George Lucas despreza críticas ao novo "Guerra nas Estrelas"; leia entrevista

Marshall Fine
USA Today
Em San Rafael (EUA)

"Cinco já foram feitos, um está a caminho", diz George Lucas, sentado em uma cadeira na sala John Steinbeck, no seu isolado Rancho Skywalker. "Estou trabalhando no próximo filme".

Lucas, 58, está no último dia de uma viagem de apresentação à imprensa do filme "Guerra nas Estrelas: Episódio 2 -- O Ataque dos Clones", que estréia esta semana em 5.800 cinemas dos EUA. O quinto de uma série planejada para ter seis filmes, o "Episódio 2" prossegue com a estória de Anakin Skywalker, que um dia vai sofrer uma transformação, passando de um cavaleiro jedi ao pior dos vilões, Darth Vader. Tendo sido rodado durante os últimos três anos, o filme segue com a trama que Lucas concebeu pela primeira vez para o "Guerra nas Estrelas" original, em 1977. A trilogia original da série "Guerra nas Estrelas" foi concluída em 1983. Lucas fez com que os episódios passassem a ser o quatro, o cinco e o seis. Em 1999 ele reacendeu o frenesi dos fãs com o lançamento de "Guerra nas Estrelas: Episódio 1 -- A Ameaça Fantasma" -- e a promessa dos dois próximos filmes em 2002 e 2005.

Mas, conforme frisou em uma entrevista, quando decidiu inicialmente voltar a dirigir filmes, após uma pausa de mais de 20 anos, ele não estava certo de que "Guerra nas Estrelas" seria o primeiro dos seus novos trabalhos.

USA Today: Você sempre planejou fazer essas "pré-seqüências"?

George Lucas: Originalmente sim. Mas após "O Retorno do Jedi", eu estava farto de "Guerra nas Estrelas". Essas estórias eram muito complexas e eu não contava com a tecnologia para filmá-las da maneira que desejava. Quando decidi voltar a dirigir filmes, não estava certo de que esses eram os trabalhos que queria fazer.

USA Today: E o que te fez tomar a decisão de retomar "Guerra nas Estrelas"?

George Lucas: Sempre gostei da estória da queda de Anakin. E, nesse ponto, senti que a tecnologia já era suficiente para que eu pudesse concretizar o projeto. Houve outros filmes que eu quis fazer. Mas eu sabia que a filmagem das pré-seqüências era um compromisso de dez anos. Se eu fizesse primeiro os outros filmes, teria 65 anos de idade, após 10 anos de "Guerra nas Estrelas".

USA Today: Quantos outros projetos você tem em mente?

George Lucas: Uns 12. E mais alguns seriados para a TV.

USA Today: Como você lida com a expectativa gerada por este filme? Milhões de fãs em todo o mundo estão aguardando ansiosamente pelo filme, cheios de expectativas.

George Lucas: Estou agindo como todo mundo em uma situação única, seja um grande esportista ou um astro do rock. Quero fazer aquilo que faço. Os fãs são importantes, mas tenho que fazer o meu trabalho da minha maneira. É assim que funciona. Tudo o que quero fazer é contar a estória. Ela sempre será controversa. Mas o técnico de uma equipe de beisebol vai se deparar com tanta polêmica quanto um diretor.

USA Today: Qual é a sua reação diante da reação crítica ao "Episódio 1"?

George Lucas: A reação crítica foi a mesma nos outros filmes: cerca de 60% de comentários positivos e 40% negativos. Eu até que esperava comentários ruins de um certo número de críticos. Eles pensaram que eu fosse mudar a minha linha de um filme para o próximo. Mas trata-se de um único filme, dividido em seis episódios. E eles sempre reclamam das mesmas coisas: que a atuação é antiquada. E dos diálogos. Mas esse é o meu estilo. Ele vai continuar sendo o mesmo.

USA Today: Mas houve outras críticas...

George Lucas: Eu sabia que os fãs iam ficar irritados por eu não começar o filme com as guerras dos clones. Mas tenha uma estória para contar. O primeiro ato sempre vai ser chato. É quando os personagens são apresentados, o enredo é estabelecido, abrindo caminho para o que vem depois. É preciso agir dessa forma para que se conte a estória. É necessário que se saiba sobre a relação entre Anakin e Obi-Wan, e da relação deste com o jedi. Todas essas questões são importantes e é necessário que sejam esclarecidas para que a estória funcione melhor maneira possível. Se ele vai terminar matando alguém, então a platéia precisa saber que, apesar de tal ato, o personagem é uma boa pessoa. É isso o que Luke faz no final de "O Retorno do Jedi". Neste episódio, ainda dá para ver o garotinho em Anakin. Mas já dá também para começar a notar a face de Darth Vader. No próximo filme, Anakin estará bem mais maduro. É uma transição semelhante à de Luke. Há muitas cenas similares nos episódios um e seis.

USA Today: Mas, de qualquer forma, você recebeu críticas pelo episódio um.

George Lucas: Cada um dos filmes é uma parte de uma estória dividida em seis blocos. Eu procuro me concentrar no quadro maior. Mas os críticos não se focalizam neste aspecto. Eles escrevem sobre filmes individuais. Ainda assim, creio que muita gente vai gostar deste lançamento porque o enredo se torna mais denso.

USA Today: Você e Steven Spielberg foram criticados no livro de Peter Biskind, "Easy Riders, Raging Bulls", por terem criado filmes no final dos anos 70 que, segundo Biskind, geraram a mentalidade dos "blockbusters" -- os megasucessos de bilheteria -- nos estúdios.

George Lucas: Toda essa idéia de que nós matamos Hollywood é ridícula e denota desinformação. Nós não inventamos o "blockbuster". A acusação é ridícula. Os megasucessos existem desde quando inventaram o cinema. "Intolerância", "Nascimento de uma Nação" -- todo ano havia um novo "blockbuster". E o que dizer de "E o Vento Levou"? Os "blockbusters" têm existido ao longo da história do cinema. Não foram inventados na década de 70. Pouco antes de nós, já havia sucessos como "O Poderoso Chefão" e, depois, "O Exorcista". Não tivemos sucesso por termos feito uma determinada espécie de filmes emocionais. O nosso sucesso se deve ao fato de amarmos o cinema. E amamos os filmes que envolvem emocionalmente as pessoas. A idéia de que os nossos filmes sejam apenas uma espécie de parques de diversões inconseqüentes veio de alguém que se concentrou na parte literária do meio, e que fica irritada pelo fato de termos tentado deslocar as atenções para o lado emocional do cinema.

Tradução: Danilo Fonseca


Clique aqui para ler mais notícias de Diversão e Artes.

UOL Cursos Online

Todos os cursos