Termômetro cósmico ajuda cientistas a observar o universo

Dan Vergano
USA Today

Pela primeira vez os astrônomos viram aglomerados de matéria do universo primordial que criaram as atuais galáxias.

Em uma recente conferência na Fundação Nacional de Ciência, os pesquisadores anunciaram a leitura de temperaturas irradiadas 14 bilhões de anos atrás, por meio de um instrumento chamado Criador de Imagens Cósmicas de Fundo (CBI). O CBI forneceu aos astrônomos as imagens mais detalhadas já obtidas das radiações luminosas mais antigas emitidas pelo universo.

Na verdade, a equipe detectou a temperatura do universo 300 mil anos após o seu início, com o Big Bang.

Atualmente, vemos os restos resfriados daquele período, como uma "radiação cósmica de fundo" que preenche todo o céu, um fenômeno responsável por cerca de 1% das interferências encontradas entre os canais, nas telas de televisão.

Os cientistas mediram pequenas diferenças na temperatura do fundo cósmico, algumas menores do que um décimo milésimo de um grau. Em essência, os pontos quentes continham mais matéria, afirma o chefe da equipe, Anthony Readhead, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Segundo ele, a gravidade dessas nuvens de matéria fez com que elas se agrupassem, formando as galáxias, à medida que o universo envelhecia e se expandia.

"Essas flutuações criaram toda a estrutura existente no universo", explica Readhead.

As descobertas confirmaram medições anteriores das propriedades do fundo de microondas cósmicas realizadas em 1992. Os registros do CBI também confirmaram outras descobertas sobre o universo, incluindo previsões de que o cosmo teria uma característica geométrica "achatada", na qual a luz viajaria em linhas retas por longas distâncias. As descobertas dão força ainda à teoria sobre a existência da "matéria escura", que se acredita estar localizada em volta das galáxias, formando um halo de matéria invisível que as mantém coesas. Os dados também sustentam a idéia de que a expansão cósmica inicial foi motivada por um processo mais rápido do que a luz, chamado de inflação.

"A cosmologia parece estar no caminho certo", afirma o astrofísico Max Tegmark, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia. "É um pouco entediante o fato de não encontrarmos surpresas, mas é também muito bom estar preparado para mudanças".

A experiência com o CBI envolveu leituras realizadas com 13 rádio-telescópios diferentes instalados no topo de um altiplano no Chile. Os pesquisadores, trabalhando a mais de 5 mil metros de altitude, precisaram usar máscaras de oxigênio para combater a confusão mental causada pelo ar rarefeito durante as experiências.

Eles transformaram os relatórios formais que trazem os resultados da pesquisa em cinco trabalhos enviados para o "Astrophysical Journal". Uma equipe européia que trabalhou com o Very Smal Array, um conjunto de 14 rádio-telescópios nas Ilhas Canárias, também mediu a temperatura de três porções do céu e anunciou que os dados que obteve estão de acordo com os resultados do CBI.


Tradução: Danilo Fonseca

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