Novo filme de Spielberg traz imagem convincente do futuro

Scott Bowles
USA Today

Steven Spielberg deu instruções simples sobre o que precisava para o seu novo filme, "A Nova Lei" ("Minority Report", 2002).

"Ele queria um tipo diferente de futuro", afirma Alex McDowell, produtor de cenário para o filme. "Steven não desejava nada que se parecesse com filmes tradicionais de ficção científica".

E realmente, não há nada de "Os Jetsons" nessa obra. Não existem armas laser, e nenhum carro a jato passa roncando sobre Washington, D.C. de 2054, o cenário de "A Nova Lei". As máquinas voadoras mais futuristas, os "jet packs", pertencem apenas à polícia. O futuro, ao contrário, se parece muito com o presente: auto-estradas congestionadas, playgrounds em bairros residenciais e as onipresentes lojas de roupas da marca Gap. Os cidadãos são bombardeados com propagandas, frases de efeito e discursos do governo.

"Queríamos que os expectadores acreditassem que esse poderia ser o mundo daqui a 50 anos", diz McDowell. "É um mundo frio e ditado pela consciência de consumo. A história se passa no futuro, sem, entretanto, chegar a um ponto em que a população não se sinta ligada a conjuntura".

Spielberg afirma que não estava interessado em reproduzir o visual que mostrou em filmes anteriores de ficção científica. "Esta não é uma aventura morna como 'AI - Inteligência Artificial'", explica o diretor. "Trata-se da realidade nua e crua de um film noir".

Para conseguir essa aparência, Spielberg e McDowell criaram uma cidade vertical, na qual os moradores vivem em prédios de apartamentos de 300 andares e estacionam os seus veículos em frente à janela da sala.

Esse veículos elétricos, conhecidos como Mag-Levs, correm ao longo de estradas magnéticas e são programados por computador, eliminado as grandes dores de cabeça inerentes à direção manual - assim como a poluição.

"O aspecto mais futurista do filme, e talvez aquele que tenha mais cara de ficção científica, é o visual dos sistemas Mag-Lev", diz Spielberg. "Eu visualizei esse engenho magnético que puxa os carros e não queima qualquer combustível fóssil. A visão veio da minha mente ecologicamente consciente".

E também das mentes de alguns dos maiores pensadores da nação. A fim de criar um retrato convincente do futuro, Spielberg criou um "grupo de idéias" para "A Nova Lei", que incluiu o seu colaborador freqüente e cinematógrafo Janus Kaminski, bem como acadêmicos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que se reuniu e elaborou imagens do futuro. Apesar de algumas tecnologias sofisticada, tais como os projetores holográficos domésticos e aranhas robóticas investigativas, o filme é dominado por imagens contemporâneas.

O Washington Monument ainda está de pé, assim como o Capitólio. Alguns bairros estão cheios de moradores, e outros de traficantes de drogas. As lojas e os estilos das roupas se parecem com os atuais, assim como os conjuntos residenciais.

"Muitas casas no Distrito de Colúmbia já têm 100 anos de idade", diz McDowell. "Por que elas não durariam mais 100 anos?".

As lojas também não mudaram muito em "A Nova Lei". A única diferença real entre a Gap atual e aquela de daqui a 50 anos parece estar nos vendedores. No filme, os fregueses são reconhecidos e atendidos por vendedores automáticos, que se lembram dos seus nomes e das compras recentes.

"Os shopping centers ainda são um sucesso no futuro", diz McDowell, rindo. "Steven disse, 'A Gap nunca muda', e, portanto, não a modificamos muito. Mantivemos distância de tudo que pudesse parecer muito fantástico".

As pessoas envolvidas com o filme, incluindo o astro principal, dizem que a visão final do Distrito de Colúmbia veio de uma única fonte. "Tudo se originou da mente de Steven Spielberg", afirma Tom Cruise. "Esse é o sistema que ele elaborou".

Spielberg é mais modesto quanto à sua criação exclusiva, chamando-a de um produto colateral da arte de fazer filmes. "Essa é que é a parte gostosa. Mexer com o futuro".


Tradução: Danilo Fonseca

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