Analista financeiro diz que rebaixamento das ações da WorldCom foi "coincidência"

Noelle Knox
USA Today
Em Nova York

Jack Grubman, um fã entusiasmado do boxe, está tomando um gancho de direita no queixo. Escândalos na contabilidade da MCI WorldCom, da Qwest e da Global Crossing estão minando a sua reputação como principal analista das ações das empresas de telecomunicações em Wall Street.

Grubman ficou conhecido na década de 90, quando assessorou a MCI WorldCom na sua concorrência pela compra da Sprint, a SBC Communications na aquisição da Ameritech, e a Global Crossing na compra da Frontier Communications. Uma opinião de Grubman era capaz de fazer com que carreiras deslanchassem, como foi o caso, quando ele recomendou Joseph Nacchio para ser o presidente da Qwest, e Robert Annunziata para a Global Crossing.

Grubman mantinha relações amigáveis com todos os grandes nomes do setor de telecomunicações e se gabava de ter participado, em 1999, do casamento de Bernard Ebbers, que renunciou ao cargo de presidente executivo da WorldCom em abril.

Atualmente, Grubman está sob fogo dos investidores, que alegam que as suas relações pessoais com os clientes maquiaram as suas recomendações sobre a compra de ações. E tais recomendações são um alvo principal das investigações feitas pelo procurador geral de Nova York, Eliot Spitzer.

Grubman manteve a sua avaliação favorável a compras de ações da WorldCom até abril, apesar do fato de que, à época, os títulos da companhia já tinham apresentado uma desvalorização de 92%, em relação ao seu apogeu, em junho de 1999.

Na sexta-feira(21), Grubman modificou a sua avaliação das ações da WorldCom de "neutras" para "abaixo da média" - fazendo com que os títulos sofressem uma desvalorização de 25% - apenas alguns dias antes de a companhia revelar as irregularidades na sua contabilidade, no valor de US$ 3,9 bilhões (cerca de R$ 11,14 bilhões). Esta não é a primeira vez que Grubman toma uma medida do gênero às vésperas de uma catástrofe. Em abril de 2001, Grubman rebaixou as ações da Winstar um dia antes de a companhia de telecomunicações ter entrado com ação de concordata.

Grubman se recusou a conceder entrevista, mas enquanto era seguido na manhã da última quarta-feira(26) a partir do seu apartamento em Manhattan por um repórter de economia da CNBC, o analista disse, "Ninguém podia prever esse fato. Não sou diferente dos outros analistas de Wall Street". Demonstrando muita agitação, Grubman disse ainda que o fato de a reavaliação das ações ter ocorrido neste momento foi "pura coincidência".

O procurador geral de Nova York está procurando determinar o papel desempenhado pelas recomendações do analista na variação desconcertante do preço das ações da WorldCom. E, na quarta-feira, a Spitzer disse, "Chamou a atenção de muita gente o fato de "Grubman ter finalmente feito uma avaliação para baixo".

Mas Grubman não foi o único nem o último a depreciar a WorldCom. Na quarta-feira, James Friedland, analista da Robertson Stephenson, rebaixou a sua avaliação de "forte recomendação para compra" para "mercado abaixo do esperado". Friedland estava viajando e não pôde ser localizado para tecer comentários a esse respeito.

No mês passado, a Merrill Lynch concordou em pagar US$ 100 milhões (cerca de R$ 285 milhões) para chegar a um acordo judicial contra as acusações feitas pela Spitzer de que os analistas da empresa da Internet, tais como Henry Blodget, teriam publicado recomendações tendenciosas sobre companhias que eram clientes investidores. A Spitzer também obrigou a Merrill Lynch a romper a relação ente o salário dos analistas e o seu papel em investimentos de negócios bancários.

Poucos analistas em Wall Street circulam com tanta desenvoltura pelos dois lados do muro quanto Grubman. Em maio de 2000, ele disse à revista "Business Week", "Estou esculpindo a indústria... Aquilo que costumava ser conflito é agora sinergia".

Em abril, Spitzer pediu à Salomon que fornecesse documentos com a data de janeiro de 1998 sobre 54 empresas de telecomunicação, sendo que Grubman só não prestava serviço a uma delas. A Spitzer solicitou ainda cópias das conversas entre funcionários da Salomon e representantes das empresas telecom, rascunhos e versões finais dos relatórios de pesquisa, e cópias de apresentações utilizadas para atrair negócios de investimentos bancários.

"Estamos cooperando integralmente com a investigação", disse Arda Nazerian, porta-voz da Salomon.


Tradução: Danilo Fonseca

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