Estudo demonstra que o tempo pode recuperar casamentos infelizes

Karen S. Peterson
USA Today

O divórcio não é necessariamente uma garantia de felicidade para os casais com problemas. Mas insistir em manter um casamento infeliz até que as coisas melhorem pode funcionar, de acordo com um novo estudo.

A pesquisa identificou casais felizes e infelizes, selecionados em um banco nacional de dados. Entre os parceiros infelizes que se divorciaram, cerca da metade estava feliz cinco anos depois. Mas os parceiros infelizes que persistiram no casamento se saíram melhor. Cerca de dois terços estavam felizes cinco anos depois.

Os resultados do estudo parecem contradizer o senso comum, afirma David Blankenhorn, do Instituto de Valores Americanos, uma organização de pesquisas sobre a família. O instituto ajudou a financiar a equipe que realizou a pesquisa, formada por acadêmicos da Universidade de Chicago. Os resultados foram apresentados na conferência "Casamento Feliz", patrocinada pela Coalizão pelo Casamento, Famílias e Educação de Casais.

"Em debates populares e na literatura acadêmica, se assume sempre que, quando um casamento vai mal, o casal deve se divorciar, já que, assim, seria mais provável que ambos vivessem mais felizes", afirma Blankenhorn. "Esta é a primeira vez em que a teoria é testada empiricamente, e não há evidências que a apóie".

Cerca de 19% dos divorciados se casaram novamente, e passaram a ser felizes, após um período de cinco anos.

Os casais mais problemáticos foram os que experimentaram a maior mudança. Entre os mais descontentes, cerca de 80% estavam felizes cinco anos depois, diz Linda Waite, professora de sociologia da Universidade de Chicago, que liderou a equipe responsável pela pesquisa.

O estudo avaliou informações relativas a 5.232 adultos casados, que constam no banco de dados Pesquisa Nacional de Famílias e Residências. Nele estavam incluídos 645 indivíduos definidos como infelizes. Os indivíduos na amostragem nacional foram analisados por meio de 13 medidas de bem-estar psicológico. Em um prazo de cinco anos, 167 dos indivíduos infelizes estavam divorciados ou separados, e 478 continuaram casados.

Em média, o divórcio não diminuiu os sintomas de depressão, e tampouco aumentou a auto-estima ou um sentimento de controle sobre a própria vida, quando comparado àquelas pessoas que permaneceram casadas, revela o relatório. Foi feito o controle estatístico para as variáveis raça, idade, sexo e renda.

O fato de permanecer casado não alimentou a tendência de aprisionar os parceiros infelizes em uma relação violenta.

Mas o que ajudou os casais infelizes a darem a volta por cima? Para suplementar os dados do estudo formal, a equipe de pesquisadores pediu a empresas profissionais para recrutar grupos, totalizando 55 indivíduos, que eram considerados "sobreviventes do casamento". Todos eles haviam passado de um casamento infeliz para uma relação feliz.

Esses 55 indivíduos casados, que já foram descontentes, sentiram que os seus relacionamentos melhoraram através de um dos seguintes caminhos:

- Paciência conjugal. "Com o tempo, as situações profissionais melhoraram, as crianças ficaram mais velhas e comportadas, ou os problemas crônicos foram colocados sob uma nova perspectiva". Os parceiros geralmente não tentam melhorar os seus casamentos.

- Mudança pessoal. Os parceiros encontraram "maneiras alternativas de aumentar sua própria felicidade e de construir uma vida boa e feliz, apesar de um casamento medíocre". Na verdade, o parceiro infeliz se modificou.

- Trabalho conjugal. Os cônjuges trabalharam ativamente "para resolver problemas, modificar comportamentos ou melhorar a comunicação".

Aqueles que trabalharam os seus casamentos dificilmente recorreram a terapeutas. Quando o fizeram, procuraram profissionais confiáveis e favoráveis ao casamento, afirma Waite. Os homens, especialmente, "manifestaram bastante suspeita com relação a todos que cobrassem para resolver problemas pessoais".

Em geral, aqueles que ficaram casados também desaprovavam o divórcio, diz Waite. Essas pessoas mencionaram as suas preocupações com relação aos filhos, as crenças religiosas e o medo que o divórcio desencadeasse uma nova série de problemas.


Tradução: Danilo Fonseca

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