EUA querem criar uma frente iraquiana de oposição a Saddam

Barbara Slavin
USA Today
Em Washington

O Congresso está apoiando um pedido da administração Bush no sentido de fornecer dinheiro para financiar duas facções rivais no norte do Iraque, a fim de criar uma oposição unida ao líder iraquiano, Saddam Hussein.

Em uma ação que foi pouco percebida, o Congresso deu ao Departamento de Estado a aprovação, este mês, para gastar US$ 3,1 milhões (cerca de R$ 8,26 milhões) na melhoria do tratamento de saúde dos curdos que vivem sob proteção dos Estados Unidos no norte do Iraque. O dinheiro é destinado a fomentar a paz entre dois grupos que lutaram entre si no passado e estão entusiasmados com a meta do presidente Bush de derrubar Saddam.

Funcionários do Departamento de Estado dizem que o financiamento é fundamental para forjar uma sólida oposição a Saddam, que conseguiu suprimir todas as ameaças sérias ao seu regime.

Especialistas sobre o Iraque duvidam que o Partido Democrático Curdo ou a União Patriótica do Curdistão venham a desempenhar um grande papel militar no Iraque, semelhante à ofensiva da Aliança do Norte contra o Taleban, no Afeganistão. Mas eles afirmam que as esperanças de Bush em derrubar Saddam não podem ser bem sucedidas sem tal apoio. Os quatro milhões de curdos são o único grupo de oposição no Iraque a controlar algum território e possuir uma expressiva força militar, de cerca de 70 mil homens.

"O significado dessa ajuda não pode ser subestimado", afirma Mark Freeman, do Centro Internacional Meridian, um grupo sem fins lucrativos que administra a verba. "É um sinal de que os dois grupos são capazes de atuar juntos".

O auxílio para os curdos poderia estimular novas medidas secretas para derrubar Saddam. O "Washington Post" divulgou no domingo que tais esforços incluem um aumento do auxílio aos rebeldes, a expansão da coleta de inteligência e o uso da CIA e de comandos militares especiais para matar Saddam.

A CIA disse a Bush que, além das ações secretas, grandes forças militares serão provavelmente necessárias para derrubar Saddam. O "USA Today" noticiou em fevereiro que Bush havia aprovado o plano secreto.

No último domingo, Bush contou com o apoio de democratas e republicanos para o seu plano. "Primeiro devemos tentar fazer o serviço de forma secreta ou utilizando forças de operações especiais, mas, caso isso não seja suficiente, estaremos preparados para realizar tudo o que for necessário", disse o senador John McCain, republicano do Arizona, no programa "Face the Nation", da rede de televisão CBS. No mesmo programa, o presidente de Relações Internacionais do Senado, Joseph Biden, democrata de Delaware, disse, "Se Saddam Hussein ainda estiver no poder daqui a cinco anos, isso significará que fracassamos".

A verba do Departamento de Estado não chega aos cofres do Congresso Nacional Iraquiano, uma controversa organização, com sede em Londres, composta de grupos que se opõe a Saddam Hussein. O senador Jesse Helms, republicano da Carolina do Norte, membro da minoria no Comitê de Relações Internacionais do Senado e simpatizante do Congresso Nacional Iraquiano, bloqueou durante meses a verba destinada aos curdos porque ela não passava pelo grupo sediado em Londres, segundo informações de funcionários do Congresso.


Tradução: Danilo Fonsec

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