Casos de câncer devem duplicar nos próximos 50 anos

Robert Davis
USA Today

O número de indivíduos diagnosticados anualmente com câncer deve dobrar nos próximos 50 anos, segundo um estudo recente.

Mais de 1,3 milhão de pessoas vão descobrir neste ano que sofrem da doença. Por volta de 2050, caso a tendência continue sendo a mesma, 2,6 milhões de indivíduos terão um diagnóstico de câncer.

A taxa de mortalidade causada pelo câncer está, na verdade, em queda -- uma diminuição de cerca de 1% ao ano no decorrer da década de 90 --, mas a incidência da doença continua a subir, tendo aumentando em 9% durante o período.

O motivo para isso é que a predisposição para o câncer aumenta com a idade. Com o número de fumantes diminuindo, especialmente entre os homens, o maior fator de risco para o desenvolvimento de tumores malignos é a idade avançada.

Segundo dados atuais, entre os indivíduos com mais de 75 anos, um entre cada 50 homens e uma entre cada 100 mulheres morre de câncer.

Os avanços da medicina e hábitos de vida mais saudáveis devem fazer com que um número de pessoas cada vez maior viva além dos 75 anos. Vários dos indivíduos que hoje em dia tem entre 30 e 40 anos vão ultrapassar os 80 anos.

"O número de pacientes com câncer com mais de 84 anos de idade deve quadruplicar neste mesmo período", afirma Holly Wowe, da Associação Central Norte-Americana de Registros de Câncer. Ela é uma das autoras do "Relatório Anual à Nação sobre a Situação do Câncer", que foi publicado na edição de terça-feira do jornal especializado "Cancer".

As projeções geram novas questões quanto aos mais de US$ 5,2 bilhões investidos anualmente na guerra contra o câncer, e que resultou em apenas uma pequena redução da taxa de mortalidade causada pela doença. De 1990 a 1999, o índice de mortes por câncer diminuiu em 6%. A metade do montante investido na luta contra o câncer é originária da arrecadação fiscal.

"Os números vão subir, mesmo que estejamos a fazer progressos", afirma Brenda K. Edwards, do Instituto Nacional do Câncer, e principal autora do estudo. "A questão é realmente a seguinte: dado um certo limite dos recursos disponíveis, como vamos alocá-los?".

Ela afirma que a comunidade médica deve trabalhar para estar mais bem preparada para enfrentar a mortandade que vai atingir os pacientes de câncer idosos. Entre as áreas que, segundo os autores, necessitam ser mais bem estudadas, estão as seguintes:

Limitações físicas dos idosos: como a sua fragilidade afeta o tratamento do câncer.

Especificidade do tratamento dos pacientes idosos, desde a definição dos especialistas necessários dentro do sistema médico, até os tipos de apoio que as famílias precisam dispensar aos seus entes queridos em suas casas.

Outras doenças: como outras doenças, tais como as cardiopatias, afetam o tratamento do câncer. Atualmente, um número relativamente pequeno de estudos do câncer se concentra nos pacientes idosos.

"Precisamos concentrar as nossas atenções na maneira de tratar os pacientes de câncer idosos", afirma Edwards. "A idade média de um paciente clínico comum é dez vezes menor do que a do paciente médio de câncer".

Mas os dados divulgados no estudo, que examinou o câncer de 1973 a 2000, demonstram que, de forma geral, os pacientes de câncer idosos possuem defesas tão eficientes contra a doença como a de outros indivíduos.

"A chance de se sobreviver à doença é mais influenciada pelo tipo de câncer e a época em que ele é diagnosticado, do que pela idade do paciente", afirma Edwards.

Tradução: Danilo Fonseca

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