Inteligência americana tinha agentes infiltrados na Al Qaeda

John Diamond
USA Today
Em Washington

As agências norte-americanas de inteligência escutaram militantes da Al Qaeda discutindo um iminente ataque terrorista de grande magnitude, semanas antes do 11 de setembro. A comunidade de inteligência tinha agentes infiltrados no grupo extremista, mas as interceptações e relatórios de campo não especificaram onde ou quando poderia haver um ataque, segundo autoridades norte-americanas.

Algumas das pistas jazem soterradas nas 350 mil páginas de documentos entregues pela CIA para comissões de inquérito a serem realizadas pelo Congresso:

- Relatórios discutindo a possibilidade da realização de ataques suicidas a bomba, planos para lançar aviões contra prédios e para ataques contra o Pentágono, o World Trade Center e outros alvos importantes.

- Interceptações eletrônicas feitas até o dia 10 de setembro, que revelam que membros da Al Qaeda falavam em código sobre um grande ataque. Dois oficiais de inteligência dos Estados Unidos que traduziram interceptações com alta classificação de sigilo dizem que as conversas incluíam frases como, "Boas coisas estão por vir", "veja os noticiários" e "amanhã será um grande dia para nós".

- Informações de agentes infiltrados na Al Qaeda e no Taleban. Esses agentes não conseguiram descobrir o plano altamente secreto relativo ao ataque de 11 de setembro, mas colheram várias evidências que indicavam que a Al Qaeda planejava infligir um formidável estrago sobre os Estados Unidos.

Após duas semanas de ataques ao FBI, devido às falhas da agência, os congressistas estão voltando as suas atenções para a CIA. "O inimigo está no exterior. O primeiro local para deter o inimigo é no exterior", disse em uma entrevista o chefe da Comissão de Inteligência do Congresso, Porter Goss.

O presidente Bush tem evitado criticar os seus serviços de inteligência e as autoridades policiais federais. Mas, na segunda-feira passada, ele sugeriu que essas agências precisam melhorar a sua atuação. "Nesta nova guerra contra este inimigo difuso, é muito importante que coletemos o máximo de informações de inteligência", disse Bush.

Um oficial de inteligência norte-americano descreve as pistas coletadas antes do ataque como agulhas em um palheiro. Outros dizem que essas pistas vêm se somar a falhas fundamentais das agências de inteligência em alertar a nação para que abordasse o perigo no exterior.

A visão que prevalece no Congresso é que a comunidade de inteligência dos Estados Unidos tinha em suas mãos todo o material necessário, mas o desperdiçou ao não ser capaz de reconhecer e de interligar os sinais de alerta. "Se eles tivessem agido a partir da informação que possuíam e tomado providências, talvez as coisas tivessem sido diferentes", afirma o senador Richard Shelby, republicano do Alabama, um dos representantes do Partido Republicano na Comissão de Inteligência do Senado.

A outra conclusão, que talvez seja mais preocupante, é que, apesar de todos os recursos com que contavam, as principais agências de inteligência não tiveram um aviso claro do que estava por vir.

Os inquéritos da comissão começam sob sigilo, quando os comitês de inteligência do Senado e da Câmara discutirão em conjunto quais informações podem ser divulgadas. O diretor da CIA, George Tenet, e do FBI, Robert Mueller, certamente vão passar por maus pedaços este mês. Entre as testemunhas ouvidas estarão agentes operacionais da CIA e do FBI, além de analistas de inteligência que processaram parte das informações sobre o perigo representado pela Al Qaeda.

A interceptação das conversas está incluída em 13 mil páginas de material da Agência de Segurança Nacional (NSA), o serviço norte-americano de interceptação de sinais eletrônicos e comunicações mundiais. Dois oficiais de inteligência disseram que algumas das interceptações foram traduzidas e analisadas antes de 11 de setembro. Mas outras não puderam ser lidas devido à carência de tradutores.


Tradução: Danilo Fonseca

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