Bush enfrenta dificuldades em meio a guerra e crise financeira

Richard Benedetto
USA Today
Em Washington

Os atuais escândalos empresariais que estão minando a confiança do investidor e abalando a economia, aliados às tentativas dos democratas em vincular o presidente Bush e os negócios que fez no passado a toda essa confusão, se constituem em um desafio à liderança do presidente, tão grave quanto à guerra contra o terror.

E a maneira como Bush se comporta frente a essa crise financeira pode ser um fator mais crítico para as suas chances de reeleição, daqui a dois anos, do que a sua capacidade de reduzir ou não a ameaça terrorista.

A primeira tarefa do presidente, é claro, é garantir que a nação e o seu povo estejam em segurança. Mas, em 2004, o fato de se sentirem mais seguros com relação aos ataques terroristas trará pouco conforto aos norte-americanos, casos estes estejam preocupados em encontrar ou manter os seus empregos.

Conforme o seu pai aprendeu de uma maneira dura em 1992, os eleitores norte-americanos possuem memória curta para as vitórias militares caso a economia esteja mal das pernas.

Embora a liderança militar de Bush pai tenha recebido grande aprovação popular após a Guerra do Golfo, as suas habilidades para gerir a economia foram consideradas precárias face ao crescente desemprego e, portanto, ele não se reelegeu. Naturalmente, ainda é muito cedo para prever que o jovem Bush está destinado a ver a história eleitoral se repetir. Mas sinais de perigo estão emergindo e ele não pode ignora-los.

Os democratas - frustrados em suas tentativas de conquistar dividendos políticos após o 11 de setembro e pelos altos índices de aprovação da performance de Bush na guerra contra o terror - vêem uma chance de faturar politicamente nas eleições parlamentares de novembro, ao atribuir os atuais percalços financeiros a Bush e aos republicanos.

Ao mesmo tempo, os democratas e a mídia têm desenterrado histórias que já haviam sido divulgadas sobre a venda de ações, feita por Bush, em 1990, como diretor de uma companhia do setor de energia. As alegações contra o presidente são de que, na melhor das hipóteses, as vendas foram anti-éticas, e, no pior dos quadros, ilegais.

Bush tem reiterado que a venda de ações foi legal e feita com boa-fé. Ele disse ainda que a Securities and Exchange Comissions (o órgão que supervisiona o mercado financeiro nos Estados Unidos) examinou as transações uma década atrás e não encontrou nenhum motivo para tomar qualquer medida contra o atual presidente.

Mas os democratas farejaram o cheiro de sangue. Eles querem que Bush torne públicos todos os registros das suas transações financeiras. Os seus oponentes repetem incessantemente o nome do presidente juntamente com os daqueles indivíduos envolvidos com os escândalos das corporações, tais como a Enron e a WorldCom, na esperança de que o eleitor jogue todos na mesma vala comum.

Até o momento, a população está dando a Bush o benefício da dúvida. Uma pesquisa do USA Today, CNN e Gallup, realizada na semana passada, revelou que três em cada quatro eleitores ainda aprova o trabalho que vem sendo feito pelo presidente. E 78% disseram acreditar que Bush é honesto. A maioria que não pensa assim é composta de eleitores democratas.

Mas a pesquisa também emitiu três sinais de perigo que o presidente não pode se dar ao luxo de ignorar:

- Muita gente está começando a se preocupar com o seu bem-estar financeiro.

- A confiança pública na forma como ele conduz a economia está diminuindo. Ela caiu de 63% para 58% em uma semana.

- Os norte-americanos estão divididos quanto a achar que a prioridade de Bush é zelar pelas necessidades dos cidadãos ou as das grandes empresas.

O terceiro sinal pode ser o mais preocupante, porque se constitui em uma arma perfeita nas mãos dos democratas, que acusam o governo Bush sem trégua de ser apenas um instrumento das mega-corporações.

Portanto, Bush claramente está correndo riscos políticos.

Ele ainda necessita de dar seguimento à guerra global contra o terror, tentar estabelecer a paz no Oriente Médio, lidar com a constante ameaça representada pelo Iraque e administrar uma multiplicidade de problemas na área de relações internacionais. Ao mesmo tempo, ele precisa continuar enfrentando a crise relativa ao gerenciamento das corporações, defender a sua conduta pessoal como empresário e rechaçar os ataques dos democratas, que não parecem estar dispostos a lhe dar trégua.

Os norte-americanos elegem seus presidentes para liderar em tempos bons e ruins e julgam as suas performances de acordo com tal princípio. Até o momento, a maioria acredita que Bush está à altura dos desafios. Mas, a possibilidade de eles continuarem acreditando em Bush vai depender inteiramente do presidente. Os próximos meses serão críticos, e a batata quente está nas mãos de Bush.


Tradução: Danilo Fonseca

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