Pesquisadores relacionam desenvolvimento com diabetes

Anita Manning
USA Today
Em Washington (EUA)

Mais de 17 milhões de norte-americanos sofrem de diabetes, e caso o número de pacientes continue a aumentar, os Estados Unidos poderão ter cerca de 30 milhões de habitantes padecendo desta doença crônica, e por vezes fatal, por volta de 2050.

"O diabetes é um efeito colateral da prosperidade mundial", afirma Christopher Saudek, diretor do centro de diabetes da Universidade Johns Hopkins. "Todo país cuja população sofre aumento de peso vai passar por um aumento na incidência de casos de diabetes".

Entre os dados relativos à doença, estão os seguintes:

- Diferenças quanto às complicações de longo prazo entre os grupos étnicos podem estar mais ligadas à susceptibilidade genética do que ao acesso a um tratamento médico de qualidade, afirmam pesquisadores do Hospital Kaiser Permanente.

Uma análise de 62.432 diabéticos que passaram pelo Hospital Kaiser Permantente demonstrou que os pacientes brancos têm taxas mais altas de ataques cardíacos do que os negros, asiáticos e latinos, enquanto que as minorias padecem mais do que os brancos de doenças renais. As taxas de congestões cardíacas e derrames são similares para negros e brancos, sendo mais baixas entre asiáticos e latinos.

A incidência de amputações de membros é similar entre negros, brancos e latinos, mas, em se tratando dos asiáticos, a taxa dessa intervenção cirúrgica é 60% menor do que entre os brancos.

As disparidades sugerem que as complicações possuem "variáveis genéticas", segundo o pesquisador Joe Selby, do Hospital Kaiser Permanente.

- As crianças diabéticas têm maior propensão de sofrer de perigosas alterações da taxa de açúcar no sangue caso tenham planos de saúde precários, tenham sofrido alterações erráticas na taxa de açúcar no sangue durante os últimos três meses, ou sejam portadoras de distúrbios psiquiátricos que poderiam fazer com que deixassem de receber as doses necessárias de insulina.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Colorado examinou 1.243 diabéticos com menos de 20 anos de idade, analisando uma alta incidência de açúcar no sangue, chamada de ketoacidose, além de níveis muito baixos da substância, condição conhecida como hipoglicemia. Ambas as condições podem causar coma e a morte.

Os pesquisadores descobriram que 80% dos episódios se manifestavam em 20% das crianças estudadas, o que sugere que as crianças que correm maior risco podem ser identificadas e assinaladas para receber uma ajuda extra. Os pesquisadores estimam que os custos com o tratamento da ketoacidose e da hipoglicemia em crianças diabéticas nos Estados Unidos podem chegar aos US$ 100 milhões anuais ao final dos anos 90.

- Uma ou duas doses de bebida alcoólica por dia aumentam a sensibilidade à insulina em mulheres mais velhas, que correm maior risco de sofrer de diabetes após a menopausa. Em um estudo realizado com 63 mulheres não diabéticas que já passaram pela menopausa, pesquisadores do Centro de Pesquisa da Nutrição Humana, uma divisão do Departamento de Agricultura, descobriram que aquelas mulheres que tomavam um ou dois drinques antes de dormir -- elas receberam álcool de cereais misturado a suco de laranja -, todas as noites, durante oito semanas, demonstraram mais sensibilidade à insulina e níveis menos elevados de triglicerídeos, um tipo de gordura, do que as mulheres que não tomaram bebidas alcoólicas. Estudos anteriores demonstraram que o hábito de beber moderadamente reduz o risco de doenças cardíacas, de acordo com os pesquisadores. Os novos dados demonstram efeitos similares sobre o risco de diabetes.

- As mulheres que nascem com baixa estatura podem correr um risco maior de sofrer de diabetes gestacional, uma forma passageira de diabetes, que ocorre durante a primeira gravidez, segundo um relatório da Universidade do Colorado e da Universidade da Virgínia. O diabetes gestacional muitas vezes desaparece após a gravidez, mas ele se constitui em um fator de risco para o desenvolvimento do diabetes na mãe em outro período da sua vida. Segundo os pesquisadores, a descoberta sugere que a susceptibilidade ao diabetes pode ser "reprogramada no útero".

Tradução: Danilo Fonseca

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