Indústria farmacêutica lança poucos medicamentos inovadores

Julie Appleby
USA Today

A problemática indústria farmacêutica encara uma nova crítica: vários dos seus produtos não seriam inovadores.

Dois terços das drogas aprovadas de 1989 a 2000 eram versões modificadas de medicamentos já existentes, tais como as fórmulas com liberação gradual de substâncias ativas, ou não passavam de cópias de drogas já existentes no mercado, segundo um estudo revelado na quarta-feira (29).

"Medicamentos que contém novos ingredientes ativos e, ao mesmo tempo, fornecem avanços clínicos significativos, são raros", afirma o Instituto Nacional para Gerenciamento do Sistema de Saúde, um grupo de pesquisas com sede em Washington, apoiado financeiramente por verbas governamentais, fontes privadas e empresas de planos de saúde, como a Blue Cross/Blue Shield.

Exemplos de versões modificadas de drogas existentes que são utilizadas em larga escala, incluem o remédio para tratamento de diabetes, Glucophage XR, uma versão de uma remédio já existente, cuja única diferença é a liberação gradual do princípio ativo, e o medicamento para transtornos estomacais, Nexium, uma nova versão do Prilosec.

O estudo afirma que as drogas realmente inovadoras representam apenas 15% do total de novos medicamentos.

Os preços das novas drogas - mesmo aquelas baseadas em ingredientes antigos - são altos, segundo o estudo. Por exemplo, o frasco dos novos medicamentos cujas fórmulas se baseavam em ingredientes ativos já existentes custavam em média US$ 65 (cerca de R$ 163) em 2000, contra US$ 35,58 (aproximadamente R$ 89) em 1995.

A associação de comércio da indústria farmacêutica questionou os motivos da pesquisa financiada por empresas de planos de saúde e chamou o relatório de "falsificação de baixa qualidade, politicamente e financeiramente motivada, travestida de ciência feita em nome do interesse público".

O relatório deve se somar à crescente polêmica sobre os custos dos medicamentos, em um momento em que o Congresso luta contra um possível subsídio dos remédios pelo Medicare (sistema de saúde pública dos Estados Unidos) e estuda mudanças nas leis de patentes dos produtos farmacêuticos. Alguns fabricantes também continuam a ser investigados, devido às suas iniciativas para bloquear os medicamentos genéricos de preços baixos, ao lançar novas patentes questionáveis de drogas já existentes.

O estudo afirma que algumas das modificações representam avanços em relação a produtos existentes, mas sugere que outras podem ser apenas tentativas de conquistar proteções adicionais de patentes para drogas lucrativas.

Richard Smith, vice-presidente da Associação de Pesquisa e Manufatura de Medicamentos dos Estados Unidos, afirma que "rejeita categoricamente" tal argumento: "O fato de podermos obter novas patentes...demonstra que as novas drogas são diferentes das antigas e têm propriedades que não estão presentes nos velhos medicamentos".

Críticos da indústria afirmam que o estudo levanta uma outra questão importante: Se as novas drogas não se constituem em avanços significativos, por que elas custam tão mais caro?

"Talvez os medicamentos novos que sejam eficientes valham o dinheiro extra, mas, aqueles que são, essencialmente, as mesmas drogas antigas não podem custar mais", afirma Alan Sager, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston.

Smith diz que os novos remédios possibilitaram avanços significativos para o tratamento da Aids, do câncer e de outras doenças. Segundo ele, 80% das pesquisas da indústria são destinadas a novos projetos de desenvolvimento de remédios. O restante é dirigido para a modificação de produtos já existentes.


Tradução: Danilo Fonseca

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