Desacreditado e sob pressão, FBI precisa mostrar resultados

Chuck Raasch
USA Today
Em Washington (EUA)

Aqui estão duas reflexões sobre a guerra contra o terrorismo:

Um

Quando assumiu a chefia do FBI, em 4 de setembro, Robert Mueller foi saudado com manchetes que descreviam a agência como sendo "problemática". Um ano mais tarde, em circunstâncias que poucos sonhavam ser possíveis, mas que, talvez, mais gente devesse ter previsto, os problemas continuam.

Conforme todas as atenções se voltaram para o que o FBI deveria ter feito com as indicações de que terroristas da Al Qaeda estavam treinando para transformar grandes aviões a jato em mísseis, Mueller divulgava alertas ainda mais sinistros. Ele praticamente garantiu que haverá novos episódios de terrorismo em território norte-americano, e talvez um círculo vicioso de atentados suicidas a bomba, como aqueles que os palestinos empregam contra Israel.

Ao juntar as declarações de Mueller com as de outros membros da administração Bush, o cidadão comum norte-americano ficou pensando sobre o que o futuro lhe reserva.

O FBI precisa desesperadamente de uma vitória. E de uma vitória grande e rápida. Resolver o caso do antraz poderia ajudar, mas tudo aponta para um grande quebra-cabeças, e não para uma seleção progressiva que reduza o número de suspeitos. Os últimos relatórios indicam que testes de detecção de mentiras serão aplicados a dezenas, e talvez centenas, de funcionários de laboratórios de armas biológicas.

A captura de Osama Bin Laden ou o desmonte de uma conspiração em território norte-americano poderia, na verdade, no curto prazo, tornar a situação mais perigosa, caso os aliados do saudita decidissem colocar em ação todos os seus planos terroristas. Mas, no longo prazo, a segurança só vai retornar definitivamente a este país quando a questão Bin Laden for resolvida de uma vez por todas, ou se o FBI conseguir provar que é capaz de impedir outros atentados terroristas.

No passado, o FBI era uma agência quase intocável, pelo menos no imaginário popular. E a agência teve os seus sucessos. Os seus agentes impediram o ataque terrorista da virada de milênio contra o Aeroporto Internacional de Los Angeles. O FBI localizou o terrorista doméstico Timothy McVeigh, embora o descuido da agência para com as evidências -- descoberto após a sua condenação -- tenha provocado o adiamento da execução. Neste momento em que os democratas exigem que seja criada uma comissão independente para investigar as falhas de inteligência e de segurança que possibilitaram os eventos de 11 de setembro, e os republicanos acusam os democratas de estarem querendo colher dividendos políticos, um pouco de contexto histórico talvez ajude.

Será que o FBI herdado por Mueller poderia estar excessivamente preocupado com o escândalo de espionagem envolvendo Robert Hanssen, a ponto de ter deixado de levar a sério os sinais telegrafados pela Al Qaeda? Pouco antes de Mueller se tornar diretor, um agente do FBI avisou que membros da Al Qaeda estavam fazendo cursos de pilotagem, e um suspeito de pertencer à rede terrorista foi preso em Minnesota, após ter dito aos seus instrutores que só desejava aprender como pilotar grandes aviões já em vôo, e não a fazê-los aterrissar. Estariam as nossas agências de inteligência travando a última batalha da Guerra Fria -- Hanssen espionou para os russos -- quando deveríamos estar nos empenhando ao máximo para nos prepararmos para a próxima guerra?

O preço da traição de Hanssen pode ter sido maior do que imaginávamos.

Dois

Manifestantes na Alemanha receberam o presidente Bush com exortações para que ele não expandisse a sua guerra contra o terror.

Novidades para os alemães: ela já se expandiu para o seu próprio quintal.

Oficiais de inteligência e promotores acreditam que Hamburgo foi uma base para alguns dos seqüestradores de 11 de setembro, incluindo Mohamed Atta, que seria o líder da operação.

Neste momento, segundo notícias publicadas na revista Der Spiegel e outros veículos da imprensa alemã, autoridades daquele país mantém na prisão Mounir El Motassadeq, um marroquino acusado de controlar uma conta bancária utilizada por vários dos seqüestradores de 11 de setembro.

As autoridades alemãs alegam que El Motassadeq, que estudou na Universidade Técnica de Hamburgo, também manteve contatos com Atta naquela cidade do norte da Alemanha.

Parte do dinheiro enviado por El Motassadeq teria sido utilizado para pagar o curso de pilotagem do seqüestrador Marwan Al Shehhi, que participou dos atentados de 11 de setembro.

Tradução: Danilo Fonseca

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