Relatório diz que terroristas ludibriaram agência de imigração dos EUA

Donna Leinwand
USA Today
Em Washington (EUA)

Pelo menos a metade dos 48 radicais muçulmanos ligados a complôs terroristas nos Estados Unidos desde 1993 manipulou ou violou as leis de imigração para entrar no país e nele permanecer, de acordo com uma análise feita pelo Centro de Estudos de Imigração.

Os terroristas utilizaram vistos de turista, de estudante e de negócios, pedidos de anistia e de asilo, casamentos falsos e mentiras para ludibriar o Serviço de Imigração e Naturalização (INS), de forma que os funcionários do órgão permitissem que ficassem nos Estados Unidos, segundo o relatório, que foi divulgado pelo centro de estudos, que não possui vinculação com partidos políticos.

"Cada setor do sistema de imigração dos Estados Unidos foi penetrado por terroristas, de forma que a nossa resposta deve ser igualmente ampla", afirma Steven Camarota, diretor de pesquisa do centro. "Está claro que o nosso sistema de imigração é fundamentalmente importante para prevenir ataques ao solo norte-americano. Mas ele não precisa ser inteiramente invulnerável a fraude. Quando conseguimos pegar alguns indivíduos, muitas vezes conseguimos desvendar toda uma conspiração de grande tamanho".

O estudo revela que, quando cometeram os seus crimes, 12 dos 48 acusados de terrorismo estavam ilegalmente no país. Pelo menos cinco haviam morado ilegalmente nos Estados Unidos, e quatro outros cometeram violações relativamente sérias à lei de imigração. De acordo com o relatório, havia outros que estavam no país legalmente, mas que deveriam ter tido os seus vistos recusados porque se encaixavam no perfil de indivíduos que ficam em território norte-americano após terminar o prazo concedido para a sua permanência.

O retrato desfavorável do INS traçado pelo relatório é o mais recente golpe sofrido pelo órgão, que tem sido pressionada pelo Congresso para sofrer uma reformulação, em grande parte devido ao fracasso da agência em fazer cumprir as leis de imigração e manter sob vigilância imigrantes e visitantes. O INS não possui pessoal em número suficiente para investigar e prender todos aqueles que violam as leis de imigração, segundo o porta-voz da agência, Russ Bergeron. Há 1.950 agentes de imigração em toda a nação, para um número de imigrantes ilegais estimado em sete ou oito milhões de indivíduos -- ou cerca de um agente para cada 4.100 imigrantes, afirma Bergeron.

O INS não possui um sistema para monitorar o vencimento dos vistos e não sabe do paradeiro dos turistas estrangeiros.

"Quando se examina a ampla gama de tarefas importantes a serem realizadas, e se constata que o número de agentes do INS é menor do que o do contingente da maioria dos departamentos policiais metropolitanos, fica óbvio que há uma grave carência de recursos", queixa-se Bergeron.

A análise dos 48 homens envolvidos com as conspirações terroristas nos Estados Unidos indica que o INS e os funcionários consulares não examinaram com atenção suficiente os pedidos de visto. Também fica evidente que as agências norte-americanas e os governos estrangeiros não se comunicam quanto às listas de potenciais terroristas e aos relatórios das agências de inteligência. O relatório mostra ainda que os Estados Unidos carecem de um sistema que faça cumprir as leis de imigração dentro das suas próprias fronteiras.

Quando o INS prende suspeitos de ter violado as leis de imigração, o órgão muitas vezes não possui espaços nas cadeias para manter esses indivíduos presos, denuncia o relatório.

O documento afirma que os funcionários do INS não deveriam ter concedido vistos de turistas para vários dos seqüestradores de 11 de setembro porque, sendo homens jovens, solteiros, e, em geral, de baixa renda, sem laços significativos com as suas nações de origem, eles se encaixavam na categoria denominada de "candidatos a imigrantes". Isso significa que eles deveriam ter sido considerados como pessoas que provavelmente procurariam ficar no país após o vencimento dos seus vistos e que tentariam ficar permanentemente nos Estados Unidos.

O estudo afirma que o INS teve várias oportunidades de manter Mohamed Atta, suspeito de ter sido o coordenador dos ataques de 11 de setembro, fora do país, ou de tê-lo deportado logo após a sua chegada, afirma Camarota. Os oficiais consulares deveriam ter negado o visto a Atta porque ele tinha o perfil do "candidato a imigrante". Quando Atta permaneceu no país após o seu visto ter expirado, em dezembro de 2000, o INS poderia tê-lo deportado. Quando ele deixou os Estados Unidos um mês depois e, a seguir, retornou ao país, os agentes do INS poderiam ter se recusado a deixa-lo entrar.

Os funcionários do INS não quiseram comentar casos específicos, alegando que ainda não leram o relatório. Um oficial do departamento consular do Departamento de Estado, que fornece vistos através dos consulados no estrangeiro, disse à reportagem que os vistos citados pelo relatório foram concedidos de acordo com a lei dos Estados Unidos.

Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos