Ícone americano, Harrison Ford interpreta russo em novo filme

Jeannie Williams
USA Today
Em Nova York (EUA)

Harrison Ford interpreta um comandante de um submarino nuclear. Na estória, ele aprende com os seus comandados e se afeiçoa a eles.

Esse é o duro-mas-vulnerável Ford, aquele que o público se acotovelou para assistir desde que a sua carreira deslanchou com Guerra nas Estrelas, quase 25 anos atrás.

Mas, espere: o herói global norte-americano, que já fez o papel de presidente dos Estados Unidos na tela, desta vez tem um leve sotaque russo. O seu inimigo na Guerra Fria é os Estados Unidos. Ele e todos os heróis do filme K-19: The Widowmaker, baseado em uma história real, são russos.

Ford não é um homem conhecido por suspirar, mas ele dá a impressão que vai fazê-lo ao falar sobre esse filme de suspense, que estréia nos Estados Unidos no dia 19 de julho. "O público cria muitas expectativas. Deixe-me abaixar um pouco tais expectativas logo no início. Esse não é um típico filme de Harrison Ford. A história é contada sob um ponto de vista russo. É um filme de equipe, e não uma obra marcada por um único astro".

Ford atua como o capitão de um novo, mas mal equipado, submarino enviado de Moscou ao Ártico em 1961, a fim de testar mísseis. Ele confronta Liam Neeson, o comandante a quem substitui. Ford é exigente, enquanto que Neeson trata a tripulação como uma família. "É um personagem difícil de se identificar ou entender à primeira vista", diz Ford. "Mas, é fundamental que assim seja, para a construção dramática. É um tipo de filme muito diferente".

Kathryn Bigelow dirige esse drama tenso sobre a batalha da tripulação para resfriar o reator superaquecido do submarino. Caso os tripulantes falhem, pode haver uma explosão nuclear que teria o potencial para desencadear uma guerra entre as superpotências mundiais, além de obviamente colocar em risco a vida da tripulação. O comandante interpretado por Ford tenta desesperadamente resolver o problema sem ter que passar pela vergonha de pedir ajuda a um destróier norte-americano que está nas proximidades, o que implicaria na revelação de segredos nucleares.

É um filme composto praticamente só por homens, que dá a impressão de ter o toque do diretor de fitas de ação Ridley Scott (Blade Runner -- O Caçador de Andróides e Falcão Negro em Perigo). Ford diz que Bigelow "demonstrou ser extremamente bem preparada e ter um espírito cooperativo", embora admita que houve "um pouco de discórdia" quanto a determinados assuntos. Ford pôde se dar ao luxo de polemizar com a direção devido à sua fama e também porque ele é um dos produtores do filme.

Bigelow não crê que o público vá ter problemas para aceitar o sotaque russo exibido por Ford: "Trata-se de um toque para conferir um matiz diferente. O sotaque ajuda a unir um elenco composto de gente de todos os cantos do mundo".

A morte causada pela radiação é a recompensa dos marinheiros que se sacrificaram para resfriar o reator. O governo soviético fornecia a eles apenas vestes de proteção contra substâncias químicas e não contra a radioatividade. Conforme afirma o personagem interpretado por Neeson, daria no mesmo se eles estivessem usando capas de chuva. Mas a tripulação terminou cumprindo o seu dever para com a pátria-mãe.

Ford ficou intrigado com esse "comportamento abnegado e heróico. Talvez tal atitude ajude a informar mais a população sobre o sacrifício", uma palavra que tem sido mais ouvida depois do 11 de setembro.

Tradução: Danilo Fonseca

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