Nomes árabes dificultam trabalho de investigação dos EUA

John Diamond
Usa Today
Em Washington (EUA)

Neste momento em que as agências de segurança e de inteligência dos Estados Unidos procuram impedir o próximo ataque terrorista, elas se deparam com um problema básico a ser resolvido: como soletrar o nome do inimigo.

Bancos de dados computadorizados no FBI, na CIA no Serviço de Imigração e Naturalização (INS) e em outras agências estão carregados com nomes de possíveis terroristas. Alguns dos nomes pertencem realmente a terroristas. Outros são codinomes, nomes escritos de maneira errada, formas alternativas de escrevê-los ou o resultado da identificação errônea de algum indivíduo com má fama. E, sem um extenso trabalho de campo, não há maneira de separar o joio do trigo.

Essa confusão quanto aos nomes se constitui em um obstáculo para as comunidades de segurança e de inteligência, que procuram rastrear obscuros agentes extremistas em vários países e impedir o próximo ataque aos Estados Unidos.

Os problemas citados publicamente pelo FBI e sigilosamente por oficiais de inteligência da CIA e do INS são:

- Métodos conflitantes utilizados pelas agências para traduzir e soletrar o mesmo nome.

- Programas de computador antiquados em algumas agências, que são incapazes de realizar buscas que trabalhem com formas aproximadas alternativas de escrita de um mesmo nome.

- Excesso de nomes árabes comuns, como Muhammed, Sheik, Atef, Atta, al-Haji e al-Ghamdi.

"Não dá para dizer quantos Mohamed Attas encontramos durante as investigações", disse um oficial de inteligência, que não quis ter seu nome identificado. Ele se referia ao nome do líder do grupo de seqüestradores que realizou os ataques de 11 de setembro. "Esse tipo de gente geralmente não usa uma plaqueta de identificação com os dizeres, 'Oi, meu nome é fulano de tal'".

Nas semanas que se seguiram ao 11 de setembro, funcionários dos departamentos da Justiça e do Tesouro compilaram uma lista de cerca de 24 nomes de suspeitos de serem agentes e financiadores da Al Qaeda. Os funcionários pediram ao secretário de Estado, Colin Powell, que entregasse a lista ao ministro do Exterior da Arábia Saudita, com uma solicitação de que as contas bancárias desses indivíduos fossem congeladas. Uma autoridade do Departamento de Estado que está a par do episódio disse que a lista era nada mais que um amontoado de apelidos usados por gângsteres e larápios do mundo árabe.

Havia, além disso, vários indivíduos chamados "Mohammed al-Haji", que não é exatamente um nome, mas uma denominação honorífica, que indica que a pessoa fez a peregrinação a Meca. Quando o Departamento de Estado entregou a lista, os saudistas a receberam com gargalhadas. Eles afirmaram que os "nomes" não teriam utilidade alguma para encontrar contas bancárias de terroristas, disse o oficial de inteligência.

Dias após os ataques, Waleed al-Shehri, piloto e filho de um diplomata saudita, ameaçou processar uma rede de televisão norte-americana, por ter exibido a sua fotografia como sendo a de um suspeito. O FBI disse que um homem com o mesmo nome estava a bordo de um dos aviões seqüestrados.

Para ilustrar o problema, um oficial de inteligência da CIA, procurando no banco de dados pelo líder líbio Muammar Ghadafi, descobriu mais de 60 formas diferentes de se escrever o nome do ditador da Líbia. Ou seja, se o problema confunde quando o indivíduo em questão é uma figura conhecida, torna-se perigoso quando se trata de um terrorista obscuro.

Tradução: Danilo Fonseca

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