Extremistas islâmicos tentam fomentar revolta contra presença dos EUA no Paquistão

Chris Woodyard
USA Today
Em Peshawar (Paquistão)

Partidos extremistas islâmicos espalharam boatos sobre uma suposta presença de tropas americanas no interior tribal do Paquistão, na esperança de gerar um movimento antiamericano no país.

"Queremos promover manifestação contra as operações militares nas terras tribais", diz Maulana Fazlur Rehman, clérigo fundamentalista feroz e líder do partido islâmico Jamiat-e-Ulema.

O partido de Rehman planeja promover um protesto contra os EUA em Mardan, cidade nos limites das terras tribais no noroeste do Paquistão. A manifestação será a mais recente em uma série de denúncias públicas de partidos islâmicos, que objetam ao apoio do presidente Pervez Musharraf à campanha militar americana no Afeganistão.

Musharraf conseguiu abafar os críticos islâmicos de linha dura desde o início da guerra, no último outono. Ele prendeu chefes de partidos religiosos, restringiu protestos e retratou os fundamentalistas como fora de sintonia com a sociedade.

Autoridades paquistanesas prenderam cerca de 300 militantes islâmicos, suspeitos de envolvimento no ataque suicida de quarta-feira, que matou 14 pessoas, inclusive 11 engenheiros franceses, em Karachi.

O papel de Musharraf ficou mais difícil com a chegada de forças americanas nas regiões tribais. As tropas estão caçando membros da Al Qaeda, fugidos do Afeganistão. A presença de americanos nas zonas tribais do Paquistão é extremamente delicada para muitos aqui. Conscientes disso, as autoridades americanas e paquistanesas foram propositalmente vagas sobre o tamanho da força americana na região e qual sua missão exata.

A fronteira é proibida aos repórteres estrangeiros, mas jornais paquistaneses dizem tem havido protestos nas tribos desde 26 de abril. Essa foi a data em que nove soldados de operações especiais americanos se uniram a tropas paquistanesas em uma batida na aldeia fronteiriça de Miram Shah. Os americanos foram vistos revistando uma mesquita e escola religiosa, carregando rifles com sistema de pontaria a laser.

Alguns paquistaneses ficaram revoltados com as notícias de que soldados americanos não removeram suas botas antes de entrar na mesquita, como fariam os fiéis.

Os protestos "não são racionais", diz o major Rashid Qureshi, porta-voz de Musharraf. "São interesses velados em incitar as tribos".

Qureshi diz que as tropas paquistanesas estão trabalhando junto aos membros das tribos para desfazer tensões. Segundo ele, há menos de 12 soldados americanos em terras tribais, todos especialistas de inteligência e comunicação.

Sher Muhammad, ancião da tribo Masuzai, diz que testemunhou duas manifestações recentes contra os EUA em regiões da fronteira. As forças americanas não deveriam ter permissão para entrar na área, diz ele. "Gostaríamos de dizer (aos americanos) que não há nada para eles aqui".

As regiões montanhosas tribais são feudais, com governo próprio, fora do controle direto do governo central do Paquistão. O governo tem negociado cuidadosamente com anciões tribais para ter maior acesso e cooperação nas zonas de fronteira.

A região da fronteira é habitada por pashtuns, mesma origem étnica dos líderes depostos do regime do Taleban. Muitos nas tribos estão armados, suspeitam de estrangeiros e são simpáticos ao Taleban e à Al Qaeda.

Tradução: Deborah Weinberg

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