computadores que operam as redes de distribuição de energia e as represas de usinas hidroelétricas.

- O maior número possível de alvos em uma grande cidade. Los Angeles e São Francisco foram mencionados pelos terroristas, segundo relato das autoridades.

- Instalações que controlam o fluxo de informações através da Internet. Richard Clarke, assessor especial de ciber-segurança da Casa Branca, afirma que tais instalações, cujo número total é algo entre 20 e 25, "só são seguras devido ao desconhecimento público quanto às suas localizações".

- A rede de comunicações do país, incluindo as telefônicas e os centros de chamada para serviços de emergência.

- Controle de tráfego aéreo, de ferrovias e dos sistemas de transporte público.

A maior preocupação das autoridades é de que um ciber-ataque seja desfechado conjuntamente com um ataque terrorista convencional, tal como aqueles de 11 de setembro, prejudicando os trabalhos de busca e salvamento.

"O ciber-terrorismo representa uma ameaça concreta e crescente para a segurança norte-americana", adverte a deputada Jane Harman, democrata da Califórnia, e principal representante do Partido Democrata na comissão sobre terrorismo e segurança da pátria do Comitê de Inteligência da Câmara. "O que temo é a execução de um ciber-ataque coordenado com atos terroristas mais tradicionais, prejudicando a nossa capacidade de responder a uma catástrofe quando vidas estiverem em perigo".

A administração Bush está buscando conseguir cerca de US$ 4,5 bilhões (R$ 10,8 bilhões) no seu pedido de orçamento de 2003, a fim de proteger os sistemas federais de computadores. Isso representa aproximadamente 8% do orçamento total para tecnologias de informação.

No início deste ano, Clarke avisou aos congressistas que a ameaça de um ciber-ataque era maior do que se imaginava anteriormente. Segundo ele, pode demorar entre três a quatro anos para que o governo melhore substancialmente a sua capacidade para se prevenir contra tais ataques.

Bem antes de 11 de setembro, autoridades fizeram advertências sobre a vulnerabilidade dos Estados Unidos a ciber-ataques. O Pentágono e várias grandes empresas foram vítimas de ataques limitados. Hackers que se autodenominaram "O Dueto Enganador" infiltraram recentemente os computadores do Pentágono e deixaram uma mensagem indicando que as invasões foram realizadas para demonstrar "o quanto a nossa ciber-segurança é realmente patética".

Em 2001, os ciber-ataques causaram um prejuízo de US$ 12 bilhões (R$ 28,9 bilhões) em danos e perdas econômicas.

Tais ataques tiveram sucesso em penetrar nos sistemas de segurança de um aeroporto de Massachusetts e de uma usina hidroelétrica no Arizona, causando interrupção nos serviços de ambas as instalações, não tendo havido, entretanto, perdas de vidas ou danos de longo prazo.

"O principal mito existente quanto a esses ataques é a crença em que ninguém é realmente capaz de modificar a operação de um sistema físico através de computadores", adverte Alan Paller, diretor do System Administration, Networking and Security Institute, que ensina aos indivíduos como proteger sistemas de computadores. "Já houve gente que demonstrou como isso pode ser feito".

Tradução: Danilo Fonseca

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